sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Artistas contam como usam os espaços de Macapá para diversão e trabalho

Artistas contam como Macapá inspira atividades e trabalho deles

Artistas contam como Macapá inspira atividades e trabalho deles

Desenhar a cidade, encontrar novos caminhos e ouvi-la é o que move diversas pessoas em Macapá. Às vésperas dos 260 anos da capital do Amapá, celebrado no domingo (4), um trio de artistas fala sobre como a cidade os inspira e como as manifestações deles constroem a cidade.

Música e skate

Praças e avenidas da capital viraram letras de algumas músicas da banda Stereovitrola, escritas pelo enfermeiro Ruan Patrick Souza, de 38 anos, que também é skatista. Para ele, cidade, música e skate sempre estiveram ligados.

"Eu escrevo sobre a cidade, sobre os lugares por onde passo, as praças que a gente ocupa. Gosto de juntar o skate, a cultura de rua e espaços, não tem como dissociar. Tenho muita sorte de aglutinar o skate e a música no mesmo foco", explicou Patrick.

Ruan Patrick Souza é enfermeiro, skatista, guitarrista e vocalista da banda Stereovitrola (Foto: Carlos Alberto Jr/G1)Ruan Patrick Souza é enfermeiro, skatista, guitarrista e vocalista da banda Stereovitrola (Foto: Carlos Alberto Jr/G1)

Ruan Patrick Souza é enfermeiro, skatista, guitarrista e vocalista da banda Stereovitrola (Foto: Carlos Alberto Jr/G1)

Sem pistas adequadas, os skatistas estão ocupando espaços públicos. Um dos lugares mais frequentados é a Praça Floriano Peixoto, no Centro da cidade, que é citada em "Brother Arnaldo" uma das canções que narram os "rolês" do Patrick na capital.

"Esfriar o calor de Macapá, sair pisando na água [...] Te ver no final da tarde, na Praça Floriano", dizem trechos da música.

De acordo com o músico, apesar de viver numa cidade da Amazônia, ele se conecta muito mais com o urbano.

"Mesmo nosso estado sendo muito rico em natureza, sempre me apeguei mais ao urbano e a cultura dela. Andar de skate, sentir, ver a cidade de maneira diferente e contribuir com ela, de certa forma, quando falo dela nas canções", comentou.

Arte urbana

A cidade também ganha cores com os grafites, que são manifestações artísticas em espaços públicos. Maqueias Alves, conhecido como "Kash", de 30 anos, faz grafite há uma década e conta que essa é uma cultura muito nova no Amapá.

"Como essa construção cultural é bem nova, não temos muita concorrência. Os conflitos com a polícia nem chegam perto da realidade de outras capitais. O que pesa mais é o preconceito, desde os olhares, até os xingamentos de 'vagabundo' e coisas parecidas", contou.

Kash em seu processo de criação de um grafite (Foto: Miqueias Alves/Arquivo Pessoal)Kash em seu processo de criação de um grafite (Foto: Miqueias Alves/Arquivo Pessoal)

Kash em seu processo de criação de um grafite (Foto: Miqueias Alves/Arquivo Pessoal)

Para Kash, o grafite é uma forma de comunicação visual do artista para a cidade e da cidade para o restante da população. E essa é uma forma que o grafiteiro acredita compor a identidade visual de Macapá.

"Se eu faço um desenho com alguma crítica social, é o recado que quero deixar na cidade e quem passar pelo grafite vai receber esse recado", explicou.

Ele também fala do embate do grafite e a pichação. Segundo Kash, boa parte da população ainda não sabe a diferença e encara tudo como uma coisa só.

"A pichação são assinaturas pessoais ou de gangues - é considerada uma intervenção agressiva e que degrada a paisagem da cidade. O grafite, por sua vez, é considerado arte urbana", descreveu.

Inspira talentos

A música amapaense também respira novos ares e é por meio de um canal de vídeos na internet que jovens artistas estão ganhando holofotes pela cidade. Idealizado por dois estudantes de licenciatura em música, Rosanny Sousa e Tiago Farias, nasceu o "Cupuaçu Sessions".

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Inspirado em divulgar trabalhos de "anônimos" e a falta de espaço para novos cantores no cenário musical, a dupla decidiu realizar o projeto que nasceu em outubro de 2017 e já rendeu bons frutos.

"Nosso canal é novo, mas mesmo com pouco tempo, temos ótimos 'feedbacks', tanto dos artistas, quanto do público", disse Rosanny.

Seis cantores já passaram pelo canal, intercalando músicas autorais e covers, sempre em formato acústico.

"Muitas pessoas aqui acabam conhecendo o trabalho dessas pessoas através do nosso canal. Eles têm orgulho em saber que esses artistas são daqui, que mandam muito bem e na verdade isso é o que motiva a gente", descreveu.

Diante dos retornos do projeto e dos talentos mostrados, a dupla planeja em breve realizar eventos para reunir esses artistas.

"Eles são muito talentosos e agora estão sendo vistos e ouvidos. Nosso próximo passo é realizar eventos com esses artistas", finalizou Rosanny.

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