sábado, 16 de dezembro de 2017

Em 15 anos, Amapá registrou 3,1 mil mortes violentas

Foram contabilizados 3,1 mil mortes violentas no Amapá de 2001 a 2015 (Foto: Albenir Souza/Rede Amazônica)Foram contabilizados 3,1 mil mortes violentas no Amapá de 2001 a 2015 (Foto: Albenir Souza/Rede Amazônica)

Foram contabilizados 3,1 mil mortes violentas no Amapá de 2001 a 2015 (Foto: Albenir Souza/Rede Amazônica)

O Amapá registrou 3,1 mil mortes violentas no período de 2001 a 2015, de acordo com dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus). As informações foram divulgadas pelo Jornal O Globo, no projeto “A Guerra do Brasil”, e confirmadas pela Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

De acordo com o levantamento, o Brasil teve 786,8 mil mortes violentas nesses 15 anos, número superior ao registrado no mesmo período em 8 países da América do Sul e de países em guerra como o Iraque e a Síria.

O Amapá é o quinto estado em vítimas na Região Norte. Os municípios de Oiapoque, Laranjal do Jari, Porto Grande e Macapá tiveram mais de 40 vítimas em 100 mil habitantes cada um.

A capital registrou o maior número de mortos violentamente no período, 2.185, apesar de ter tido a taxa inferior a dos outros 3 municípios, influenciada pela quantidade de habitantes (cerca de 400 mil pessoas). Macapá teve, em média, 43 vítimas a cada 23 mil em 2015, último ano da pesquisa.

Número de mortes violentas a cada 100 mil habitantes em 2015
Números divulgados pelo jornal 'O Globo'
Fonte: Datasus/Ministério da Saúde

Para o titular da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Justiça (Sejusp), Ericlaúdio Alencar, o índice foi influenciado pelo expressivo crescimento populacional após o Território do Amapá se tornar estado brasileiro, em 1988.

“Nós saímos de uma população 287 mil pessoas do ex-Território para cerca de 800 mil, hoje, como estado. Foi um processo migratório muito intenso. O Amapá atraiu pessoas de toda a federação. Os problemas se avolumaram nesses 30 anos e fizeram com que o crime se organizasse enquanto o estado não se organizou”, destacou.

O secretário avaliou que, durante esse processo, o estado recebeu pouco investimento para a segurança pública. Enquanto isso, a criminalidade aumentou expansivamente sem o controle efetivo devido à falta de recursos federais.

Ericlaudio Alencar, titular da Secretaria de Estado da Segurança e Justiça (Foto: Jorge Abreu/G1)Ericlaudio Alencar, titular da Secretaria de Estado da Segurança e Justiça (Foto: Jorge Abreu/G1)

Ericlaudio Alencar, titular da Secretaria de Estado da Segurança e Justiça (Foto: Jorge Abreu/G1)

Segundo a Sejusp, um esquema preventivo está sendo planejado para diminuir os altos índices de violência através de uma emenda de R$ 900 milhões, destinados à construção de 6 novos quartéis da Polícia Militar (PM) e 3 para o Corpo de Bombeiros.

O trabalho também prevê a reforma de todas as delegacias do estado, compra de 100 viaturas, construção de um píer no porto de Santana para combater os assaltos a embarcações, e lançamentos de concursos para aumentar efetivos, como delegados, PM, agentes da Polícia Civil, médicos legistas e defensores públicos.

“A União não entendia a segurança como pauta nacional. Não havia investimento para a contenção da violência nos estados. A segurança ficou por conta dos governos estaduais. Não há uma política nacional de controle das fronteiras, que é por onde entram drogas e armas”, enfatizou.

PM que mais mata

As forças policiais do Amapá são as que mais matam no Brasil, de acordo com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que reuniu casos de 2015 para 2016. A taxa de mortes em ações policiais no estado foi de 7,5 em 2016. Ou seja, a cada 100 mil habitantes, 7,5 morreram por decorrência de ação da PM. A média nacional é de dois casos para cada 100 mil habitantes.

Em números absolutos, 19 pessoas foram mortas por intervenção policial em 2015. Já em 2016, o número de mortes saltou para 58. Em ações da Polícia Civil, somente um caso foi registrado no mesmo período.

O relatório registrou, ainda, que uma pessoa foi morta em 2015 por um policial militar que estava fora de serviço. Autoridades da Justiça dizem que quase não há punições nesses casos, porque são registrados como confrontos e investigados pela própria polícia.

“Temos uma nova realidade do crime. O bandido hoje é ousado. Ele partiu para o confronto com o aparelho repressivo do estado. Agora a bandidagem não se intimida mais com a polícia. Isso reflete exatamente nessa mentalidade que prefere enfrentar do que se render”, disse Ericlaúdio Alencar.

A Sejusp informou que apura cada caso para verificar se há excesso por parte dos policiais. Segundo o Fórum Brasileiro, as Polícias Militar e Civil mataram 4.224 pessoas no país em 2016, o maior número registrado em 8 anos.

“Nós temos uma Polícia Militar eficiente e dura, e estamos trabalhando entre nós como será feito o controle dessa letalidade. Para nós, que trabalhamos com segurança pública, não interessa a morte em si, trabalhamos para defesa do cidadão como um todo”, finalizou.

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