quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Técnico em enfermagem pedia dinheiro e sexo para garantir cirurgias em hospital público do AP

Funcionário diz que já levou calote de outros pacientes

Funcionário diz que já levou calote de outros pacientes

Um técnico de enfermagem do Hospital de Emergências de Macapá foi preso em flagrante na tarde desta quinta-feira (22). A suspeita é de que ele cobrava dinheiro e sexo em troca de facilitar marcação de cirurgia ortopédica a uma paciente de 24 anos.

Segundo a polícia, o funcionário do HE pediu à ela R$ 1,2 mil pelo agendamento, para garantir o nome na lista. Diante da negação, o enfermeiro insistiu, baixando o valor para R$ 800 e o restante, R$ 400, ela poderia quitar mantendo relação sexual com ele.

O técnico de enfermagem e a vítima não quiseram gravar entrevista.

Profissional pediu que paciente pagasse favorecimento com sexo (Foto: WhatsApp/Reprodução)Profissional pediu que paciente pagasse favorecimento com sexo (Foto: WhatsApp/Reprodução)

Profissional pediu que paciente pagasse favorecimento com sexo (Foto: WhatsApp/Reprodução)

A usuária, que estava internada desde o dia 4 de fevereiro na unidade de saúde, denunciou o caso à direção do HE, que acompanhou a vítima até a 6ª Delegacia da Polícia Civil. Ela apresentou gravações telefônicas e conversas mantidas pelo WhatsApp. De acordo com o delegado Leonardo Brito, o enfermeiro contou com a ajuda de outra técnica de enfermagem.

“A direção do hospital fez a denúncia, informando a participação de dois técnicos que tinham solicitado valores para agendar cirurgia ortopédica. Quando a vítima disse não dispor do dinheiro, o funcionário a levou para uma sala e passou a mão em suas partes íntimas. Ela o afastou e ele falou que se ela pagasse R$ 800 e mantivesse relações sexuais, ele daria o desconto de R$ 400”, descreveu o delegado.

Paciente em conversa com enfermeiro, paciente diz que vai pagar pelo procedimento (Foto: WhatsApp/Reprodução)Paciente em conversa com enfermeiro, paciente diz que vai pagar pelo procedimento (Foto: WhatsApp/Reprodução)

Paciente em conversa com enfermeiro, paciente diz que vai pagar pelo procedimento (Foto: WhatsApp/Reprodução)

De acordo com Brito, os dois funcionários devem responder pelo crime de “concussão”, que é receber vantagem indevida, em razão de função pública, e podem pegar até 8 anos de prisão. O delegado informou que contra o enfermeiro existem várias suspeitas, mas as vítimas não apresentavam provas.

“Existem muitas denúncias contra ele, mas não há provas. Geralmente a abordagem é feita com pessoas humildes, que não querem se comprometer e também ficam com medo porque dependem dessa cirurgia, em situação de fragilidade”, disse.

O diretor do Hospital de Emergências, Waldir Bitencourt, falou da importância do paciente fazer denúncias.

“É importante que a população fique ciente que ela também é responsável por fiscalizar o serviço de saúde, ela tem o poder de denúncia. Toda denúncia que chega é averiguada. Esses servidores não eram responsáveis pela marcação de consulta e essa paciente não teve o nome colocado no mapa cirúrgico. A fila de espera da unidade é monitorada e acompanhada pelo Ministério Público”.

O diretor explica ainda que as denúncias podem ser feitas diretamente na direção do hospital, ou na ouvidoria e órgãos de controle, além da polícia. Disse também que o servidor foi afastado. A outra envolvida é funcionária terceirizada e também não atuará mais no HE.

Enfermeiro do Hospital de Emergências é preso ao oferecer marcação cirúrgica por dinheiro e sexo em Macapá (Foto: Jorge Abreu/G1)Enfermeiro do Hospital de Emergências é preso ao oferecer marcação cirúrgica por dinheiro e sexo em Macapá (Foto: Jorge Abreu/G1)

Enfermeiro do Hospital de Emergências é preso ao oferecer marcação cirúrgica por dinheiro e sexo em Macapá (Foto: Jorge Abreu/G1)

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