quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Com bolsas de estudo em atraso, alunos da UFU relatam dificuldades financeiras

O atraso dos repasses referentes às bolsas de assistência estudantil volta a ocorrer na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Em 2015, o G1 noticiou a reclamação por parte dos estudantes beneficiários e, nesta quarta-feira (4), alunos informaram que estão passando por problemas financeiros uma vez que o benefício de setembro ainda não foi pago.

A estudante de Agronomia, Michele Diener Silva, de 19 anos, estuda no campus Monte Carmelo e depende do benefício de R$ 700 mensais para conseguir pagar as despesas. “Minha comida acabou, o aluguel não consegui pagar, a luz vai cortar e minha família não consegue me manter aqui. Já é um dinheiro contado, não dá pra faltar”, disse.

Estudante mostra que prateleiras superiores da geladeira (que pertencem a ela e outras colegas que dependem do benefício) estão praticamente vazias (Foto: Michele Silva/Arquivo Pessoal)Estudante mostra que prateleiras superiores da geladeira (que pertencem a ela e outras colegas que dependem do benefício) estão praticamente vazias (Foto: Michele Silva/Arquivo Pessoal)

Estudante mostra que prateleiras superiores da geladeira (que pertencem a ela e outras colegas que dependem do benefício) estão praticamente vazias (Foto: Michele Silva/Arquivo Pessoal)

A colega de curso, Camila Isabel Pereira Rezende, de 22 anos, disse que os valores ficam disponíveis entre os dias 20 e 25 de cada mês e está tendo que mudar os hábitos para tentar minimizar os problemas financeiros. Ela também reclamou da falta de esclarecimentos por parte da instituição aos alunos que dependem do benefício.

Layane Carolina de Oliveira Gonçalves também estuda no campus Monte Carmelo e demonstrou revolta porque conhece alunos de outras instituições federais, que recebem as bolsas por meio do Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), e que já receberam o benefício de setembro. Segundo ela, a situação está insustentável com a quantidade de dívidas acumuladas.

“Meu aluguel venceu dia 20 e já estou sem coragem de conversar com a dona da casa e pedir pra esperar mais um pouco. Minha internet, água e luz estão da mesma forma. Se a situação continuar dessa forma, com esses atrasos e sem previsões, vejo que a única saída é trancar o meu curso e procurar emprego. Infelizmente”, desabafou a estudante.

O G1 procurou estudantes de outros campi que também relataram o mesmo problema em redes sociais e ao Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFU). No campus de Ituiutaba, alunos informaram que foram despejados porque não conseguiram dinheiro para pagar o aluguel.

O DCE se manifestou sobre o assunto e disse que vem tentando diálogo junto à Divisão de Assistência Estudantil (Diase) e a Pró-Reitoria (Proae). Uma das coordenadoras gerais do diretório, Letícia Farah, disse que os atrasos ocorrem especialmente nas bolsas moradia e transporte e que representam desrespeito e falta de sensibilidade aos alunos.

“Esses alunos dependem drasticamente dessas bolsas. A UFU deveria arrumar formas de suprir esse atraso enquanto o MEC não libera o pagamento, porque a necessidade básica dos estudantes não é condicionada à disponibilidade do sistema financeiro do governo e essa situação gera um fator de desistência muito alto no meio acadêmico”, avaliou a coordenadora.

Esclarecimentos

Uma nota publicada no site da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil da UFU informa que os repasses do Pnaes, referentes à parcela de setembro, ainda não foram feitos à instituição. O coordenador da Diase, Paulo Sérgio da Silva, explicou ao G1 que o recurso com previsão orçamentária definida ainda em 2016 é pago em parcelas mensais, cuja liberação dos valores ocorre de acordo com a demanda da assistência estudantil em cada universidade.

Ele afirmou que todos os trâmites necessários por parte da Diase já foram feitos e que o levantamento das bolsas do referido mês, bem como a solicitação do recurso, já haviam sido feitos ao Governo Federal dentro do prazo.

De acordo com o diretor, os recursos por meio do Pnaes giram em torno de R$ 11 milhões para 2017, conforme previsão orçamentária, sendo cerca de R$ 1,5 milhão repassados mensalmente para subsidiarem quase 7 mil bolsas estudantes. Os valores são designados para auxílio alimentação, moradia, transporte, entre outros. Apenas de bolsa moradia a demanda varia de 500 entre 700 benefícios para os quatro campi.

“Nossos esforços são diários e o pró-reitor fez contato direto com o MEC e foi informado que o dinheiro seria liberado ainda nesta semana. Eu, particularmente, fico muito sentido porque convivemos com o estudante e a gente sabe da realidade dele. Mas tudo que está ao nosso alcance está sendo cumprido rigorosamente”, disse Paulo Sérgio.

O diretor reiterou, ainda, que o recurso do Pnaes é enviado diretamente à Proae, sendo proibida a alocação de recursos de um setor para o outro. Na atual conjuntura financeira, a instituição financeira também não teria condições de arcar com o valor das bolsas.

No Portal da Transparência da União, constam vários valores de assistência financeira de setembro em fase de “pagamento” e que se referem a repasses do Ministério da Educação (MEC) para a UFU. A reportagem questionou os impasses ao órgão e aguarda respostas por meio da assessoria de comunicação, bem como previsão para solucionar o problema.

Repasses de auxílios financeiros aos estudantes da UFU aparecem em fase deRepasses de auxílios financeiros aos estudantes da UFU aparecem em fase de

Repasses de auxílios financeiros aos estudantes da UFU aparecem em fase de "pagamento" no Portal da Transparência do governo federal (Foto: Reprodução/Portal da Transparência)

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