A Banda Daki completa 45 anos desfilando pelas ruas do Centro de Juiz de Fora no sábado de carnaval (18) em 2017. "A gente não imaginava isso em 1972 ao fazer um bloco pequeno para abrir o carnaval”, disse José Carlos Passos, o Zé Kodak, "general da Banda". A trajetória do tradicional bloco, tombado em 2004 como Patrimônio Cultural do município, inspirou uma mostra fotográfica no Fórum da Cultura, que será aberta nesta terça-feira (7).
"A gente nem esperava comemorar os 45 anos. A gente pede muito que todos participem, será uma festa com muita alegria. Que os moradores dos prédios da Avenida Rio Branco joguem confetes e serpentinas, até papel higiênico, não tem importância. Que brinquem com a gente na avenida", afirmou.
O G1 conversou com ele sobre a comparação do carnaval do passado e atualmente, as expectativas para a festa deste ano e o amor pela folia que vai além do feriado oficial. “Eu tenho 50 anos de carnaval e acho pouco. Uma pena que é só uma vez por ano. Tinha que ser mais”, afirmou.
(Foto: José Carlos Passos/Arquivo Pessoal)
'Brincadeira abençoada'
A Banda Daki nasceu por iniciativa de uma turma de amigos, inspirada na Banda de Ipanema, e desfilou pela primeira vez em 1972, saindo do Largo do São Roque. Eles queriam criar uma programação para a manhã de sábado, porque a cidade tinha eventos entre domingo e terça-feira.
“Era uma festa. O bloco saía às 9h da manhã, impreterivelmente. Às vezes, vinha correndo pela Avenida Rio Branco para descer a Rua Halfeld, que naquela época não era calçadão. Toda a festa era algo à vontade, sem aparato como o de uma escola de samba. A gente brincava na Rua Halfeld das 10h até umas 14h e parava no antigo Bar do Bolão na Rua São João”, comentou.
Com o passar dos anos, mais pessoas se uniram à brincadeira e foram feitas alterações que, na visão de Zé, tornaram o trajeto “abençoado”.
“A banda cresceu e, hoje, infelizmente, não podemos descer a Rua Halfeld. A gente passa, dá um adeusinho à Halfeld e segue na Avenida Rio Branco. Eu digo sempre que a Banda Daki é uma festa abençoada que reúne o povo da cidade e da região de uma igreja à outra. Concentramos em frente à Igreja de São Roque e terminamos em frente à Catedral”, lembrou.
Com a experiência de 50 anos curtindo o carnaval como folião e 45 deles na organização da Banda Daki, José Carlos Passos lembrou que agora é necessária uma infraestrutura de segurança, com reuniões para levar o bloco para a rua.
“A tradição dela é de não ter ônus financeiro para o folião: peruca, vestido, sapato alto, o batom, é usar o que tem em casa. Não temos enredo, não temos nada. Mantivemos músicas e acrescentamos outras no repertório. Isso é o sucesso da Banda. Estamos comemorando 45 anos e espero que venham muitos mais 45 anos por aí”, afirmou.
Banda Daki (Foto: José Passos/Arquivo Pessoal)
Folião apaixonado
Enquanto não chega o sábado de carnaval, Zé está às voltas com o desfile do "Vem, vem comigo", Bloco do Batom, Domésticas de Luxo, Bloco do Beco, Pintinho de Ouro, Pagodão. “Todo ano o meu contador pergunta o que aumentou no imposto de renda e eu falo ‘um bloco’. Eles saem de segunda a sexta-feira e encerra com a Banda Daki”, explicou.
Para quem acha que é muita coisa, ele ressalta que tem inspiração de sobra para estar em todos. “Quando a gente é jovem, pede a Deus que nos dê um futuro bom. Nós ganhamos esse futuro e não tem que esperar mais nada. Quando você conseguiu, chegue perante Deus, agradeça e viva o presente. Futuro é para os jovens. Temos que aproveitar os momentos e é o que estamos fazendo: vivendo muito”, confidenciou.
O comerciante falou sobre o amor que o tornou um dos mais conhecidos foliões de Juiz de Fora. “Eu sou apaixonado, o meu sangue corre carnaval no ano todo. Eu gosto do carnaval espontâneo, de rua, aquele bloquinho que nasce na turma do botequim. Eu espero poder comemorar por muitos e muitos anos. Já falei com a minha família e com meus amigos que o dia que eu morrer não põe flor no caixão, me enche de confete e serpentina e me deixa ir embora, que eu vou feliz da vida”, contou.
Para o carnaval de Juiz de Fora ficar perfeito, na visão de José Carlos Passos, a programação deveria ser reforçada nos dias do feriado da folia. “Você não pode mudar a data. O Natal não vai ser em 25 de novembro. Isso não existe. Juiz de Fora na realidade não tem carnaval nos dias oficiais do feriado. Eu acho um absurdo. Alegam que as pessoas viajam, mas isso acontece porque não tem nada. É uma cidade polo que tem ótimos hotéis, ótimos restaurantes, ótima vida noturna. Por que não fazer o carnaval?”, desabafou.
Das ruas para a galeria
Antes da agenda de desfiles, Zé Kodak vai receber foliões, amigos e convidados na abertura da mostra “Banda Daki: 45 anos de fantasia”, nesta terça-feira, às 20h30, na Galeria de Arte do Forum da Cultura. A visitação é de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h, até 3 de março. A entrada é gratuita.
Será a quinta vez que o tradicional bloco é tema de uma mostra no local. O público poderá conferir uma seleção de fotografias de um acervo de 15 mil registros, mostrando o bom humor dos foliões, fantasiados de políticos, heróis e heroínas do cinema e das histórias em quadrinhos. Também estará exposta parte da coleção de Zé Kodak como fantasias, chapéus, camisas e adereços. Além disso, haverá o trabalho plástico de artista Gerson Guedes inspirado pela Banda Daki.
“A Banda Daki e os blocos têm a proposta de carnaval de rua, confete, serpentina, pierrô e colombina. Não há coisa mais bonita que a saída da concentração, é uma festa de cinema e quando chega à Avenida, arrebanhando muita gente. Um convite que faço há 45 anos para quem gosta do verdadeiro carnaval: venha brincar com a gente”, chamou o general da Banda.
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