quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Após acidente com ônibus na BR-146, 15 pessoas permanecem em abrigo de Patrocínio

No Abrigo do Trabalhador, mantido pela Prefeitura de Patrocínio, Advaldo Davi dos Santos, de 47 anos, se recupera dos ferimentos sofridos no último sábado (2) junto com a esposa e a filha recém- nascida. A família é uma das vítimas do acidente com um ônibus que seguia de Arapiraca (AL) até São Paulo (SP) que deixou seis pessoas mortas e dezenas de feridos após tombar no trecho de Serra do Salitre da BR-146.

Além de Advaldo, a esposa, Rosana Maria dos Santos, e a filha com pouco mais de um mês de vida, a casa de apoio municipal abrigava outras 12 pessoas na tarde desta terça-feira (5), segundo a prefeitura, e havia a expectativa de que mais um sobrevivente fosse encaminhado para o prédio ainda nesta quarta-feira (6) após receber alta do hospital.

Seis pessoas morreram em acidente no dia 2 de setembro próximo à Serra do Salitre (Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação )Seis pessoas morreram em acidente no dia 2 de setembro próximo à Serra do Salitre (Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação )

Seis pessoas morreram em acidente no dia 2 de setembro próximo à Serra do Salitre (Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação )

Solidariedade

Segundo a assistente social Rosângela Consuelo Gomes, na cidade que cuidou do atendimento médico da maioria dos feridos, o abrigo se tornou um ponto de referência para acolher quem não tinha condições de voltar para casa imediatamente. O apoio dos moradores é considerado essencial para que o serviço funcionasse.

“Nós recebemos muitas doações. Chegou em um momento que até recusamos alguns donativos, pois já estávamos com muitas coisas no abrigo. [Aqui] Eles recebem auxílio psicológico, comida, remédios, roupas", conta a assistente social.

Rosângela conta que muitos dos abrigados conseguiram voltar para a casa com a ajuda de familiares, mas essa não é uma possibilidade para todos. Ela acredita que pelo menos quatro famílias vão precisar de dinheiro para irem embora e que a Prefeitura de Patrocínio estuda uma forma de ajudá-las a seguirem viagem. Em nota, a administração informou nesta quarta-feira que tem prestado apoio e acompanhado os sobreviventes que estão na cidade.

Advaldo e a família, por exemplo, ainda sonham em chegar à capital paulista, onde o alagoano de Teotônio Vilela espera conseguir trabalho. “Eu ia trabalhar com reciclagem em São Paulo, por isso eu e minha família estávamos indo para lá,” contou.

Com o acidente, Advaldo teve ferimentos leves pelo corpo e deslocou o ombro. Já a esposa se recupera de cortes sofridos na cabeça e a filha, de fratura em uma das pernas.

“O momento da batida ainda está no meu pensamento, é muito difícil esquecer como foi", relata o alagoano, que, no entanto, se sente grato por estar vivo. "O susto passou. Agora precisamos seguir a vida. Estamos sendo muito bem atendidos aqui [no Abrigo do Trabalhador]. Tem tudo. Desde o momento em que chegamos, eles nunca deixaram faltar nada. Eles estão fazendo muito mais do que precisávamos."

Assistente social falou sobre a solidariedade da população de Patrocínio (Foto: Hospital Santa Casa de Patrocínio/Divulgação)Assistente social falou sobre a solidariedade da população de Patrocínio (Foto: Hospital Santa Casa de Patrocínio/Divulgação)

Assistente social falou sobre a solidariedade da população de Patrocínio (Foto: Hospital Santa Casa de Patrocínio/Divulgação)

O acidente

Era madrugada do dia 2 de setembro quando o motorista do ônibus perdeu o controle da direção logo após uma curva na altura do Km 87 da BR-146, próximo à Serra do Salitre, no Alto Paranaíba. O veículo tombou e caiu dentro de uma vala. Segundo a Polícia Civil, a viagem teve início na quarta-feira (30), no município alagoano de Arapiraca, e duraria três dias. Contudo, os passageiros relataram que o veículo quebrou e eles ficaram esperando cerca de 24h no estado da Bahia.

Um inquérito foi aberto para apurar as causas do acidente e a responsabilidade pelo que aconteceu. Com uma das vítimas foi encontrada uma passagem que liga o caso a uma empresa de turismo de Goiás. No entanto, a empresa nega que o veículo integre sua frota ou que faça a mesma linha.

Vítimas relataram que a linha era clandestina, mas usada por muitos passageiros por possibilitar viagens mais baratas. A maioria das vítimas seguia para São Paulo em busca de trabalho. Os relatos ainda apontam que o motorista teria excedido o limite de velocidade na rodovia pouco antes do tombamento.

Segundo a Polícia Civil apurou, o ônibus viajava com excesso de passageiros. Em depoimentos, passageiros contaram que 66 pessoas estavam no interior do veículo, que tinha 46 poltronas. O comando da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) de Patos de Minas informou que havia 45 lugares no veículo e 52 passageiros, incluindo o motorista.

Entre os passageiros, estavam crianças no colo das mães e outras dormindo em colchões, no assoalho do ônibus.

Seis vítimas permanecem internadas

Em Patrocínio, das três mulheres que se encontravam na Santa Casa, duas tiveram alta nesta quarta-feira. A terceira vítima continuava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas seu estado de saúde é considerado estável, segundo informou o hospital.

Em Araxá, dois homens permanecem internados: um homem identificado como sendo o dono do ônibus e um passageiro. Desses, apenas o estado de saúde do passageiro é considerado grave e ele deve ser submetido a uma cirurgia, de acordo com o hospital. A unidade de saúde não deu detalhes sobre o procedimento.

Em Patrocínio, o Hospital Regional Antônio Dias informou que três vítimas do acidente permaneciam internadas nesta quarta-feira. Em dois casos, o estado de saúde é estável. O quadro de saúde do outro paciente é considerado grave.

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