Vítimas e moradores das imediações da Avenida Lidormira Borges do Nascimento reclamam do trecho. DEER e Prefeitura comentaram o assunto.
O canteiro de obras no cruzamento da Avenida Lidormira Borges do Nascimento com o anel viário sul, em Uberlândia, tem acentuado o risco de acidentes de trânsito na região, especialmente por causa da sinalização precária no trecho. As obras estão paralisadas desde dezembro de 2016.
O levantamento do Corpo de Bombeiros mostra que foram 16 registros no local de 2016 até maio deste ano. Já o balanço da Polícia Militar (PM) apresenta 13 acidentes com vítimas ao longo da avenida no ano passado e oito neste ano. Sem vítimas foram cinco de janeiro a junho deste ano.
G1 mostra sinalização precária e imprudência de motoristas em obras do anel viário sul
A obra é de responsabilidade do Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DEER-MG) que informou que sinaliza o local para orientar os motoristas sobre a restrição de tráfego. No entanto, a retirada da sinalização de segurança é um ato de vandalismo e tem sido constante na via. O Departamento, inclusive, já registrou vários Boletins de Ocorrência na Polícia Militar.
O G1 esteve no local das obras durante a manhã de segunda-feira (3) para constatar a má sinalização e imprudência dos motoristas. Confira o vídeo acima.
A maioria dos veículos que passam pela avenida trafega pelas vias de terra improvisadas nas duas rotatórias. Na primeira, sentido Uberlândia Shopping ao CT Ninho do Periquito, uma placa pequena de desvio está anexada próximo a uma cerca. No entanto, ao fazer a rotatória corretamente os motoristas têm dificuldades em virtude da cratera que se formou no meio da rua.
Um buraco ainda maior foi formado no canteiro de obras no entroncamento, onde termina uma das pistas da avenida. A placa de sinalização estava caída no chão.
Cratera dificulta passagem de motoristas em desvio de rotatória no Gávea Sul (Foto: Caroline Aleixo/G1)
Alguns moradores de um condomínio fechado próximo ao local evitam o buraco ou a volta maior e fazem a conversão de forma irregular. Os pedestres que precisam atravessar do Bairro Gávea Sul ao Shopping Park não contam com faixa de travessia e passam pelo canteiro de obras junto aos carros.
“É um constrangimento e transtorno muito grande para todos nós. Quem quer atravessar para o lado de lá tem que fazer um retorno enorme ou cortar da forma que está, indevidamente. Não tem faixa de pedestres, não tem quebra-molas. Não tem nada”, disse o aposentado Aleudo André, de 67 anos.
Muitos motoristas desrespeitam desvios e passam pelo canteiro de obras (Foto: Caroline Aleixo/G1)
O corretor de seguros Gabriel Luiz Barrueco de Oliveira, de 30 anos, também mora no bairro e contou que muitos motoristas costumam passar em alta velocidade pela avenida. Mas, segundo ele, o principal problema está na sinalização, principalmente durante a noite, quando a visibilidade é ainda menor.
Motoristas caíram em vala
Um acidente grave registrado no último fim de semana deixou cinco amigos feridos quando o carro caiu na vala que se formou no cruzamento. Quem dirigia o veículo era o empresário Alex Bernardes, 28 anos, que sofreu fraturas em quatro costelas e perfuração do pulmão.
“Não tinha placa de desvio e a visão é péssima lá. Eu fui seguindo reto na via e quando vi estava em cima da vala, batendo na terra. Não deu tempo de frear”, contou.
O mesmo aconteceu com a advogada Tainá Borges da Silva, de 29 anos, no último dia 28 de maio. Ela estava dirigindo o carro com mais três amigos dentro, sendo que os passageiros do banco traseiro estavam sem cinto.
Ela sofreu corte profundo na língua e está com a fala comprometida até hoje. As demais vítimas sofreram cortes, lesões na coluna e membros, além de perda óssea.
“Eu não estava correndo e a causa do acidente foi registrada como ausência de sinalização. Não tinha sinalização nenhuma no dia do nosso acidente. Colocamos no GPS para poder ir embora e estávamos dando voltas na região, aí olhamos no mapa e indicava para seguir reto na avenida. Quando eu vi a vala, não dava tempo de frear mais e gritei. Com a batida, mordi a língua com muita força”, relatou a vítima.
A advogada disse que está reunindo documentos para acionar o Poder Judiciário e penalizar os responsáveis pela falta de sinalização.
No mesmo trecho, em setembro de 2016, um homem de 47 anos morreu depois de perder o controle de uma motocicleta.
Por causa de sinalização precária, motoristas caíram em vala e ficaram feridos (Foto: Caroline Aleixo/G1)
Reclamações há mais de ano
Os problemas com a obra surgiram em junho de 2016 quando DER-MG iniciou a construção de uma rotatória no entroncamento, que foi questionada pelo Ministério Público Estadual porque o projeto inicial previa a construção de uma trincheira e não de rotatória.
As obras foram retomadas em novembro após reunião realizada junto à Promotoria. Ficou decidido que a rotatória seria mesmo construída e que um “possível elevado” ficaria mais para o futuro.
Veículos e pedestres passam pelo canteiro de obras na Avenida Lidormira (Foto: Caroline Aleixo/G1)
Em dezembro, as obras pararam novamente por causa da necessidade de desapropriações de áreas que ainda não foram feitas por parte da Prefeitura. Até o momento, cerca de 61% das obras estão concluídos. No contrato, foram investidos aproximadamente R$ 19 milhões e ainda restam cerca de R$ 13 milhões em investimentos.
O DEER-MG reforçou que, nesta segunda-feira (3), foi dada a ordem de reinício dos trabalhos e em cerca de dez dias as equipes já iniciarão as atividades no local. Técnicos vão vistoriar, novamente, o trecho, e caso seja necessário a sinalização de segurança será reposta.
Moradores de condomínio fazem conversão antes do local permitido para o desvio (Foto: Caroline Aleixo/G1)
O órgão estadual informou também que para concluir as obras falta executar a drenagem superficial da pista e a sinalização vertical (placas) e horizontal (pintura das faixas na pista). A questão da desapropriação continua a cargo da Prefeitura.
Em nota ao G1, a Prefeitura de Uberlândia disse que o processo de desapropriação está em andamento, o que não impede que o DEER retome as obras no anel viário sul. O Município informou ainda que já solicitou que o departamento tome providências imediatas para evitar outros acidentes no local e que, na tarde desta terça-feira, a Defesa Civil reforçou a sinalização no local com cones, cavaletes e fita zebrada.
Nesta quarta-feira (4), a vereadora Michele Bretas (PSL) enviou ofício ao DEER também solicitando o reforço da sinalização e retomada dos trabalhos na avenida com o objetivo de evitar novos acidentes.
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