segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Onda de homicídios no AP em 3 dias tem indícios de execução; PM vai mudar estratégia de atuação

Pelo menos quatro vítimas tinham envolvimento com o crime, de acordo com a PM (Foto: Jorge Abreu/G1)Pelo menos quatro vítimas tinham envolvimento com o crime, de acordo com a PM (Foto: Jorge Abreu/G1)

Pelo menos quatro vítimas tinham envolvimento com o crime, de acordo com a PM (Foto: Jorge Abreu/G1)

Os primeiros dias de setembro foram marcados pela violência no Amapá. Entre a noite de sábado (2) até a manhã desta segunda-feira (4) pelo menos 11 homicídios aconteceram no estado, segundo a Polícia Militar (PM) do Amapá. Destes, sete apresentaram características de execução e quatro vítimas tinham passagem pela polícia, informou a corporação. Ninguém foi preso.

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Rodolfo Pereira enfatizou que em grande parte dos casos a suspeita é de envolvimento com tráfico de drogas ou vingança. Ele reforça que apesar do número de homicídios ser considerado alto, houve uma diminuição em outros tipos de crimes, como assaltos e furtos.

“Pelo menos quatro vítimas tinham envolvimento com o crime, o que dificulta muito o trabalho da PM, pois as mortes são motivadas por vingança ou envolvimento com tráfico de drogas. Embora esse número seja considerado alto, em relação a outras modalidades de crime, como roubos e furtos, conseguimos fazer uma redução em todo o estado”, disse.

O caso mais recente de homicídio ocorreu na manhã desta segunda-feira, quando um homem de 26 anos foi morto a facadas no bairro Parque dos Buritis, na Zona Norte de Macapá. A esposa da vítima, identificada como Luanderson Pablo Paes Marques, foi apontada como suspeita e o crime teria ocorrido na residência do casal. Ela está desaparecida.

“Nos casos de execução a Polícia Militar não tem como prevê e é difícil impedir que os homicídios ocorram. Em todos os casos nós fazemos diligências para buscar os autores, mas não obtivemos resultados. Vamos continuar investigando, junto com a Polícia Civil, para chegar aos autores e efetuar as prisões”, frisou.

O comandante ressalta que ainda não há informações sobre suspeitos e que os casos serão investigados. Ele completa que o policiamento será reforçado também no interior do Amapá. “Estamos mudando a estratégia de policiamento para evitar que essa situação atípica ocorra no estado”, disse.

Coronel Rodolfo Pereira, comandante-geral da Polícia Militar no Amapá (Foto: Jéssica Alves/G1)Coronel Rodolfo Pereira, comandante-geral da Polícia Militar no Amapá (Foto: Jéssica Alves/G1)

Coronel Rodolfo Pereira, comandante-geral da Polícia Militar no Amapá (Foto: Jéssica Alves/G1)

Em outro caso, um jovem de 22 anos foi morto a facadas durante uma reunião de família, no domingo, no bairro Brasil Novo, Zona Norte da capital. De acordo com a PM, Wanderson da Silva Euzébio ingeria bebida alcoólica, quando foi abordado por uma pessoa ainda não identificada, que desferiu os golpes e, em seguida, fugiu. Ele morreu no local. Não foi descoberto o motivo que teria levado a agressão.

Ainda na Zona Norte, um homem foi morto com características de execução. Raimundo Dias de Moura, de 40 anos, foi alvo de disparos de arma de fogo por volta de 0h20 de domingo, na Rua Cícero Marques de Souza, no bairro Novo Horizonte. Segundo o Ciodes, três homens se aproximaram da vítima, sendo que um deles atirou.

Um jovem de 24 anos que já tinha passagem pela polícia por homicídio, foi morto por volta de 12h30 deste último domingo na orla do bairro Perpétuo Socorro, em Macapá. Elivan Lobato de Almeida foi executado com quatro tiros pelo corpo, por outro homem que estava de bicicleta. A polícia suspeita de acerto de contas.

Três homicídios ocorrem na Zona Sul da cidade. Um morador de rua morreu ao levar pancadas na cabeça com uma coroa de bicicleta. O homicídio aconteceu por volta de 3h de domingo, na Avenida 13 de setembro, próximo da Feira do Agricultor, no bairro Buritizal. A vítima identificada como Reginaldo Viana dos Santos, de 45 anos, teria discutido com um desconhecido, momento em que sofreu as agressões.

No bairro Novo Buritizal, Márcio Costa Pimentel, de 36 anos, morreu ao levar cerca de seis tiros, quando caminhava pela Avenida Saúde Pimentel Canto, por volta de 23h30. Dois homens em uma bicicleta teriam se aproximado da vítima e efetuado os disparos. Nesse caso também não foi descoberto o motivo que teria levado ao homicídio. A PM tem pistas sobre o suspeito, mas ele não foi encontrado.

Já no bairro Congós um homem identificado como Carlos Vitor Soares Amorim foi atingido com um tiro na cabeça por volta das 18h30. A motivação do crime ainda é desconhecida pela polícia. Ele foi socorrido e levado para o Hospital de Emergências, mas não resistiu aos ferimentos.

Em Tartarugalzinho, um homem também morreu vítima de disparos de arma de fogo. O município fica a 230 quilômetros da capital. Não foram divulgados mais detalhes sobre a ocorrência.

Em Santana, um jovem de 19 anos, identificado por Carlos Santiago Monteiro, 19 anos, morreu a caminho do hospital da cidade, após ser atingido com uma facada no coração. Ele já havia sido preso por porte ilegal de arma de fogo.

Dois casos de estupros seguidos de morte ocorridos no interior do estado chamaram a atenção da polícia. Por volta das 8h de domingo, o Centro Integrado de Operações de Defesa Social (Ciodes) foi acionado para registrar a morte de uma criança de 7 anos, ocorrida na comunidade de Lago Ajurixi, em Mazagão Velho, a 70 quilômetros de Macapá. O caso aconteceu em um campo de futebol.

Na madrugada desta segunda-feira uma mulher de 27 anos, identificada como Kesia da Silva Souza, foi estuprada e morta a pauladas na frente do filho de 7 anos, na cidade de Cutias do Araguari, a 135 quilômetros de Macapá. A criança contou à PM que um homem com o rosto coberto por uma camisa invadiu a casa e atingiu por duas vezes a cabeça da mãe até ela desmaiar. Em seguida, o criminoso a despiu e cometeu a violência sexual com a vítima inconsciente.

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