Pais dizem que as lesões podem ter sido provocadas pelo irmão do bebê, um menino de 3 anos. Criança tinha fraturas na costela e no braço, e chegou morta ao HE, diz Conselho Tutelar.
Bebê foi levado morto para o Hospital de Emergências de Macapá na noite de terça-feira (30), diz unidade (Foto: Graziela Miranda/Arquivo G1)
Um bebê de 4 meses morreu na terça-feira (30), em Macapá, com fraturas pelo corpo. O Conselho Tutelar suspeita que ele tenha sofrido maus tratos pelos pais. A criança chegou a ser levada para o Hospital de Emergências (HE), mas já estava morta, segundo a unidade. O bebê havia sido atendido no Pronto Atendimento Infantil (PAI) no início de maio, com lesões que já haviam levantado suspeita, informou a direção.
A família nega que tenha havido maus tratos e atribui ao irmão do bebê, um menino de 3 anos, as lesões na criança. De acordo com a tia, Neiva Evangelista, o menino pode ter caído sobre o bebê e trincado braço e costela. Os pais não querem falar sobre o assunto.
O Conselho Tutelar da Zona Sul foi chamado pela equipe de assistência social do HE ainda na terça-feira, conforme a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Segundo o conselheiro Marcio Barreto, o corpo médico da unidade informou que a menina já chegou morta ao hospital, com um braço e costela quebrados.
“A própria médica falou que a criança já chegou em óbito. Ela já havia dado entrada no PAI, com braço quebrado e uma fratura na costela. Temos a informação de que houve uma evasão hospitalar durante o tratamento lá. Os pais falaram que quem pode ter quebrado foi o irmão dela, de 3 anos, e que jamais iam fazer isso com a filha. Vamos ter acesso aos procedimentos e investigar essa situação”, falou o conselheiro, que ouviu depoimento dos pais.
Os colaboradores que fizeram o atendimento à criança no hospital teriam informado ao Conselho Tutelar que a família queria levar o corpo do bebê, do HE, na noite de terça-feira. Por causa da suspeita de maus tratos, a entidade foi chamada.
Um boletim de ocorrência foi registrado no posto da Polícia Civil no HE denunciando a suspeita de maus tratos, segundo Barreto. O corpo foi removido pela Polícia Técnico-Científica (Politec) que emitiu laudo preliminar da morte, de acordo com a família, atestando traumatismo craniano.
Segundo Márcio Barreto, os pais foram notificados pelo Conselho Tutelar para apresentarem os resultados dos exames feitos na criança durante o período em que ela ficou no PAI, além de outras provas que confirmem uma suposta negligência atribuída pela família ao hospital.
Os documentos foram apresentados e devem compor uma denúncia ao Ministério Público Estadual, confirmou Barreto.
PAI registrou evasão hospitalar após suspeita de maus tratos; família nega fuga e fala em negligência (Foto: Jorge Abreu/G1)
Evasão hospitalar
A tia do bebê falou que a criança foi levada para o PAI para receber atendimento médico e houve negligência, além de falta de informações quanto ao diagnóstico das lesões. A família informou que registrou um boletim de ocorrências contra a instituição na madrugada de quarta-feira (31).
A diretora do Hospital da Criança e do Adolescente (HCA), responsável pelo PAI, Zoraima Maramalde, informou que há registros de duas entradas da criança na unidade. A primeira, no dia 1º de maio, em que a criança apresentava inchaço na cabeça. O corpo médico não conseguiu identificar o que poderia ter causado a lesão e a criança foi encaminhada para uma Unidade Básica de Saúde (UBS).
A recomendação, segundo Zoraima, era retornar ao PAI caso houvesse piora no estado de saúde. Quando a criança retornou, no dia 5 de maio, estava em crise convulsiva. Em exames, a equipe identificou calos ósseos, que levantaram suspeitas de maus tratos.
"Algumas doenças no início são muito inespecíficas nos sintomas. Mas sempre que uma criança é atendida, a orientação é em, qualquer alteração, retornar. A criança retornou, fez os exames, fez até o liquo, e já tinha uma alteração. A criança precisava ficar internada, mas eles foram embora", comentou Zoraima.
A tia negou que a família tenha tirado a criança do PAI durante tratamento, assim como negou que tenha havido tentativa de retirar o corpo do bebê do hospital. Segundo Neiva, houve negligência por parte do PAI desde o início dos atendimentos.
“São afirmações que não existem por parte do hospital. Estão tentando colocar a responsabilidade na família. Os pais estão destruídos, se sentindo constrangidos devido essas situações. Estamos com o coração triste, pela família ser tachada com negligência. Eles sabem que foi feita uma série de exames e não deu nada”, afirmou Neiva.
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