As mulheres brasileiras que eram vítimas de tráfico de pessoas para fins de exploração sexual saíram, em sua maioria, do Ceará, além da Bahia, Minas Gerais, São Paulo, e eram levadas de Fortaleza para a Eslovênia, via Milão, na Itália. O esquema, detalhado pela Polícia Federal nesta quarta-feira (15), é investigado desde 2013. A operação Marguerita, nome de uma boate eslovena, prendeu 13 pessoas preventivamente e, duas temporariamente.
De acordo com o superintendente Regional da Polícia Federal do Ceará, Delano Cerqueira Bunn, Fortaleza é a rota principal do tráfico de pessoas e da prostituição.
"Fortaleza é sim rota do tráfico internacional de pessoas e da prostituição. E essa operação de hoje confirmou isso. Pessoas presas aqui em Fortaleza. A organização criminosa que existe desde 2010", disse Delano.
Ainda segundo o superintendente da Polícia Federal o principal motivo de Fortaleza virar rota internacional é devido ao turismo e a posição geográfica. "Principal motivo é a questão turística e a posição geográfica. E cito é que a maioria das pessoas são de baixa renda. Pessoas que sonham em uma vida melhor", explica.
Entre os presos, cinco estrangeiros, sendo três eslovenos e dois italianos, que possuíam empresas de fachada para fazer o recrutamento das mulheres. O esquema envolvia também agências de turismo de Fortaleza, localizadas na Avenida Beira Mar e no Bairro Aldeota, que agenciavam as vítimas.
Segundo a PF, as mulheres estavam cientes que a viagem era para prostituição, mas não sabiam que condições seriam submetidas, de liberdade restrita. "Ela era obrigada a pagar aluguel de 480 dólares por pessoa, e muitas vítimas ficavam juntas. Tinha uma série de pagamentos que elas tinham que cumprir, além de ter que obter o lucro", informou a delegada Juliana Pacheco. "Elas eram ameaçadas caso não cumprissem os programas", acrescentou. As vítimas chegavam a trabalhar de 19h à 0h em uma boate, e de 0h às 2h em outra boate.
Ainda segundo Juliana Pacheco as “cabeças” da organização eram empresários. Alguns deles montavam empresas de fachada entravam com pedido para permanecer no Brasil com objetivo de investir no negócio do tráfico de pessoas.
“Empresários, pessoas estrangeiros que vinham para cá para Fortaleza. Esses estrangeiros vinham e montavam empresas de fachada entravam com pedido para permanecer no Brasil com vista de investidor e foram feitos levantamentos e não foi identificado nenhuma empresa no local e inclusive alguns deles tiveram o visto cancelado já para serem deportados”, disse.
Os 18 mandados de condução coercitiva foram cumpridos com mulheres que já voltaram ao Brasil após terem sido vítimas do esquema. Elas serão ouvidas em depoimento. A PF informou ainda que houve resgate de vítimas nesta quarta-feira.
"Há o engano, a coação, a fraude, a vulnerabilidade, endividamento compulsório. 'Vou ter que pagar pra ter alimentação, moradia, e o que eu ganho nunca será suficiente para quitar as dívidas", detalhou o superintendente da PF, Delano Cerqueira Bunn.
O material apreendido, incluindo computadores, celulares, documentos, serão periciados. Após a conclusão do inquérito, o caso será enviado à Justiça.
Operação Margerita
A Polícia Federal deflagrou operação no Ceará na manhã desta quarta-feira (15) contra um grupo criminoso internacional especializado em tráfico de pessoas para fins de exploração sexual. As vítimas eram levadas de Fortaleza para a Itália e Eslovênia. Foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão, 13 mandados de prisão preventiva, 2 mandados de prisão temporária e 18 mandados de condução coercitiva, todos expedidos pela 32ª Vara da Justiça Federal no Ceará.
Em Fortaleza, durante a operação, agentes estiveram em um prédio na Avenida Historiador Raimundo Girão, na Praia de Iracema. A PF também cumpriu mandados de prisão e de apreensão na Praia do Cumbuco, em Caucaia, na Grande Fortaleza.
"O que foi preso hoje em Fortaleza ele era o cabeça até 2012. Ai aconteceu uma situação que ele se afastou e outros começaram e ficou ramificada. Antes era mais centralizada e ele era o chefe. Aqui em Fortaleza fizemos a prisão de um esloveno", afirmou Juliana Pacheco.
A rede criminosa, segundo a PF, é composta por aliciadores, responsáveis pelo recrutamento, transporte, viagens para o exterior, acolhimento, alojamento e exploração sexual de vítimas (mulheres) nos países de destino.
Foram mobilizados 92 policiais federais no Brasil para cumprir os mandados no Ceará, Bahia, Minas Gerais e São Paulo, contando ainda com a participação de autoridades policiais da Itália e Eslovênia, acionadas pelos canais de cooperação internacional (Interpol e Adidância da Polícia Federal em Roma).
A PF destacou que o crime de tráfico internacional de pessoas com a finalidade de exploração sexual trata de grave violação de direitos humanos, considerando a situação de vulnerabilidade das vítimas, que muitas vezes, iludidas pelos aliciadores, mediante fraude, são levadas a países da Europa e submetidas à condição degradante.
Os presos serão indiciados por crime de tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual, associação criminosa e lavagem de dinheiro, com pena prevista de até 25 anos de reclusão.
A operação foi batizada de “Marguerita” em alusão ao nome da principal boate (Margerita) na Eslovênia onde se exploravam sexualmente as vítimas.
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