Parte das cadeiras para espera no consultório dos médicos foram retiradas para a colocação de macas (Foto: G1)
Após receber denúncias do corpo clínico da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Divinópolis sobre atrasos de salários e falta de insumos básicos para o atendimento aos pacientes, o Conselho Regional de Medicina (CRM) foi até a unidade nesta sexta-feira (29) para apuração. Já o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) vai solicitar informações sobre providências emergenciais a serem tomadas pelo Executivo. O G1 entrou em contato com a Prefeitura e não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
A coordenadora do dia, responsável pela UPA de Divnópolis, a médica Ludmila Cizzigappi Monteiro Barbosa, confirmou ao G1 a visita do CRM à unidade. Segundo ela, após as denúncias, o Conselho foi até o local para averiguar a situação e comprovaram a situação.
“Estamos com os salários atrasados e sem insumos básicos para atendimento aos pacientes, além de estar com a Unidade superlotada. Em vista da urgência, o CRM ficou de fazer um relatório até a próxima semana”, informou a médica.
Este relatório, segundo Ludmila Monteiro, faz parte dos trâmites burocráticos para uma possível paralisação dos médicos. “Já solicitamos ao CRM a autorização para a paralisação. A situação é grave e se os médicos pararem, os pacientes morrem”, alertou.
O G1 entrou em contato com o delegado do CRM de Divinópolis, Jorge Tarabal, para outras informações, mas as ligações não foram atendidas.
O Ministério Público do Minas Gerais também foi notificado através do ofício sobre os problemas enfrentados pelos médicos da UPA. A assessoria do órgão informou que o ofício foi recebido e que solicitará à Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) que informe quais providências emergenciais o município pretende adotar diante do problema.
A reportagem também entrou em contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura, que informou aguardar um posicionamento da Semusa para divulgação.
Denúncias
O diretor Clínico da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Rodolfo Monteiro Barbosa, enviou uma carta ao Conselho Regional de Medicina (CRM), Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e ao secretário Municipal de Saúde, Rogério Barbieri, relatando atrasos no pagamento dos médicos e falta de insumos básicos para atendimento aos pacientes.
No documento, Rodolfo afirma que o pagamento do corpo clínico da Unidade está há mais de 60 dias com os salários atrasados e que o último pagamento, feito de forma parcial, foi em julho. Estes atrasos no pagamento, segundo o diretor, “geram insatisfação e iminência de movimento de paralisação de atendimento destes profissionais”.
Além dos atrasos do pagamento, o diretor clínico ainda denuncia que há 90 dias os médicos estão sem insumos básicos para o atendimento à população, como algodão, tala gessada, materiais de higiene e limpeza, entre outros.
A UPA é administrada pela Santa Casa de Formiga. De acordo com o secretário de Relações Institucionais, Cléber Almeida Vaz, nesta semana a Prefeitura de Divinópolis repassou 50% do valor devido do pagamento de julho, mas que os meses sequentes estão em atraso.
O secretário disse, ainda, que a dívida chega a quase R$ 900 mil e este valor refere-se apenas aos pagamentos dos médicos. Ele afirma que os atrasos por parte da Prefeitura são recorrentes.
Ofício com denúncias foi enviado pelo corpo clínico da UPA (Foto: Reprodução)
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