quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Prefeitura de Juiz de Fora adota medidas preventivas da febre amarela após encontrar macaco morto em área de museu

Em coletiva, prefeito e integrantes da Secretaria de Saúde falaram sobre medidas após macaco ser encontrado morto no Museu Mariano Procópio em Juiz de Fora (Foto: Sulamita França/G1)Em coletiva, prefeito e integrantes da Secretaria de Saúde falaram sobre medidas após macaco ser encontrado morto no Museu Mariano Procópio em Juiz de Fora (Foto: Sulamita França/G1)

Em coletiva, prefeito e integrantes da Secretaria de Saúde falaram sobre medidas após macaco ser encontrado morto no Museu Mariano Procópio em Juiz de Fora (Foto: Sulamita França/G1)

O prefeito Bruno Siqueira e integrantes da Secretaria Municipal de Saúde reforçaram a importância das medidas preventivas adotadas em Juiz de Fora após um macaco bugio ser encontrado morto no parque do Museu Mariano Procópio nesta quarta-feira (3). O assunto foi tema de uma entrevista coletiva na Prefeitura na manhã desta quinta-feira (4).

O animal foi enviado para análise na Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte, que investigará a causa da morte. Enquanto não receber o laudo sobre o caso, o Museu ficará interditado. O prazo mínimo de resposta é de 30 dias.

"É um trabalho de precaução. O procedimento a ser adotado é o fechamento do local, fazer o bloqueio na região, como foi feito em 2017 em alguns pontos onde foram encontrados macacos mortos na cidade. Estamos em uma situação muito melhor que o ano passado porque agora aproximadamente 90% do público alvo está vacinado. A população pode ficar tranquila, se tomar as medidas. Quem não vacinou, tem que tomar a vacina que está disponível na cidade", ressaltou o prefeito Bruno Siqueira.

De acordo com a Prefeitura, não houve casos de morte de febre amarela em humanos na cidade. No entanto, 63 primatas tiveram morte notificada em 2017. De 40 deles que foi possível coletar material para o exame que detecta a causa da morte, três, encontrados nos bairros São Pedro e Aeroporto, deram positivo para febre amarela. Não foi possível fazer a coleta dos demais 23 animais, por causa do estado de decomposição. (Confira alguns casos abaixo)

Em nota ao G1, a Secretaria Estadual de Saúde explicou os procedimentos técnicos adotados em caso de morte de macacos e as medidas preventivas implantadas. (Leia a íntegra abaixo)

Prevenção na região do Mariano Procópio

De acordo com o Museu Mariano Procópio, a instituição tem 72.800 metros quadrados de área, incluindo imóveis, parque e bosque. O último levantamento apontou média de 794 visitantes no parque e 150 na Galeria Maria Amália, no prédio Anexo, onde está em cartaz a exposição "O Esplendor das Formas". A assessoria apontou que não há registros de quantos primatas vivem no local, porque os animais costumam circular na região. O macaco encontrado morto estava no parque há pouco tempo e pode ter vindo de uma mata próxima.

Equipes vão aplicar inseticida no Parque e no Bosque do Museu Mariano Procópio; local está interditado até sair o resultado do laudo da causa da morte do macaco bugio (Foto: Roberta Oliveira/ G1)Equipes vão aplicar inseticida no Parque e no Bosque do Museu Mariano Procópio; local está interditado até sair o resultado do laudo da causa da morte do macaco bugio (Foto: Roberta Oliveira/ G1)

Equipes vão aplicar inseticida no Parque e no Bosque do Museu Mariano Procópio; local está interditado até sair o resultado do laudo da causa da morte do macaco bugio (Foto: Roberta Oliveira/ G1)

Por isso, começou na manhã desta quinta-feira a aplicação de inseticida Ultra Baixo Volume (UBV) nas áreas próximas, dentro de um raio de 150 metros. Um posto volante está funcionando no Centro Cultural Dnar Rocha, de 8h às 17h, sem hora de almoço para atender quem mora ou trabalha na região do Mariano Procópio, e ainda não foi imunizado, como explicou o subsecretário de Vigilância em Saúde, Rodrigo Almeida.

"Estamos com cinco equipes volantes na região. Abrimos o raio de um quilômetro a partir do ponto onde encontramos o animal, para fazer a intensificação da vacina e verificação do cartão vacinal. A gente pretende fazer um porta-a-porta, verificando nas residências se todas as pessoas estão vacinadas e as que não estiverem serão imunizadas. Temos duas equipes no condomínio ao lado do Museu para a primeira vacinação. Fizemos contato com o Exército e também faremos um bloqueio na 4ª Brigada. Todos os militares estão vacinados e o Exército é um parceiro na campanha na região", disse.

Neste primeiro momento, estão disponíveis 18 mil vacinas em todas as Unidades Básica de Saúde (UBSs), PAM Marechal, Departamento de Saúde da Criança e do Adolescente e no Departamento de Saúde do Idoso. Se houver necessidade, o Estado poderá enviar mais unidades a Juiz de Fora.

A Prefeitura ressaltou que, de acordo com orientações do Ministério da Saúde, é indicada a aplicação apenas uma vez durante toda a vida, independente do tempo em que o indivíduo recebeu a vacina. Ou seja, quem já foi imunizado, não precisa de nova dose.

De acordo com a Prefeitura, no ano passado, houve ações de combate à febre amarela, que incluíam um dia especial de imunização em março. Em 2017, o município protegeu quase 90% do público-alvo indicado para vacinação: indivíduos de 9 anos a 59 anos. Gestantes e idosos acima de 60 anos precisam de autorização médica. No total, foram aplicadas 453.685 doses na cidade.

