Dinheiro será usado para fazer o translado do corpo de Paris para Macapá. Em corrida contra o tempo, família precisa arrecadar R$ 16 mil.
Família de Izadora Nazário, de 11 anos, pede ajuda em Macapá para trazer corpo da França (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)
Familiares da pequena Izadora Nazário, de 11 anos, que morreu em março na França, ocupam as esquinas de semáforos em Macapá pedindo ajuda a desconhecidos para arrecadar em torno de R$ 16 mil. O valor vai custear o translado do corpo da menina do território francês para o brasileiro. Caso contrário, Izadora será enterrada como indigente em Paris.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que o consulado brasileiro em Paris está em contato com a família e autoridades hospitalares para dar toda a assistência “que for possível com relação às exéquias e repatriação do corpo”. O Itamaraty reforçou que, de acordo com a lei do país, não há custeio de translado de corpos de brasileiros mortos no exterior.
“Infelizmente, o retorno que a gente tem é mais da população, que tem nos procurado para fazer doação. Só que ainda estava longe de chegar nos R$ 16 mil, então resolvemos vir pedir no semáforo. Ontem tivemos um retorno muito grande e o montante duplicou rápido”, falou o tio de Izadora, Rômulo Nazário, de 31 anos.
De acordo com ele, os familiares conseguiram R$ 7 mil na segunda-feira (10) para ajudar no translado. A intenção é que até o fim da semana o objetivo seja alcançado.
A família luta contra o tempo para trazer o corpo da menina de Paris para o Amapá. Izadora morreu no dia 31 de março, após complicações do lúpus, uma doença autoimune que atinge a pele, órgãos e o sistema nervoso. Ela foi levada ilegalmente para a França em busca de tratamento médico.
Izadora Nazário, de 11 anos, morreu no dia 31 de março, em Paris, por complicações no tratamento de lúpus (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)
Segundo a família, Izadora apresentava sintomas da doença desde os 4 anos. Sem poder conseguir o diagnóstico em Tartarugalzinho, município onde ela morava, a 230 quilômetros de Macapá, e nem na capital, a família optou em levá-la para fora do estado, através do Programa de Tratamento Fora do Domicílio (TFD). Como houve problemas com passagens de ida, a família decidiu ir em busca de diagnóstico e tratamento fora do país.
O tio de Izadora contou que, em janeiro, a menina foi com o pai de ônibus até Oiapoque, distante 590 quilômetros de Macapá. De lá, Izadora atravessou para o território francês para ficar com um tio que mora na Guiana Francesa, território que faz fronteira com o Brasil.
Sem conseguir atendimento por não ser cidadã francesa, o tio então teria mentido e dito ser o pai de Izadora. Ele teria apresentado a certidão de nascimento da filha legítima que tem mais ou menos a mesma idade de Izadora.
A amapaense foi levada em fevereiro para Paris, após complicações no tratamento, enfrentou paradas cardíacas e um Acidente Vascular Cerebral (AVC), e morreu. Para justificar o retorno do corpo para o Brasil, o tio revelou ao governo francês que havia mentido sobre a paternidade da menina. Ele chegou a ser preso por falsidade ideológica, mas foi liberado dias depois.
O corpo está atualmente em um hospital da capital francesa, e para que a menina não seja enterrada como indigente, a família em Macapá precisa desembolsar cerca de R$ 16 mil o mais rápido possível. O valor é referente ao traslado do corpo até a cidade de Belém, no Pará. O translado de Belém até Macapá, segundo a família, será custeado por um amigo.
O consulado brasileiro em Paris teria informado à família que conseguiu um prazo ainda indefinido do governo francês para garantir que o corpo retorne ao Brasil.
Familiares e amigos pedem ajuda em semáforo de Macapá (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)
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