No Abrigo do Trabalhador, mantido pela Prefeitura de Patrocínio, Advaldo Davi dos Santos, de 47 anos, se recupera dos ferimentos sofridos no último sábado (2) junto com a esposa e a filha recém- nascida. A família é uma das vítimas do acidente com um ônibus que seguia de Arapiraca (AL) até São Paulo (SP) que deixou seis pessoas mortas e dezenas de feridos após tombar no trecho de Serra do Salitre da BR-146.
Além de Advaldo, a esposa, Rosana Maria dos Santos, e a filha com pouco mais de um mês de vida, a casa de apoio municipal abrigava outras 12 pessoas na tarde desta terça-feira (5), segundo a prefeitura, e havia a expectativa de que mais um sobrevivente fosse encaminhado para o prédio ainda nesta quarta-feira (6) após receber alta do hospital.
Seis pessoas morreram em acidente no dia 2 de setembro próximo à Serra do Salitre (Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação )
Solidariedade
Segundo a assistente social Rosângela Consuelo Gomes, na cidade que cuidou do atendimento médico da maioria dos feridos, o abrigo se tornou um ponto de referência para acolher quem não tinha condições de voltar para casa imediatamente. O apoio dos moradores é considerado essencial para que o serviço funcionasse.
“Nós recebemos muitas doações. Chegou em um momento que até recusamos alguns donativos, pois já estávamos com muitas coisas no abrigo. [Aqui] Eles recebem auxílio psicológico, comida, remédios, roupas", conta a assistente social.
Rosângela conta que muitos dos abrigados conseguiram voltar para a casa com a ajuda de familiares, mas essa não é uma possibilidade para todos. Ela acredita que pelo menos quatro famílias vão precisar de dinheiro para irem embora e que a Prefeitura de Patrocínio estuda uma forma de ajudá-las a seguirem viagem. Em nota, a administração informou nesta quarta-feira que tem prestado apoio e acompanhado os sobreviventes que estão na cidade.
Advaldo e a família, por exemplo, ainda sonham em chegar à capital paulista, onde o alagoano de Teotônio Vilela espera conseguir trabalho. “Eu ia trabalhar com reciclagem em São Paulo, por isso eu e minha família estávamos indo para lá,” contou.
Com o acidente, Advaldo teve ferimentos leves pelo corpo e deslocou o ombro. Já a esposa se recupera de cortes sofridos na cabeça e a filha, de fratura em uma das pernas.
“O momento da batida ainda está no meu pensamento, é muito difícil esquecer como foi", relata o alagoano, que, no entanto, se sente grato por estar vivo. "O susto passou. Agora precisamos seguir a vida. Estamos sendo muito bem atendidos aqui [no Abrigo do Trabalhador]. Tem tudo. Desde o momento em que chegamos, eles nunca deixaram faltar nada. Eles estão fazendo muito mais do que precisávamos."
Assistente social falou sobre a solidariedade da população de Patrocínio (Foto: Hospital Santa Casa de Patrocínio/Divulgação)
O acidente
Era madrugada do dia 2 de setembro quando o motorista do ônibus perdeu o controle da direção logo após uma curva na altura do Km 87 da BR-146, próximo à Serra do Salitre, no Alto Paranaíba. O veículo tombou e caiu dentro de uma vala. Segundo a Polícia Civil, a viagem teve início na quarta-feira (30), no município alagoano de Arapiraca, e duraria três dias. Contudo, os passageiros relataram que o veículo quebrou e eles ficaram esperando cerca de 24h no estado da Bahia.
Um inquérito foi aberto para apurar as causas do acidente e a responsabilidade pelo que aconteceu. Com uma das vítimas foi encontrada uma passagem que liga o caso a uma empresa de turismo de Goiás. No entanto, a empresa nega que o veículo integre sua frota ou que faça a mesma linha.
Vítimas relataram que a linha era clandestina, mas usada por muitos passageiros por possibilitar viagens mais baratas. A maioria das vítimas seguia para São Paulo em busca de trabalho. Os relatos ainda apontam que o motorista teria excedido o limite de velocidade na rodovia pouco antes do tombamento.
Segundo a Polícia Civil apurou, o ônibus viajava com excesso de passageiros. Em depoimentos, passageiros contaram que 66 pessoas estavam no interior do veículo, que tinha 46 poltronas. O comando da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) de Patos de Minas informou que havia 45 lugares no veículo e 52 passageiros, incluindo o motorista.
Entre os passageiros, estavam crianças no colo das mães e outras dormindo em colchões, no assoalho do ônibus.
Seis vítimas permanecem internadas
Em Patrocínio, das três mulheres que se encontravam na Santa Casa, duas tiveram alta nesta quarta-feira. A terceira vítima continuava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas seu estado de saúde é considerado estável, segundo informou o hospital.
Em Araxá, dois homens permanecem internados: um homem identificado como sendo o dono do ônibus e um passageiro. Desses, apenas o estado de saúde do passageiro é considerado grave e ele deve ser submetido a uma cirurgia, de acordo com o hospital. A unidade de saúde não deu detalhes sobre o procedimento.
Em Patrocínio, o Hospital Regional Antônio Dias informou que três vítimas do acidente permaneciam internadas nesta quarta-feira. Em dois casos, o estado de saúde é estável. O quadro de saúde do outro paciente é considerado grave.
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