sexta-feira, 28 de julho de 2017

Polícia Civil recebe mais denúncias de abuso contra pedreiro em Juiz de Fora

Irmãos denunciaram que também foram abusados por pedreiro preso nesta semana em Juiz de Fora (Foto: Roberta Oliveira/G1)Irmãos denunciaram que também foram abusados por pedreiro preso nesta semana em Juiz de Fora (Foto: Roberta Oliveira/G1)

Irmãos denunciaram que também foram abusados por pedreiro preso nesta semana em Juiz de Fora (Foto: Roberta Oliveira/G1)

As polícias Militar e Civil de Juiz de Fora receberam denúncias de mais duas vítimas do pedreiro preso por abuso nesta semana e que é investigado por estupro. De acordo com o relato dos pais e das vítimas aos policiais, um casal de irmãos foi abusado entre 2004 e 2006, período em que o homem, que era considerado amigo dos pais, trabalhou na casa da família. Agora são cinco vítimas confirmadas e mais três em investigação.

A delegada Ione Barbosa destacou que quem passou pela situação deve formalizar a denúncia. "Eles procuraram a Delegacia porque viram que ele foi preso e se sentiram seguros para denunciar. Se houverem mais vítimas, queremos que elas nos procurem. Não desanimem acreditando que 'já tem muito tempo e não tem mais jeito'. Tem sim, não houve prescrição. Todos estes casos ajudam a traçar a personalidade dele neste inquérito que está em andamento", afirmou.

O homem de 54 anos foi apresentado em coletiva de imprensa nesta terça-feira (25) pela equipe da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), no Bairro Bandeirantes. Ele foi condenado por abusar de uma menina de oito anos em 2006.

Atualmente, ele é investigado por estupro de uma adolescente de 12 anos e da irmã dela, de seis. De acordo com a Polícia Civil, o homem é casado com a tia das mães das vítimas nesses dois casos.

Em depoimento, ele negou os abusos e está no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp).

No Registro de Evento de Defesa Social (Reds), na Casa da Mulher, a família contou que, como o pedreiro era considerado um amigo, havia sensação de confiança e liberdade para que as crianças frequentassem a casa dele.

A vítima, agora um rapaz, contou que foi abusado sexualmente inúmeras vezes, por mais de dois anos, tanto na casa da família quanto na casa do autor. No depoimento, ele disse que não contou antes por "temer que o autor contasse aos colegas que ele brincava com a irmã de boneca; que iria falar a todos que ele era gay e por temer ser reprimido e corrigido pelos próprios pais".

O rapaz contou ainda que teve uma vida sexual ativa com o autor entre os sete e nove anos e que um dos abusos foi presenciado pela esposa do homem, quando ele abaixou os shorts dele e da vítima e houve conjunção carnal.

Disse que o pedreiro tinha costume de tomar banho com ele e aproveitava para cometer os abusos; mesmo com a esposa dentro da residência. Ele disse que quer providências para evitar que outras crianças passem pelos mesmos abusos que ele e outras crianças sofreram na época.

A menina, agora uma adolescente, relatou que não sabia que o irmão tinha sido vítima, mas presenciou o abuso de outras duas meninas, "onde o autor fazia sexo oral com as gêmeas e pedia a elas que nele também fizesse. Ainda segundo a vítima, com ela, o autor chegou a se masturbar e fazia sexo oral", conforme texto da ocorrência.

A garota contou que achava, na époc,a que seria uma coisa normal, que não tinha conhecimento que a atitude do autor era crime e que pensava que eram gestos de afeto, devido à confiança que seus pais depositavam nele e pela amizade entre as famílias.

De acordo com a ocorrência, a mãe descobriu o abuso do filho quando ele foi atropelado e precisou ficar internado. Segundo ela, não denunciou o autor na época por saber do envolvimento dele com drogas, por achar que o próprio marido poderia tomar uma atitude extrema e por temer represálias do autor e da família contra as crianças.

O pai relatou que queria denunciar quando soube dos abusos há dois anos, mas respeitou a decisão da esposa e dos filhos por medo de represálias.

Os depoimentos dos pais e dos irmãos serão incluídos no inquérito em andamento que apura o estupro das irmãs de 12 e seis anos. A delegada Ione Barbosa destacou que os relatos acrescentam informações sobre o modo como o homem agia e o impacto nas vítimas.

"Na época, seriam atentados violentos ao pudor, que mais recentemente a lei considera como estupro, com o agravante da continuidade delitiva, ou seja, ele cometeu várias vezes com várias vítimas. Ele dava dinheiro e brindes e oprimia as crianças, dizendo que se elas contassem, os pais não acreditariam e elas apanhariam", afirmou.

Dea corod com a delegada, as informações apontam que duas meninas e um menino também foram abusados na mesma época. A Polícia Civil apura o paradeiro das famílias, que não moram mais em Juiz de Fora. Outro ponto em investigação é se os abusos foram encobertos.

"Os novos relatos mostram que isso ocorria há muitos anos na região do Bairro Bandeirantes. Levantamos que havia uma desconfiança, mas as pessoas temiam denunciar porque houve uma época em que o homem usava drogas e era violento. Estamos investigando se pessoas próximas sabiam dos abusos e não denunciaram", afirmou.

A delegada tem 30 dias para concluir o inquérito e encaminhar à Justiça.

Condenado por abuso e investigado por estupros

O homem foi preso por cumprimento de um mandado após condenação a sete anos de reclusão por ato violento ao pudor, por mais de uma vez, contra uma menina de oito anos em 2006. Na terça-feira, a delegada Ione Barbosa explicou que não cabe mais recurso e que a condenação foi por um crime antes da mudança da lei, que está mais rigorosa.

"Hoje, estupro de vulnerável é qualquer ato libidinoso, não precisa necessariamente ter a conjunção carnal para se configurar estupro. Na época do primeiro fato, era considerado ato violento ao pudor, a pena era menor, por isso ele pegou sete anos. Hoje este mesmo crime é considerado estupro, se não for reincidente, são 15 anos de reclusão", afirmou.

O inquérito em andamento que apura o estupro das irmãs foi resultado da denúncia da mãe delas no início deste mês. “O que colhemos até agora são indícios veementes de que ele realmente teria abusado destas menores. Teria usado da inocência delas. Em um primeiro momento pegou o telefone da mais velha e iniciou contato via whatsapp sem a mãe saber. A mãe tomou conhecimento porque ela chorava muito, estava tendo uma conduta que não era normal, estava triste, abalada, chorando e a mãe procurou saber", comentou.

De acordo com a ocorrência, a mãe se passou pela filha no aplicativo de mensagens e conseguiu respostas em áudio do homem, o que ajudou a confirmar a suspeita dela do abuso da mais velha. Depois, a caçula também contou que tinha sido vítima.

"Ao pegar o telefone, ela viu as mensagens que tinham teor picante. Ele queria encontrar com a menina e estava de alguma forma tentando se aproximar dela. Diante disso, a mãe conversou com a filha e chegou à conclusão de que ele teria abusado dela. Não só dá de 12 anos, mas também da irmã. Ela só falou depois, na delegacia. A gente usou uma psicóloga e ela acabou falando que tinha sido abusada também", explicou.

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