As supostas torturas praticadas por monitores em uma clínica de reabilitação em Macapá alvo de investigação ocorriam a mando de funcionários. Foi o que relataram à Polícia Civil do Amapá nesta terça-feira (14) pacientes que disseram ter recebido a função de monitorar os outros internos em razão do bom comportamento.
Os depoimentos são colhidos pela Delegacia de Captura. Um dos pacientes, de 26 anos, que recebeu a função de monitorar, afirmou que as agressões ocorriam após os dependentes químicos em tratamento infringirem regras.
(Foto: Reprodução/Rede Amazônica no Amapá)
A defesa dos responsáveis pela clínica informou ao G1 que iria se manifestar ainda nesta terça-feira através de uma nota sobre as afirmações.
O monitor acrescentou que não concordou com as agressões e saiu um mês antes de o Ministério Público (MP) do Amapá e Polícia Civil realizarem a operação que resultou na prisão dos dois irmãos proprietários da clínica na sexta-feira (10) pelo crime de tortura. Eles foram soltos três dias depois pelo Tribunal de Justiça do Amapá (Tjap).
"A gente recebia ordem da coordenação. Se o cara se 'rebarbasse' [infringisse regras], pediam para bater nele. Mas as vezes nem tinha isso, apenas tratavam mal mesmo. Fora a pressão psicológica na sua mente se a gente não batesse no cara. Por isso que saí de lá. Não queria bater em ninguém e saí fora", relatou.
encontrados na clinica em Macapá (Foto:
Reprodução/Rede Amazônica no Amapá)
Em alguns casos, a agressões ocorriam após os pacientes relatarem os maus-tratos aos familiares.
"Para eles [clínica], tudo o que a gente falava estava errado e ficavam com raiva se fossemos reclamar para nossa família nas visitas. Quando ela saia, éramos punidos. Isso [operação] era para ter acontecido há mais tempo. Eles batiam mesmo sem pena. Bateram até um colega nosso doente", contou.
Clínica investigada
A clínica para reabilitação de dependentes químicos fica no bairro Brasil Novo, na Zona Norte da capital, e foi alvo do MP após depoimentos de 42 pacientes, que contaram sofrer de maus-tratos, agressões físicas, psicológicas, além de ficarem sem água por longos períodos, segundo eles.
A Polícia Civil encontrou algemas, palmatórias e seringas, que seriam usadas para dopar as pessoas em tratamento. O advogado de defesa dos proprietários da clínica negou qualquer tipo de agressão, e diz que houve "interpretação errada" por parte da investigação.
Todos os 42 pacientes foram ouvidos pelo MP. Para manter os dependentes químicos no tratamento, eram pagos R$ 1,2 mil mensais pelas famílias à administração da clínica.
O caso é investigado desde 2016 pelo MP e resultou na prisão pelo crime de tortura dos dois irmãos proprietários da clínica. Os supostos maus-tratos começaram a ser apurados após denúncias feitas por ex-pacientes.
Com a soltura dos proprietários na segunda-feira (13) pelo desembargador Agostino Silvério, do Tribunal de Justiça do Amapá, o Ministério Público diz que estuda pedir o afastamento de Francisco Charles Marinho Brito e Iran Célio Marinho Brito, irmãos e donos do centro.
Para liberdade, o magistrado impôs medidas restritivas como proibição de deixar a cidade, de frequentar bares e boates, além de recolhimento domiciliar das 22h às 7h diariamente.
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