segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Bancos de areia e lixo prejudicam ancoragem de embarcações no AP

dragagem, igarapé das mulheres, macapá, amapá, barcos, embarcações, (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)Donos de barcos pedem dragagem do Igarapé das Mulheres, em Macapá (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)

Pescadores e ribeirinhos que utilizam o Igarapé das Mulheres, na orla de Macapá, continuam reclamando de dificuldades para ancoragem das embarcações. Segundo a Colônia de Pescadores Z1, há 13 anos não é feita a dragagem no canal da região. Um serviço superficial teria sido feito em 2013, sem grandes melhorias. O porto é o mais próximo do Centro de Macapá e um dos principais para abastecer as feiras da cidade.

Em nota, a Secretaria de Estado de Transportes (Setrap) informou que existe um projeto pronto para o desassoreamento do Igarapé das Mulheres, mas que problemas financeiros ocasionados pela crise econômica dificultaram a execução do plano.

Ricardo Valadares, dragagem, igarapé das mulheres, macapá, amapá, barcos, embarcações, (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)Ricardo Valadares já teve danos duas vezes na
embarcação (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)

Cerca de 600 embarcações atracam por semana no Igarapé das Mulheres, segundo a colônia de pescadores. Na região, o assoreamento acontece com bancos de areia e também com lixo e poluição no rio.

O pescador Ricardo Valadares, de 42 anos, é do município de Chaves (PA), e usa o porto há quase 5 anos. Ao descarregar o pescado em Macapá a embarcação dele já sofreu danos duas vezes, segundo falou, destacando a mais recente, em dezembro de 2016.

“Com a maré baixa é muito complicado para entrar porque bate a embarcação. Já bati duas vezes, escapei de furar o barco aqui e perder mercadoria. Mas a gente tem que enfrentar quando está cheio aí. Sempre foi desse jeito e a cada ano vai piorando. Lixo e areia, de tudo a gente encontra aí”, lamentou Valadares.

dragagem, igarapé das mulheres, macapá, amapá, barcos, embarcações, (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)Barcos conseguem atracar somente com maré alta
(Foto: Fabiana Figueiredo/G1)

Jorge Ribeiro, de 56 anos, faz transporte de mercadorias da Ilha de Caviana (PA) para abastecer feiras em Macapá, com produtos agrícolas. Ele diz que já bateu o barco dele duas vezes em dois anos.

“Minha maior dificuldade é justamente isso, esse monte de areia que atrapalha a gente de entrar com a embarcação. Até que ela [embarcação] vazia, consegue, com todo cuidado, mas quando está cheio de carga, não tem condições. Bate a rabada, bate o pilhão. O vento vem forte, vem trazendo essa terra, lama para a beirada. Mas esse assoreamento prejudica a gente. Seria bom uma limpeza aí”, reclamou Ribeiro.

De acordo com o presidente da Colônia de Pescadores, Francisco Viana, o canal não é dragado há 13 anos. A instituição já teria solicitado ajuda da prefeitura da capital e do governo do estado, mas não obteve respostas.

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“Devido a distância ser muito longa e não é feita a manutenção, fica difícil. Vai só assoreando, que é muito rápido com esse vento. O nosso trabalho precisa dessa limpeza para diminuir esse problema, para durar ao menos 3, 4 anos. Tem que ter manutenção direto para nós não termos tanto prejuízo, até porque é o único porto que a gente tem aqui em Macapá”, pediu Viana.

A Setrap informou na nota que está na fase de captação de recursos para a licitação e contratação da empresa que irá fazer o trabalho na região. A secretaria informou também que já tinha conhecimento da necessidade da retirada dos sedimentos do canal, mas que teve dificuldade na execução em função da baixa arrecadação e redução dos repasses federais.

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