quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Moradores do Bairro Poço Rico manifestam contra tombamento de imóveis em Juiz de Fora

Moradores do Bairro Poço Rico manifestam contra tombamento de imóveis em Juiz de Fora

Moradores do Bairro Poço Rico manifestam contra tombamento de imóveis em Juiz de Fora

Moradores do Bairro Poço Rico se posicionaram contra o tombamento provisório de cerca de 50 imóveis da região durante uma audiência pública nesta quarta-feira (13), na Câmara Municipal de Juiz de Fora.

Cerca de 140 famílias foram notificadas de um processo que começou em 2015, mas os moradores e proprietários das casas disseram que foram pegos de surpresa com uma publicação no Diário Oficial da Prefeitura em outubro deste ano.

Um petição contra a determinação foi feita no Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural (COMPPAC) da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa) para tentar impedir o tombamento.

Durante a audiência, eles questionaram representantes da Prefeitura sobre a construção de um edifício na mesma região das casas tombadas. A moradora Alice Arcuri disse que o questionamento deve ser feito porque no bairro não existe nenhuma edificação com mais de cinco pavimentos e agora apareceu um prédio de 11.

Outro moradores do bairro, Ricardo Capra e Maria Aparecida Soranço, disseram que a situação corre há dois meses e, até o momento, nenhum diálogo foi feito com os proprietários. "Eu tinha várias expectativas de reforma na casa, para que eu pudesse deixar um patrimônio para meus filhos", disse Soranço.

Entre os imóveis notificados, há cinco casas na Rua Antônio Dias, 14 na Rua da Bahia, uma casa na Rua Pantaleone Arcuri Neto, uma na Rua Pinto de Moura e 29 imóveis na Rua Dr. Vilaça, todas construídas na primeira metade do século 20.

Entre os argumentos apresentados, estão a falta de originalidade das casas e a perda de direitos por parte dos moradores. O projeto para que o Conjunto Paisagístico do Poço Rico se torne um Patrimônio Histórico foi solicitado pela Faculdade de Arquitetura e pelo Centro de Conservação da Memória da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

De acordo com o morador Paulo César Arcuri, o Bairro Poço Rico está em estado de degradação e abandono devido ao aumento da violência no local, o que faz com que muitas pessoas deixem a região.

"O que mais me deixa impressionado é que você tem uma total desassitência do estado com relação ao bairro e agora pedem o tombamento. É bastante incoerente ao meu ver", relatou.

Como a alegação da Prefeitura seria a consevação das casas em homenagem a Pantaleone Arcuri, os moradores sugerem que seja feita uma revitalização da praça que tem um monumento dedicado ao arquiteto e que, hoje, está abandonada.

O diretor do Centro de Conservação e Memória da UFJF, Marcos Olender esteve no plenário e explicou que, em 2015, houve uma conjugação de movimento. Ele informou que a Prefeitura já apresentava preocupação com a área. "Nós manifestamos nossa preocupação favorável à preservação, mas nos primeiros momentos, teria que ser o contato com a comunidade, afinal são eles quem vivem na área", disse.

O superitendente da Funalfa, Rômulo Veiga, informou que o processo de tombamento deve passar por uma avaliação técnica de profissionais especializados. Sobre a construção de um edifício do Poço Rico, Rômulo explicou que, ao pedir o tombamento, é pedido também uma salvaguarda provisória para avaliar se a construção tem valor histórico.

"Eu preciso ter um termo legal que prove que eu avisei o proprietário de que ele esta ciente para análise para possivel tombamento", disse.

Sobre a construção da edificação, o superintendente defendeu que a obra foi autorizada dentro das leis de construção e de uso de solo da cidade.

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