Investigações apontaram que namorado, o primo e a cunhada dele podem ter envolvimento no crime. Após a prisão, populares depredaram delegacia e tentaram invadir presídio da cidade.
População tentou entrar na Delegacia de Cerejeiras e chegou a depredar o local após a prisão dos suspeitos (Foto: Aline Lopes/G1)
A Polícia Civil prendeu na terça-feira (25) o namorado da estudante Jéssica Moreira Hernandes, de 17 anos, encontrada morta no início da semana na Zona Rural de Cerejeiras (RO), a 745 quilômetros de Porto Velho. Na ação, foram detidos também um casal, que seriam parentes do suspeito. Segundo o delegado regional Fábio Campos, a Justiça expediu mandado de prisão temporária para os três por suspeita de terem envolvimento no assassinato da estudante.
“A prisão foi solicitada em razão de indícios iniciais de autoria. Não podemos dar mais detalhes para não atrapalhar as investigações, mas essa prisão tem o prazo de 30 dias e pode ser convertida ou não em prisão preventiva, dependendo do que for colhido ainda”, declarou o delegado.
Após a detenção dos suspeitos, que aconteceu durante a tarde, centenas de populares se reuniram em frente à delegacia. No local, conforme a Polícia Militar (PM), um grupo reagiu com violência e depredou o prédio público jogando pedras nas janelas.
O delegado do caso, Rodrigo Spiça, precisou subir no muro e pedir calma para os manifestantes. Na fala da autoridade, ele ressaltou que os suspeitos foram presos para não interferirem nas investigações e orientou para que a população não os condenassem antecipadamente.
“Imaginem só se vocês lincharem uma pessoa inocente? Faz sentido isso? Não faz senhores. Eu gostaria que vocês compreendem isso (...) O momento agora é de ter paciência”, disse Spiça na ocasião.
Porém, o diálogo não surtiu efeito, pois em seguida, os populares se aglomeraram na entrada do presídio de Cerejeiras e tentaram invadir a unidade. No episódio, foi preciso solicitar reforço policial da cidade de Vilhena. O Grupamento de Operações Especiais (GOE) se deslocou para o município, realizou uma barreira na rua com viaturas e policiais e fizeram o uso de balas anti motim para dispersar a multidão, que só saiu do local por volta das 21h.
Na manhã desta quarta-feira (26), o G1 procurou a Polícia Civil e não foi informado se os suspeitos permanecem no presídio ou se foram transferidos para outra cadeia da região por medida de segurança. Novas provas sobre o crime serão divulgadas em coletiva de imprensa prevista para acontecer às 12h.
Amigos e familiares fizeram manifestações nas redes sociais após a morte da adolescente (Foto: Facebook/Reprodução)
Na manhã de quinta-feira (20), Jéssica não foi a escola alegando que não estava se sentindo bem e depois saiu de casa dizendo que logo voltaria. A mãe relatou que não estranhou a situação, porque a adolescente produzia e vendia pão de mel e, com isso, era comum a filha sair para adquirir os ingredientes. No entanto, naquele dia, ela saiu de bicicleta e não foi mais vista na cidade.
A população se solidarizou com a família e fez mutirões de buscas. Quatro dias depois, o corpo de Jéssica foi encontrado por duas mulheres que faziam caminhada na zona rural e sentiram um forte odor. Quando foram verificar a origem do cheiro, viram a estudante morta envolta de uma lona. Segundo informações da polícia, o corpo da vítima estava em estado de decomposição. O criminoso teria tentado incendiá-lo, mas não conseguiu. A perícia técnica constatou ainda que a jovem foi perfurada duas vezes no pescoço e uma vez na costa por arma branca.
O corpo foi liberado para a funerária no final da manhã de terça. O velório aconteceu no mesmo dia, na Capela Mortuária da cidade, e reuniu centena de pessoas. Após a cerimônia, a jovem foi sepultada.
Velório reuniu centenas de pessoas na última terça-feira, 25, na Capela Mortuária da cidade. (Foto: Rede Amazônica/Reprodução)
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