Ícaro Sarquis foi premiado no 14º Prêmio de Destaque do Ano na Iniciação Científica, em Belo Horizonte (Foto: Jéssica Alves/G1)
Um estudante de 22 anos da Universidade Federal do Amapá mapá (Unifap) desenvolveu um larvicida feito à base de água e óleo de semente de sucupira para combater o mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue, chikungunya e o zika vírus. O projeto foi um dos seis premiados durante um evento promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em julho.
O estudante amapaense Ícaro Sarquis cursa farmácia na Unifap. Segundo ele, o produto natural tem duração maior do que os larvicidas encontrados no mercado. Além de ser sustentável, o produto tem como vantagem a liberação da substância de forma controlada.
Usando técnicas da nanotecnologia, a mistura leva aproximadamente 99% de água e o restante é composto por óleo de sucupira, sendo eficaz para matar as larvas dos mosquitos onde há o acúmulo de água parada, com durabilidade aproximada de 10 dias, conta Sarquis.
“Para a nossa surpresa, o produto ficou muito bom, é diferente do que se encontra no mercado, porque o nosso produto começa com taxa de mortalidade alta e se mantêm por dias, já os do mercado vai diminuindo com o passar do tempo, por no máximo, 72 horas. Além disso, fizemos com 99% de água, o que agride bem menos o ambiente”, ressaltou Ícaro.
Larvicida foi desenvolvido com água e óleo de semente de sucupira (Foto: Jéssica Alves/G1)
O efeito do óleo de sucupira sobre as larvas do Aedes aegypti já era conhecido pela ciência. No entanto, o uso dessa substância para controle do mosquito era inviável já que o produto não é solúvel em água.
Esse obstáculo foi superado com a técnica desenvolvida por Sarquis, que isolou uma substância do óleo e a partir dela desenvolveu um produto nanoestruturado, ou seja, composto por pequenas partículas.
“O tamanho dessas partículas faz toda a diferença, porque faz com que o efeito seja maior e com que a substância permaneça mais tempo seja em água, em óleo, em medicamento, entre outros”, explicou o pesquisador.
O projeto do amapaense foi premiado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no 14º Prêmio de Destaque do Ano na Iniciação Científica, realizado no dia 18 de julho, na cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais, vencendo mais de 200 concorrentes de universidades em todo o Brasil.
Estudante diz que empresas do Amapá e de Goiás demonstraram interesse em desenvolver o produto (Foto: Jéssica Alves/G1)
“Foi uma grande concorrência e fiquei muito feliz com esse reconhecimento, que me motiva a continuar outras pesquisas nessa área. No projeto, sempre procuramos não utilizar solvente, pois esse produto agride o meio ambiente e pensamos em uma maneira de usar aguá, sendo assim mais barato para a indústria. Queremos que esse produto seja realidade no Brasil, pois é viavel, barato e de fácil execução”, falou Sarquis.
O estudante acrescentou que empresas do Amapá e do estado de Goiás demonstraram interesse em desenvolver o produto. As propostas serão avaliadas pelo orientador e pelo aluno.
“Vamos avaliar e buscar que as industrias possam desenvolver o larvicida em escala industrial, para ajudar a população brasileira a combater esse vetor da dengue, que possa ser usado por ribeirinhos ou na cidade grande, e ajude a sociedade combater o Aedes aegypti”, reforçou.
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