'A gente vai doar, mas quem recebe somos nós', diz uma das coordenadoras. Instituições beneficiadas comemoram gesto de atenção com os hóspedes.
Voluntárias do Projeto Florir entregam arranjos que seriam descartados em casas de idosos em Juiz de Fora (Foto: Projeto Florir/Divulgação)
Um gesto simples muda a rotina de casas de idosos em Juiz de Fora. Um grupo de amigas, de forma voluntária, criou o Projeto Florir, que entrega aos hóspedes das instituições os arranjos de flores usados em decoração de eventos e seriam jogados fora.
Há quase dois anos, usando as redes sociais, elas divulgam a ação e conseguem empresas e pessoas que destinam os arranjos que seriam descartados. As coordenadoras estimam que mais de mil idosos já foram presenteados neste período. A iniciativa deixa todos felizes e traz impactos positivos, segundo a direção das instituições beneficiadas ouvidas pelo G1.
A Pousada Vida Feliz, Lucrécia de Almeida foi visitada pelas meninas do Projeto Florir recentemente. Na instituição no Bairro Aeroporto, moram 24 hóspedes, a maioria mulheres, que realizam atividades físicas, oficina da memória, dança e coral, com acompanhamento de equipe multidisciplinar. E, de acordo com a gerente, Lucrécia de Almeida, a visita muda o ambiente.
“Tivemos uma hóspede que se emocionou ao receber a flor. É muito positivo, causa um impacto muito bom, melhora o clima. É uma iniciativa tão simples, de trazer flores, eles ficam felizes”, disse a gerente.
Outra instituição visitada foi a Fundação João de Freitas que, aos 83 anos de funcionamento no Bairro São Mateus, tem 53 idosos, de 60 a 103 anos. A diretora, Ana Maria Riberto, destacou a importância do presente para os hóspedes.
“Faz muita diferença. Eles se sentem reconhecidos com este carinho, esta atenção. É maravilhoso. É uma alegria. Uma florzinha renova a energia e traz vida nova pela eles, que algumas ainda querem guardar a lembrança mesmo depois que murcha”, destacou.
Quem participou, recomenda a experiência. É o caso da empresária de decoração de eventos, Silvana Feluti, que conheceu a ideia do projeto quando organizou o casamento de uma das coordenadoras. Um tempo depois, ao saber que o Projeto Florir estava em prática, ela encontrou uma oportunidade de dar destino diferente aos arranjos.
“Sábado à tarde, geralmente sobra flor e a gente disponibiliza para doação. Eu acho uma iniciativa legal quem trabalha com isso porque tem flores que ainda estão bonitas e seriam jogadas fora”, explicou.
Ela comemora os resultados do Projeto Florir. “É uma coisa que pode dar uma satisfação aos idosos, uma coisa boa que a gente pode ajudar. Acho uma iniciativa legal, gostaria até de participar mais”, afirmou.
Projeto Florir divulga ações em redes sociais para incentivar mais pessoas a doarem flores e arranjos (Foto: Projeto Florir/Divulgação)
‘Flores que alegram e fazem sorrir’
Por trás do Projeto Florir estão as amigas Danielle Gerheim, Dayse Moraes, Márcia Mendonça, Maria Fernanda Quirino, Joice Castilho e Polliana Martins. Elas se inspiraram no Instituto Flor Gentil, de São Paulo. Desde a primeira entrega em julho de 2015, as garotas afirmam que a prática do lema - “Flores que alegram e fazem sorrir” - vale muito a pena.
“Acho que a motivação é diferente para cada um que participa e algo muito particular, mas creio que o nos encanta é ver como um gesto tão simples, de entregar uma flor que seria descartada, deixa os idosos tão felizes. Recebemos sorrisos e muitas palavras de carinho como: ‘Que Deus abençoe você e sua família’, ‘É uma flor entregando outra flor’... Sabemos que muitos idosos não recebem visitas e aquele pequeno gesto pode transformar o dia deles", explicou ao G1 Joice Castilho, uma das coordenadoras do Projeto Florir.
Junto com a flor, carinho e atenção completam o pacote das visitas. Joice Castilho destacou que isso amplia a experiência para as voluntárias.
"Além das flores, ouvimos suas histórias, pegamos em suas mãos, perguntamos seus nomes, fazemos questão de dar um pouco de atenção também. No final sempre chegamos à mesma conclusão: a gente vai doar, mas quem recebe somos nós”, disse.
Nestes quase dois anos, foram 40 entregas de flores para 16 instituições, sendo que voltaram em algumas mais de uma vez, com a equipe precisando articular horários e demandas pessoais para realizar o trabalho. “O projeto é conduzido mesmo por apenas seis pessoas. Temos a ajuda esporádica dos cerca de 40 voluntários cadastrados, reunidos em um grupo em um aplicativo, mas em geral a participação deles é pouca. As pessoas se interessam pelo projeto, querem contribuir, mas não entendem muito que trabalho voluntário a gente ‘arruma tempo para fazer’ e não apenas faz quando ‘sobra tempo’”.
Da esquerda para direita, Márcia, Danielle, Polliana, Joice, Dayse e Maria Fernanda criaram e são voluntárias no Projeto Florir (Foto: Projeto Florir/Divulgação)
As redes sociais são o instrumento para organizar e divulgar o projeto. As pessoas interessadas em saber mais sobre o projeto podem entrar em contato pelo Facebook e pelo Instagram . Quem quiser doar, deve entrar em contato pelo e-mail (projetoflorirjf@gmail.com.br). Para Joice Castilho, todo o tempo dedicado compensa nas entregas.
“O retorno é sempre muito positivo. Quem doa as flores fica sempre muito satisfeito em poder contribuir e, mesmo não participando da ação diretamente, as pessoas que doam podem ter uma ideia de como foi a entrega das flores através das fotos que postamos. As instituições nos recebem muito bem. As cuidadoras ajudam os idosos mais debilitados a interagirem conosco, contam suas histórias, seus nomes, e tornam o contato mais fácil. Sempre que podemos, entregamos flores para a equipe que trabalha no local também”, disse.
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