"Não é questão de alarme. Quem tomou vacina uma vez na vida já está imunizado. Como a gente já em 90% da população imunizada, estamos muito tranquilos. Temos vacinas para todas as pessoas que faltam", ressaltou a secretária de Saúde, Elizabeth Jucá.

Também foi solicitado que a população mantenha as medidas de combate ao Aedes aegypti. O mosquito é transmissor da febre amarela para os humanos, além da dengue, zika e chikungunya. "A precaução que estamos tomando envolve também os agentes de endemia na região ,que continuam fazendo trabalho de educação e saúde e visitação nas casas para verificação de focos", reiterou Rodrigo Almeida.

Primatas mortos em 2017

Os primeiros registros de epizootias - morte ou doença em macacos - em Juiz de Fora foram em fevereiro do ano passado. Dois macacos foram encontrados mortos na zona rural.

Uma semana depois, mais duas mortes foram notificadas. Um mico foi encontrado em reserva ecológica, em área rural da cidade e o outro mico foi encontrado na área do estacionamento da Catedral Metropolitana, no Centro. O resultado deste animal foi negativo para febre amarela. Ele tinha sinais de atropelamento.

No dia 6 de março, a Prefeitura anunciou que o Estado confirmou como febre amarela a causa da morte de um primata encontrado no Bairro São Pedro em 29 de janeiro.

Em 4 de abril, a Prefeitura anunciou a interdição do Parque da Lajinha, após localizar ali dois macacos mortos. Apesar de apresentarem sinais de trauma e envenenamento, eles foram encaminhados para exames em Belo Horizonte. Por precaução, o parque só foi reaberto para visitação em maio, quando o resultado confirmou que a causa das mortes não era febre amarela.

Em 17 de abril, um macaco morto foi encontrado na Praça Jarbas de Lery Santos, no Bairro São Mateus. Até esta data, a Prefeitura havia confirmado 39 mortes de primatas na cidade.

A secretária de Saúde, Elizabeth Jucá, lembrou que o macaco não transmite a febre amarela. Portanto, as pessoas não devem matar ou maltratar o animal. "Eles são um sinalizador de ações que a gente tem que fazer, manter os macacos vivos é o melhor".

Macaco encontrado morto na Praça Jarbas de Lery Santos, no Bairro São Mateus, em abril de 2017 em Juiz de Fora (Foto: Raquel Teles/Arquivo pessoal)Macaco encontrado morto na Praça Jarbas de Lery Santos, no Bairro São Mateus, em abril de 2017 em Juiz de Fora (Foto: Raquel Teles/Arquivo pessoal)

Macaco encontrado morto na Praça Jarbas de Lery Santos, no Bairro São Mateus, em abril de 2017 em Juiz de Fora (Foto: Raquel Teles/Arquivo pessoal)

Confira a íntegra da nota da Secretaria Estadual de Saúde

"No caso de encontrar um macaco doente e/ou morto, o cidadão deve acionar o setor de Zoonoses do município para que as devidas providências possam ser tomadas a contento. A partir da denúncia, o profissional da Zoonoses acionado verificará se o animal morto apresenta condições de coleta e envio para exames laboratoriais. O procedimento de coleta é específico e deve ser realizado por profissional habilitado para tal. O processo de análise laboratorial de amostras para febre amarela segue o seguinte fluxo na Fundação Ezequiel Dias (Funed):

A solicitação de realização de procedimentos de envio de amosta biológica é cadastrada no Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL) pelo município. A amostra é encaminhada para o Serviço de Gerenciamento de Amostras Biológicas (SGAB) da Funed, com a ficha epidemiológica do agravo (SINAN). O material é conferido para verificação se as amostras estão de acordo com o Manual de Coleta, Acondicionamento, Trasporte de Material Biológico para Exames Laboratoriais.

No caso das amostras de macacos, os municípios que têm condições de realizar a necrópsia, encaminham o material diretamente para a Funed. As cidades que não podem realizar o procedimentos, enviam as vísceras do animal para necrópsia no Centro de Controle de Zoonoses de Belo Horizonte, para posterior encaminhamento para a Funed.

Depois da triagem no sistema, a amostra é encaminhada para o Laboratório de análises e o resultado fica disponível em 10 dias. Logo após, o resultado é inserido no GAL e fica disponível para o profissional e unidade de saúde, paciente e Vigilância Epidemiológica da SES-MG, as únicas partes que têm acesso ao resultado. Se a doença é de notificação compulsória, como é o caso da febre amarela, a Vigilância Epidemiológica da SES-MG é comunicada por e-mail também pela Funed.

Dentre as medidas implementadas pela SES-MG para controle da doença, destacam-se: vacinação, intensificação da vigilância de epizootias de primatas não humanos, pesquisa entomológica e vigilância das síndromes febris icterohemorrágicas. Somado a isso, a SES-MG tem emitido alertas e realizado reuniões para discussão da situação com as regionais de saúde e municípios do estado. Vale também ressaltar que todo o estado de Minas Gerais é área de recomendação de vacina. Assim, recomendamos a vacinação de rotina, conforme o Calendário Básico de Vacinação, avaliando a Caderneta de Vacinação e administrando as doses de acordo com a situação vacinal de cada pessoa. Toda pessoa acima de nove meses de vida que mora ou vai viajar para Minas Gerais deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para se vacinar contra a Febre Amarela. A vacina é gratuita e oferecida por meio do Sistema Único de Saúde (SUS)".

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