
Ex-policial acusado de matar garoto em Fortaleza morre atropelado
“Muita dor. Nós fomos pegos de surpresa, a família inteira está em pedaços”. Assim, Cristina Cavalcante, tia do ex-policial Yuri da Silveira, resume o sentimento da família com a morte do sobrinho, atropelado por um ônibus quando saía de um frigorífico, na avenida Domingos Olímpio, em Fortaleza, no sábado (5). Ele estava com as sacolas de compras quando se desequilibrou e caiu na rua no momento em que um ônibus passava.
O ex-agente ficou conhecido pela morte do jovem Bruce Cristian, no dia 25 de julho de 2010, durante uma abordagem policial no cruzamento da avenida Desembargador Moreira com a rua Padre Valdevino, na Aldeota. A vítima estava na garupa da moto do pai quando foi atingida na cabeça por um tiro disparado pelo então PM.
“O Bruce passou a fazer parte de nossa família, todos os dias nós rezávamos por ele”, relata a tia do ex-policial. Segundo ela, após ocorrido o sobrinho ficou transtornado. “O Yure teve uma vida muito conturbada, isso [a morte de Bruce Cristian] mexeu muito com ele”, afirma.
Após o caso, o policial foi expulso da Polícia Militar do Ceará em novembro de 2010. Ele foi indiciado por homicídio duplamente qualificado (motivo fútil e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima) e lesão corporal contra o pai do adolescente.
Segundo o Ministério Público do Ceará, a morte do adolescente decorreu de ação imprudente e precipitada por parte do ex-policial, que atuava no Ronda do Quarteirão. À época, a defesa sustentou não ter havido conduta dolosa por parte do acusado.
O Estado do Ceará foi condenado a pagar pensão à família do adolescente morto durante a abordagem da PM. A Justiça determinou o pagamento de 2/3 do valor do salário mínimo aos pais da vítima até a data em que Bruce completaria 25 anos de idade. Passado esse período, o valor da indenização será corrigido para 1/3 do salário mínimo, até o dia em que o jovem completaria 65 anos.
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