Izadora Nazário estava de forma ilegal em Paris e morreu por complicações do lúpus. Família precisa arrecadar R$ 16 mil para sepultar corpo no Amapá.
Izadora Nazário, de 11 anos, morreu no dia 31 de março, em Paris, por complicações no tratamento de lúpus (Foto: Reprodução/Rede Amazônica no Amapá)
A família da amapaense Izadora Nazário, de 11 anos, que morreu no dia 31 de março na França, confirmou nesta segunda-feira (17) que conseguiu arrecadar cerca de R$ 14 mil para custear o translado do corpo da menina do território francês para o brasileiro. A família fez campanha em semáforos de Macapá com a finalidade de juntar R$ 16 mil para o procedimento. Com mais R$ 2 mil, eles pretendem fazer o sepultamento da criança na cidade de Tartarugalzinho, município onde ela morava, a 230 quilômetros da capital.
O corpo da menina está em um hospital da capital francesa, e o pai de Izadora, Robson Nazário, de 33 anos, disse nesta segunda-feira que dará entrada no processo para levar o corpo para a cidade de São Paulo, onde aguardará o translado aéreo até Belém, no Pará. Para chegar a Macapá e posteriormente, a Tartarugalzinho, a família precisa de mais R$ 2 mil. A intenção é que até o fim da semana o objetivo seja alcançado.
"A prioridade é que o corpo chegue ao Brasil, e, por isso, darei entrada ainda nesta segunda-feira. De lá, vamos providenciar que venha para o Amapá o mais rápido possível. Estamos com esperança de conseguir, porque falta pouco menos de R$ 2 mil, graças a muitas ajudas que tivemos", agradeceu Robson.
Os familiares ocuparam as esquinas de semáforos em Macapá pedindo ajuda a desconhecidos para arrecadar o valor para o corpo não ser enterrado como indigente. A criança, que foi levada ilegalmente para a França em busca de tratamento médico, morreu após complicações do lúpus, uma doença autoimune que atinge a pele, órgãos e o sistema nervoso.
Família de Izadora Nazário arrecadou dinheiro por meio de doações (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)
Em nota emitida no dia 11 de abril, o Ministério das Relações Exteriores informou que o consulado brasileiro em Paris estava em contato com a família e autoridades hospitalares para dar toda a assistência “que for possível com relação às exéquias e repatriação do corpo”. O Itamaraty reforçou que, de acordo com a lei do país, não há custeio de translado de corpos de brasileiros mortos no exterior.
O consulado brasileiro em Paris teria informado à família que havia conseguido um prazo ainda indefinido do governo francês para garantir que o corpo retorne ao Brasil.
Segundo a família, Izadora apresentava sintomas da doença desde os 4 anos. Sem conseguir o diagnóstico em Tartarugalzinho e nem na capital, a família optou em levá-la para fora do estado, através do Programa de Tratamento Fora do Domicílio (TFD). Como houve problemas com passagens de ida, a família decidiu ir em busca de diagnóstico e tratamento fora do país.
O tio de Izadora contou que, em janeiro, a menina foi com o pai de ônibus até Oiapoque, distante 590 quilômetros de Macapá. De lá, Izadora atravessou para o território francês para ficar com um tio que mora na Guiana Francesa, território que faz fronteira com o Brasil.
A menina não conseguiu atendimento por não ser cidadã francesa. O tio, então, teria mentido e dito ser o pai de Izadora. Ele teria apresentado a certidão de nascimento da filha legítima que tem mais ou menos a mesma idade da criança.
A amapaense foi levada em fevereiro para Paris, e, após complicações no tratamento, enfrentou paradas cardíacas e um Acidente Vascular Cerebral (AVC), e morreu. Para justificar o retorno do corpo para o Brasil, o tio revelou ao governo francês que havia mentido sobre a paternidade da menina. Ele chegou a ser preso por falsidade ideológica, mas foi liberado dias depois.
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