Deputados de Uberlândia e Uberaba teriam recebido contribuições de caixa dois da empreiteira. Vice-governador do estado também está na lista.
Welinton Prado, Elismar Prado e Marcos Montes aparecem em lista de deputados favorecidos (Foto: Câmara dos Deputados/Divulgação)
Cinco políticos do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba estão entre os citados na planilha apresentada pelo ex-executivo da Odebrecht, Benedicto da Silva Junior, ao Ministério Público. Além dos irmãos Weliton e Elismar Prado, de Uberlândia, o ex-deputado João Bittar, o deputado Marcos Montes e o atual vice-governador de Minas Gerais, Antônio Andrade, teriam recebido, juntos, mais de R$ 500 mil em doações ilegais da empreiteira.
O G1 e a produção do MGTV entraram em contato com todos os políticos na manhã deste sábado (15). A assessoria de comunicação de Andrade e os deputados Prado não atenderam as ligações. Já Bittar e Montes disseram que as doações são legais e defenderam as investigações.
A tabela detalha nomes, apelidos e repasses financeiros que teriam sido feitos via caixa dois a 179 políticos brasileiros entre os anos de 2008 e 2014, sem a devida declaração à Justiça Eleitoral.
Com o codinome “jornalista”, o deputado estadual, Elismar Prado (PDT), recebeu, segundo Benedicto, duas parcelas de R$ 50 mil em 2010 para "apresentar emendas e defender projetos de interesse da companhia". No mesmo ano, o deputado federal Weliton Prado (PMB), apelidado de “fragmentada”, aparece na lista com a doação de R$ 100 mil, com o mesmo propósito.
Ainda de acordo com o delator, o ex-deputado federal de Uberlândia, João Bittar, de codinome “Triângulo”, recebeu R$ 50 mil de caixa dois. Apelidado de “Montanha”, o deputado federal de Uberaba, Marcos Montes (PSD), recebeu a mesma quantia, também para ajudar a empresa.
Já o vice-governador do Estado de Minas Gerais, Antônio Andrade, aparece na delação como destinatário de R$ 275 mil para a campanha para deputado federal em 2010. O político é de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, e iniciou a carreira em Vazante, no noroeste do estado.
De acordo com a lista, não houve intermediários para os repasses aos cinco políticos.
Íntegra da nota de João Bittar Júnior
João Bittar Júnior recebeu, na eleição de 2010 em que concorreu para o cargo de Deputado Federal, mais de R$ 350.000,00 em doações eleitorais de seu partido, como autoriza e prevê a legislação eleitoral.
Esses recursos foram captados pela direção do partido.
Todos os recursos recebidos pelo candidato foram declarados à Justiça Eleitoral, e suas contas devidamente prestadas e aprovadas pela Justiça Brasileira, que atestou a regularidade no recebimento e na aplicação dos recursos.
João Bittar reafirma sua confiança no partido e nas instituições brasileiras, e defende que toda denúncia deve ser devidamente investigada, para que se diferencie quem tem e quem não tem responsabilidade por eventuais irregularidades cometidas, bem como se elas realmente ocorreram.
Íntegra da nota de Marcos Montes
Líder da bancada do PSD, o deputado federal Marcos Montes lembra que a citação do seu nome no caso da Odebrecht se restringe à relação de políticos que receberam doações da empresa.
“Não estou incluído em nenhuma lista da Justiça ou do Ministério Público” – ressalta ele, se referindo às listas da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal.
Marcos Montes lembra que, até as eleições de 2016, a legislação brasileira permitia que empresas contribuíssem com campanhas eleitorais, e que ele recebeu apoio de várias empresas. Ressalta que o valor destinado pela Odebrecht é muito menor do que o apoio que recebeu de outras empresas.
Ele lembra que nem todos os relacionados pela Odebrecht estão nas listas da Procuradoria e do STF, justamente porque muitas doações foram recebidas legalmente. Segundo ele, até mesmo entre os nomes que estão citados nas listas de Janot e de Fachin existem diferenças importantes.
“O próprio Ministério Público Federal tem mostrado que existe uma linha divisória entre os acusados da prática de caixa 2 e os acusados de crime de corrupção”, destacou Marcos Montes.
“Por tudo isso, defendo que a Lava Jato tenha uma conclusão rápida e eficiente, de forma que as acusações, as apurações e os resultados sejam esclarecidos para a população. É importante, pois, que os inquéritos pedidos pela Procuradoria-Geral da República e autorizados pelo Supremo Tribunal Federal sejam instaurados com urgência, e que as apurações aconteçam da forma mais transparente possível” – disse ele.
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