Manifestantes no território francês bloquearam estradas e suspenderam serviços. Comerciantes de Oiapoque sentem baixa na circulação do euro.
Grupo conhecido como "500 irmãos" lidera protestos na Guiana Francesa (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)
A onda de protestos que interrompeu serviços, fechou bancos e bloqueia estradas na Guiana Francesa há um mês, tem afetado a economia na fronteira com o Amapá. Comerciantes de Oiapoque, na divisa com a cidade guianense de Saint-Georges, reclamam da baixa procura dos franceses, responsáveis por movimentar a economia no lado brasileiro.
A realidade atual é de lojas vazias e empresários preocupados, principalmente os dos segmentos de alimentação e eletrônicos. Os atos que acontecem por todo o país, principalmente na capital Caiena e em Kourou, cobram maior investimento do governo francês na Guiana, que é denominada território ultramarino francês, o único na América do Sul sob domínio europeu.
Comércio de Oiapoque tem sentido baixa nas vendas (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)
Com a baixa na procura, os comerciantes dizem acumular prejuízos, principalmente pela baixa circulação do euro em Oiapoque, que fica a 590 quilômetros de Macapá. Desde 18 de março, a cidade brasileira e Saint-Georges são ligadas pela ponte Binacional, mas somente para veículos de passeio, pois ainda não há regulamentação para transporte de cargas e alimentos.
"A gente depende muito dos franceses, que são nossos fregueses do dia-a-dia, de Kourou, Caiena, Saint-Georges, eles vêm todo fim de semana. Sábado e domingo eles frequentam nosso município e, com essa greve lá, isso tem trazido muito prejuízo para Oiapoque", lamentou o comerciante Sândrigue Ribeiro, em entrevista à Rede Amazônica no Amapá.
Sândrigue Ribeiro, comerciante de Oiapoque (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)
Apesar da divisa, o grupo que lidera os protestos, conhecido como "500 irmãos", se concentra na região central e mais desenvolvida da Guiana Francesa, que fica a cerca de 200 quilômetros em Oiapoque. Os manifestos, com apoio de brasileiros, pressionam o governo em Paris a ampliar o investimento nos setores de saúde, educação, geração de emprego e segurança pública.
Sem negociação entre território e o governo, a vinda para o Amapá de estrangeiros foi reduzida, de acordo com os comerciantes. "O que a gente produzia bastante, em semanas, agora a gente não produz quase nada, pelo fato de estar bem baixa a taxa de venda", falou o empresário Wagner Santos, de Oiapoque, também à Rede Amazônica no Amapá.
Amapá e Guiana Francesa são ligados por via terrestre desde março (Foto: Divulgação/Préfecture de la Guyane)
Imigrantes
Mesmo com a pouca oferta de serviços e insumos na Guiana Francesa, os órgãos de fiscalização da fronteira não registraram pedidos de refúgio de guianenses no Brasil, pelo contrário, a entrada de imigrantes brasileiros no país é considerada um problema na região, e também é pauta dos protestos, que estimam milhares vivendo ilegalmente no território.
Prejuízo brasileiro
O movimento impediu o lançamento, em 21 de março, de um foguete que colocaria em órbita o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). O equipamento brasileiro que custou R$ 2,1 bilhões seria lançado do Centro Espacial de Kourou.
Durante os protestos, foram feitas barricadas na entrada do centro espacial com carros, pneus e pedaços de madeira. O lançamento segue sem previsão.
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