Condenado por abuso foi preso em atual investigação do mesmo crime em Juiz de Fora (Foto: Roberta Oliveira/G1)
Um homem de 54 anos foi preso na manhã desta terça-feira (25) pela equipe da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) em Juiz de Fora, no Bairro Bandeirantes. Ele foi condenado por abusar de uma menina de oito anos em 2006. Atualmente, o mesmo homem é investigado pelo abuso de uma adolescente de 12 anos e da irmã dela, de 6. De acordo com a Polícia Civil, o homem é casado com a tia das mães das vítimas nos dois casos.
A delegada Ione Barbosa explicou que ele foi condenado a sete anos de reclusão e não cabe mais recurso. Como havia suspeita de que ele pretendia fugir, o mandado de prisão foi cumprido nesta terça. O homem deve prestar depoimento nesta tarde sobre o inquérito em andamento. Ele nega os abusos. Em seguida, será encaminhado para o Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp).
Em entrevista coletiva, a delegada explicou os dois casos, disse que é apurada a possibilidade de haver mais vítimas e reforçou a orientação aos pais para estarem atentos ao comportamento dos filhos para identificar casos semelhantes.
Com a prisão do homem, a delegada espera finalizar o "mais rápido possível" o inquérito em andamento para encaminhar à Justiça.
Suspeita de casos recorrentes
A titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher da Polícia Civil, Ione Barbosa, explicou que o inquérito em andamento foi resultado da denúncia da mãe das duas irmãs no início deste mês.
Delegada Ione Barbosa falou sobre o caso durante coletiva (Foto: Roberta Oliveira/G1)
“O que colhemos até agora pelas circunstâncias que nos foram apresentadas são indícios veementes de que ele realmente teria abusado destas menores. Teria usado da inocência delas. Num primeiro momento pegou o telefone da mais velha e iniciou contato via whatsapp sem a mãe saber. A mãe tomou conhecimento porque ela chorava muito, estava tendo uma conduta que não era normal, estava triste, abalada, chorando e a mãe procurou saber", comentou.
De acordo com a ocorrência, a mãe se passou pela filha no aplicativo de mensagens e conseguiu respostas em áudio do homem, o que ajudou a confirmar a suspeita dela do abuso da mais velha. Depois, a caçula também contou que tinha sido vítima.
"Ao pegar o telefone, ela viu as mensagens que tinham teor picante. Ele queria encontrar com a menina e estava de alguma forma tentando se aproximar dela. Diante disso, a mãe conversou com a filha e chegou à conclusão de que ele teria abusado dela. Não só da de 12 anos, mas também da irmã de apenas 6 anos. Ela só falou depois, na Delegacia. A gente usou uma psicóloga e ela acabou falando que tinha sido abusada também", explicou Ione Barbosa.
Durante as apurações, a equipe descobriu a condenação por atentado violento ao pudor - ele abusou duas vezes da mesma criança - e o mandado de prisão em aberto.
“Em meio às investigações, tomamos conhecimento de que já havia um processo penal contra ele com relação a abuso de menor. Seria o abuso de uma menina de oito anos em 2006 e houve sentença, a defesa recorreu e transitou em julgado. Foi arbitrado sete anos de prisão. Existia um mandado de prisão, tomamos conhecimento e cumprimos nesta manhã”, disse.
A delegada lembrou que a mudança da lei qualificando como estupro qualquer tipo de abuso torna a pena do caso em andamento mais rigorosa que a primeira condenação recebida pelo homem.
"Estamos diante de uma autoria que está comprovada. Existe uma sentença que não cabe recurso por sete anos por ato libidinoso. Hoje, estupro de vulnerável é qualquer ato libidinoso, não precisa necessariamente ter a conjunção carnal para se configurar estupro. Na época do primeiro fato, era considerado ato violento ao pudor, a pena era menor, por isso ele pegou sete anos. Hoje este mesmo crime é considerado estupro, se não for reincidente, são 15 anos de reclusão", afirmou a delegada.
Ione Barbosa disse que também está sendo apurada a possibilidade de existir mais vítimas deste mesmo homem.
"Nós temos no mínimo três vítimas da mesma pessoa. Uma devidamente comprovada e outras duas na mesma investigação. Se houver, devem procurar imediatamente a Delegacia, pode nos procurar, temos a equipe da Casa da Mulher, mas temos a nossa equipe de investigadores que estão prontamente aptos a ouvir e tomar as providências cabíveis. A questão da pedofilia tem sido uma fonte de preocupação para a Polícia Civil, por isso queremos tratar este assunto de pedofilia que é extremamente hediondo com a maior energia possível”, disse.
Responsáveis atentos
No caso em andamento, a delegada Ione Barbosa destacou a importância da ação da mãe, que desconfiou do caso e denunciou à Polícia.
“A mãe foi de extrema importância porque foi atenciosa, pegou o celular, viu as mensagens e deu atenção devida à situação, descobriu a tempo. É uma questão psicológica que fica para a criança para o resto da vida. E só não foi pior porque a mãe foi atenta e não deixou acontecer", comentou.
Desta forma, a delegada destacou que os pais devem observar filhos e filhas e monitorar os perfis em redes sociais e em aplicativos de mensagem.
"O que eu aconselho aos pais para que vejam as mensagens, seja de Whatsapp, Facebook, qualquer tipo de rede, de sistema. A questão da pedofilia usando a internet é muito fácil, mais que a gente pensa. Já tivemos outros casos de pedófilos que simplesmente usam a internet, as redes sociais para ter acesso. Estes casos são os que vêm até nós. Hoje internet é um fato, não tem como as crianças não terem acesso. Eu peço que os pais tenham atenção, que sejam diligentes todo o tempo”, orientou.
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