
Funcionário diz que já levou calote de outros pacientes
Um técnico de enfermagem do Hospital de Emergências de Macapá foi preso em flagrante na tarde desta quinta-feira (22). A suspeita é de que ele cobrava dinheiro e sexo em troca de facilitar marcação de cirurgia ortopédica a uma paciente de 24 anos.
Segundo a polícia, o funcionário do HE pediu à ela R$ 1,2 mil pelo agendamento, para garantir o nome na lista. Diante da negação, o enfermeiro insistiu, baixando o valor para R$ 800 e o restante, R$ 400, ela poderia quitar mantendo relação sexual com ele.
O técnico de enfermagem e a vítima não quiseram gravar entrevista.
Profissional pediu que paciente pagasse favorecimento com sexo (Foto: WhatsApp/Reprodução)
A usuária, que estava internada desde o dia 4 de fevereiro na unidade de saúde, denunciou o caso à direção do HE, que acompanhou a vítima até a 6ª Delegacia da Polícia Civil. Ela apresentou gravações telefônicas e conversas mantidas pelo WhatsApp. De acordo com o delegado Leonardo Brito, o enfermeiro contou com a ajuda de outra técnica de enfermagem.
“A direção do hospital fez a denúncia, informando a participação de dois técnicos que tinham solicitado valores para agendar cirurgia ortopédica. Quando a vítima disse não dispor do dinheiro, o funcionário a levou para uma sala e passou a mão em suas partes íntimas. Ela o afastou e ele falou que se ela pagasse R$ 800 e mantivesse relações sexuais, ele daria o desconto de R$ 400”, descreveu o delegado.
Paciente em conversa com enfermeiro, paciente diz que vai pagar pelo procedimento (Foto: WhatsApp/Reprodução)
De acordo com Brito, os dois funcionários devem responder pelo crime de “concussão”, que é receber vantagem indevida, em razão de função pública, e podem pegar até 8 anos de prisão. O delegado informou que contra o enfermeiro existem várias suspeitas, mas as vítimas não apresentavam provas.
“Existem muitas denúncias contra ele, mas não há provas. Geralmente a abordagem é feita com pessoas humildes, que não querem se comprometer e também ficam com medo porque dependem dessa cirurgia, em situação de fragilidade”, disse.
O diretor do Hospital de Emergências, Waldir Bitencourt, falou da importância do paciente fazer denúncias.
“É importante que a população fique ciente que ela também é responsável por fiscalizar o serviço de saúde, ela tem o poder de denúncia. Toda denúncia que chega é averiguada. Esses servidores não eram responsáveis pela marcação de consulta e essa paciente não teve o nome colocado no mapa cirúrgico. A fila de espera da unidade é monitorada e acompanhada pelo Ministério Público”.
O diretor explica ainda que as denúncias podem ser feitas diretamente na direção do hospital, ou na ouvidoria e órgãos de controle, além da polícia. Disse também que o servidor foi afastado. A outra envolvida é funcionária terceirizada e também não atuará mais no HE.
Enfermeiro do Hospital de Emergências é preso ao oferecer marcação cirúrgica por dinheiro e sexo em Macapá (Foto: Jorge Abreu/G1)
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