terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Para fugir da reforma da previdência, 400 PMs do AP podem ir para reserva

Mulheres correspondem a 20% da PM do Amapá (Foto: Alex Silveira/Agência Amapá)PM do Amapá pode ter baixa com reforma da
previdência (Foto: Alex Silveira/Agência Amapá)

A reforma da previdência apresentada pela União no fim de 2016 deixou em alerta os policiais militares mais antigos da corporação amapaense. A proposta provocou logo no primeiro mês seguinte ao anúncio o pedido de reserva de 68 militares, em janeiro. Os dados são da Associação dos Policiais Militares do Ex-Território Federal do Amapá (Aspometerfa).

A projeção da entidade ainda é mais preocupante para o fim do primeiro semestre de 2017. Até lá, a associação diz que pelo menos 400 militares devem seguir o mesmo caminho e pedir aposentadoria. O quantitativo representa mais de 10% do efetivo atual, de 3,6 mil homens.

"Ainda do ex-território, temos 623 policiais. Desse total, somente em janeiro, 68 confirmaram reserva. Pelo que está caminhando, se não conseguirmos deixar a carreira mais atrativa, a projeção é de que pelo menos 400 peçam a reserva até o fim do primeiro semestre, que é quando deve ser votada a reforma previdenciária", reforçou o presidente da Aspometerfa, coronel Ailton Silva.

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O comandante da PM, coronel Rodolfo Pereira, sintetizou que a quantidade deixa a corporação "assustada".

"Isso é uma questão particular de cada um porque os policiais têm medo de perder direitos por deixar de ganhar dinheiro aqui ou ali. Se tirarem isso, eles vão perder e preferem ir agora [para a reserva]. (...) É uma perda significativa. Se sair um, a gente já perde", comentou.

Para a Aspometerfa, é mais vantajoso para o policial se aposentar antes da aplicação da reforma da previdência. Caso o militar decida pedir a reserva remunerada somente após as alterações propostas pelo governo federal, o oficial terá que trabalhar mais cinco anos.

Atualmente, para se aposentar, o militar deve ter pelo menos 30 anos de serviços prestados, para receber o vencimento integral na reserva. Além disso, ele recebe como indenização os salários de férias e licenças não tiradas ao longo do tempo. Essa bonificação também está em situação temerária em razão das propostas de mudanças na previdência.

Na prática, segundo a Aspometerfa, um coronel do ex-território tem o ganho de R$ 17 mil mensais. Caso o oficial peça aposentadoria antes da reforma, o vencimento após inativo será de R$ 14 mil. Após a implantação das alterações, a reserva dará um salário de cerca de R$ 12 mil, caso militar decida ir para a reserva.

"É mais vantajoso ir para a reserva hoje com o proporcional do que continuar na ativa, principalmente porque as promoções estão travadas", ressaltou o oficial da Aspometerfa.

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