Pronto Atendimento Infantil (PAI), em Macapá, é o único para atendimento de crianças na rede pública (Foto: John Pacheco/G1)
O Ministério Público do Amapá (MP-AP) abriu investigação para apurar a morte de pelo menos quatro crianças em menos de uma semana que estavam no aguardo de leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Pronto Atendimento Infantil (PAI), em Macapá. O local é o único pronto socorro da rede pública.
A busca por leitos na UTI é demorada por causa da superlotação, identificada em vistorias feitas pelo MP-AP no prédio. No caso das crianças que morreram esperando, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) explicou que elas já chegaram em situação grave na unidade de saúde.
Autônomo Éverton Góes perdeu filha de 1 ano e 3 meses (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)
Um dos casos foi a filha de um ano e três meses do autônomo Everton Góes, que contou a situação que passou no PAI, com pacientes internados em cadeiras e esperando por vagas nos corredores do local. A UTI do local conta atualmente com apenas 10 leitos.
"O médico falou que era para ela [filha] ter ido para a UTI e ela não foi. O que aconteceu comigo espero que não aconteça com nenhuma criança", lamentou o pai, emocionado.
Vistorias do MP-AP identificaram crianças internadas em cadeiras nos corredores (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)
Todos os casos estão sendo apurados pela Promotoria da Infância e Juventude do MP-AP, que reforçou já ter entrado com ação civil pública em 2016 cobrando a ampliação do hospital e de leitos na UTI. O PAI está em obras desde 2013 que seguem sem prazo para o término.
"Nós oficiamos tanto à Promotoria de Saúde, quanto o PAI, para informar das questões do atendimento da menor e apurar se houve uma eventual negligência", informou Clarisse Alcântara, promotora de Justiça.
Clarisse Alcântara, promotora de Justiça (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)
Os fatores que levaram aos óbitos na unidade também são alvo de investigação da Secretaria de Saúde, que diz ter criado um anexo do Pronto Atendimento para aumentar a oferta da vagas. A Sesa completa ainda que está em fase de contratação da empresa que vai terminar a obra do local, que pretende dobrar o número de leitos na UTI.
"É bom lembrar que as crianças chegaram lá gravíssimas, uma delas faleceu com menos de uma hora no hospital, outra com menos de 24 horas e outra em torno de 48 horas. Então já chegaram muito graves lá", argumentou Álvaro Pereira, secretário adjunto da Sesa.
Unidade está em obras, que estão sem prazo para entrega (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)
Sem data para a ampliação a procura por leitos segue deixando famílias apreendidas. "Tô esperando um leito pra subir com ele que não tem lá na UTI, e eu tenho medo de perder o meu filho", lamentou a dona de casa Valdinete Barbosa.
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