Prefeitura afirma não ter responsabilidade sobre lixo hospitalar armazenado em terreno desde 2012 (Foto: Reprodução/Tv Integração)
Um problema envolvendo lixo tóxico hospitalar, armazenado em um terreno na região do Distrito Industrial, em Divinópolis, se arrasta desde 2012. Nesta quarta-feira (4), o G1 procurou a Prefeitura para saber como anda o caso. Por meio da assessoria de comunicação, o Executivo informou que não tem qualquer responsabilidade sobre os mais de 300 metros cúbicos de lixo que estão no local. A reportagem também entrou em contato com o Ministério Público para ter detalhes do caso, mas até a publicação desta matéria não obteve retorno.
No dia 24 de julho de 2013 o G1 divulgou que uma denúncia anônima levou uma equipe da Vigilância Sanitária em Divinópolis a visitar um local que funcionava como depósito irregular de lixo hospitalar. Na época, a reportagem informou que o galpão, que fica no Distrito Industrial, havia tido o alvará de funcionamento cassado em março de 2011, mas que até aquele momento mantinha as atividades, ou seja, há dois anos e alguns meses funcionava irregularmente.
A empresa responsável pelo galpão tinha sede em Poços de Caldas. Ela recolhia lixo hospitalar de várias cidades do interior do estado para incinerar em Divinópolis, usando o espaço para armazenar o material. Entretanto, a Prefeitura afirma que nunca licenciou o uso de qualquer imóvel na cidade para este fiim.
Nesta quarta-feira, a Prefeitura também disse que a dona do terreno onde está o lixo se manifestou por meio da advogada Juliana Liduário. Esta contou ao G1 que a cliente alugou o galpão na área em 2012, entretanto, em 2013 já não recebia mais os aluguéis, pois a empresa se desfez e os sócios desapareceram. Desde então, entrou com ordem de despejo e o processo corre em âmbito judicial.
Para a advogada, a responsabilidade de retirar o lixo do terreno, que continua sendo depositado até hoje, é da Prefeitura, já que na época não fiscalizou os constantes depósitos no local. Já a Administração afirma que não tem a menor responsabilidade, pois não autorizou a empresa a depositar o lixo na cidade.
"Essa empresa nunca prestou serviço para Divinópolis e não há nenhum resíduo de Divinópolis depositado no galpão. A autorização da empresa foi concedida em âmbito estadual", disse o assessor de comunicação da Prefeitura, Evandro Araújo.
Ainda conforme o assessor, o Executivo já vem avaliando a situação há alguns anos e já realizou, inclusive, um orçamento para incineração do lixo para ter noção de quanto seria gasto caso fizesse o serviço.
"O valor é de R$ 500 mil. Divinópolis tem uma empresa que faz esse serviço e incinera o lixo das unidades hospitalares em Betim, região Metropolitana da capital. Mas essa empresa nunca recolheu lixo na cidade", destacou.
Para a advogada Juliana Liduário, o Executivo deveria ter fiscalizado a entrada de lixo tóxico de outras cidades em Divinópolis. "Houve uma ação de despejo na ocasião, mas na prática não teve efeito, pois não há como retomar o uso de um local contaminado. Por muitos anos este terreno estará indisponível. Os danos são incalculáveis", concluiu.
Até que haja uma decisão judicial o lixo permanece no local com riscos à população.
Galpão abandonado em terro virou depósito de lixo hospitalar em Divinópolis (Foto: Prefeitura/ Divulgação)
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