terça-feira, 11 de abril de 2017

Defesa contesta condenação de jovem por latrocínio de padre em Barbacena

Advogado quer que rapaz responda por homicídio com motivação passional. Recurso será analisado pelo Tribunal de Justiça em Belo Horizonte.

A defesa de Pedro Henrique Pamplona Moreira, condenado a 22 anos e seis meses de prisão pela morte do padre Paulo Sérgio Ribeiro Sabino, de 39 anos, em agosto de 2016, contesta a decisão da Justiça e já apresentou recurso.

A principal alegação é a qualificação do crime. O jovem de 19 anos foi condenado por latrocínio - roubo seguido de morte. Decisão do juiz da 2ª Vara de Execução Criminal de Barbacena, no dia 3 de abril. No dia, não houve júri popular. A defesa e a família alegam que foi homicídio, com motivação passional, porque o rapaz e o padre teriam envolvimento amoroso.

A sentença foi divulgada em coletiva de imprensa na sexta-feira (7) por representantes da Igreja Católica em Barbacena e advogados da família do padre. Mesmo com a condenação, o processo segue sob segredo de Justiça a pedido da igreja.

O recurso será encaminhado para análise no Tribunal de Justiça em Belo Horizonte.

Crime passional

O advogado de defesa, Marcelo Chaves, apontou que há evidências de que o crime não foi latrocínio, mas resultado de uma briga entre duas pessoas que se relacionavam.

“O que ele nos contou é que no momento deste encontro ele disse para o padre Paulo Sérgio que não queria mais este tipo de relacionamento. Ele tencionava ir para São Paulo para trabalhar e não queria mais namorar. E isso não foi muito bem aceito pela vítima. Segundo o Pedro, eles entraram em uma discussão, deu uma gravata e o esperou desfalecer. Como ele estava com uma aparência assustada e sangrando um pouco a boca, pegou uma sacola que estava na porta do carro e amarrou na cabeça do padre. Em seguida abriu a porta do carro e o jogou na beirada da estrada. Os pertences que estavam visíveis foram dispensados também", relatou o advogado.

Após o crime, o rapaz passou em casa, pegou roupas e fugiu. "Ele fez na hora, amarrou com lençol. Quem programa um crime desta natureza estaria desprogramado para viajar? Depois ele foi embora para São Paulo", acrescentou Marcelo Chaves.

O advogado analisou a manutenção do sigilo sobre os casos tanto durante as investigações quanto durante a tramitação do processo na Justiça. "A gente vê isso como uma forma de a igreja não deixar transparecer o fato do padre ser homossexual e estar se relacionando com o Pedro. Vejo esse segredo de justiça como uma forma de proteger as informações que poderiam manchar o nome da igreja", alegou.

Os pais de Pedro Henrique falaram ao MGTV pela primeira vez sobre o caso. Pedro Moreira alega que o filho não sabia que Paulo Sérgio era padre. "Ele ficou sabendo quase no dia do acontecimento. O meu menino perguntou para ele 'o senhor mexe com que?' 'Isso aí não é bom você saber, não. Com o tempo, você vai saber'. Meu filho não precisava disso", destacou o pai.

O envolvimento com um crime ainda surpreende a mãe, Érica Pamplona, que espera a revisão do caso. "Isso foi uma surpresa muito grande porque meu filho não tem vícios, não usa droga, é um menino tranquilo. Não foi latrocínio, foi homicídio. Ele fugiu com o carro em desespero. Tanto é que o carro roubado que valor tem? Ele fez errado, sim, mas o padre tem porcentagem de culpa nesta história. E tem que ser revisto sim", afirmou a mãe.

O advogado da congregação religiosa e da família do padre Paulo Sérgio, Camilo Cury, destacou que as provas apontam o crime pelo qual o rapaz foi condenado. "É uma situação polêmica e pelo fato de estarmos tratando de um processo em segredo de justiça, nós não podemos aprofundar na questão processual. O que de fato levou o Ministério Público e a assistência da acusação a sustentarem a tese de latrocínio foram as provas colhidas e elas demonstram amplamente a ocorrência do crime de latrocínio. É um direito da família se pronunciar. Independente do padre ter tido conhecimento pretérito do autor isso não exclui a responsabilidade dele pelo cometimento do crime porque, se assim fosse, qualquer pessoa que tivesse conhecimento teria autoridade e capacidade para estar ceifando a vida de outra pessoa", comentou.

Padre foi encontrado morto

O padre era natural do Espírito Santo e atuava como vigário na Igreja da Penha. Ele também era membro da Congregação Irmãos Passionistas São Paulo da Cruz.

O corpo dele foi encontrado por populares em uma estrada de terra próximo ao Bairro Borda do Campo, na tarde do dia 26 de agosto. Segundo a Polícia Militar (PM), a vítima estava com uma sacola na cabeça e tinha sinais de asfixia.

O pároco havia desaparecido na noite de 25 de agosto, quando foi visto saindo com o veículo de uma reunião com paroquianos no Bairro Caiçaras. No dia 26 de agosto, a Polícia Civil prendeu um jovem de 19 anos, suspeito do crime. Ele foi encontrado em São Paulo dirigindo o carro do padre. Em setembro, ele foi transferido para o presídio de Barbacena, após a conversão para a prisão preventiva.

O padre foi homenageado durante o velório na Igreja Matriz da Penha e o corpo foi sepultado na cripta do Projeto de Vida, no Bairro Ipanema.

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