terça-feira, 18 de abril de 2017

Greve na Guiana, ponte binacional e BR-156: comércio na fronteira do Amapá tem prejuízo de 60% em 2017

Oiapoque, na divisa com a Guiana Francesa, sente reflexos da pouca oferta do euro e do acesso limitado por via terrestre. Associação comercial defende parcerias para reaquecer economia.

Comércio de Oiapoque tem sentido baixa nas vendas (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)Comércio de Oiapoque tem sentido baixa nas vendas (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)

Comércio de Oiapoque tem sentido baixa nas vendas (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)

Com a quarta economia do Amapá, no extremo Norte do estado e do Brasil, o município de Oiapoque tem acumulado desde o início do ano perdas que chegam a 60% no faturamento do comércio e serviços. O cálculo é da Associação Comercial e Cultural de Oiapoque (Acio), que busca iniciativas e parcerias para driblar a crise.

Além da baixa financeira que acontece no país, a situação ficou ainda pior na cidade por causa da greve geral que acontece na Guiana Francesa, desde o início de março. O movimento que fechou bancos, serviços e estradas no país vizinho reduziu o comércio do euro na fronteira com o Brasil, entre Oiapoque e a cidade guianense de Saint-Georges.

Ponte binacional foi aberta em 18 de março (Foto: Divulgação/Préfecture de la Guyane)Ponte binacional foi aberta em 18 de março (Foto: Divulgação/Préfecture de la Guyane)

Ponte binacional foi aberta em 18 de março (Foto: Divulgação/Préfecture de la Guyane)

Somente no setor de alimentação e vendas, os comerciantes deixaram de ganhar cerca de R$ 3 milhões, segundo Isaac Silva, presidente da Acio. Ele aponta também que a abertura da Ponte Binacional Franco-Brasileira, em 18 de março, limitou o tráfego de veículos nas duas cidades ao invés de facilitar a travessia.

"O setor de restaurantes reclama, pois a ponte tem uma abertura pré-definida. Fechando ao meio-dia e abrindo às 13h ou 14h, isso dificulta, pois o motorista que pensa em comer aqui tem que passar bem cedo. No horário oportuno para os restaurantes, ela [a ponte] está fechada. E ainda tem os fins de semana quando também não pode passar", lamentou.

Protesto na Guiana é liderado por grupo conhecido comoProtesto na Guiana é liderado por grupo conhecido como

Protesto na Guiana é liderado por grupo conhecido como "500 irmãos" (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)

Mesmo com a abertura da ponte somente para veículos de passeio, a travessia por meio de balsas e embarcações pelo rio Oiapoque foi suspensa, reduzindo a arrecadação da categoria, além de limitar a passagem entre as duas cidades em horários pré-definidos.

"Foram surpresas que abalaram tanto o comércio da Guiana Francesa, quanto o nosso. A moeda cambial mais forte é a deles [euro], a nossa é a única fronteira com câmbio invertido, onde a moeda deles vale mais que a nossa", argumentou o presidente da associação, que também é diretor da Assuntos Internacionais da prefeitura de Oiapoque.

Atoleiros na BR-156, no acesso a Oiapoque, retardam viagens (Foto: Isan Oliveira/Arquivo Pessoal)Atoleiros na BR-156, no acesso a Oiapoque, retardam viagens (Foto: Isan Oliveira/Arquivo Pessoal)

Atoleiros na BR-156, no acesso a Oiapoque, retardam viagens (Foto: Isan Oliveira/Arquivo Pessoal)

O outro potencial econômico de Oiapoque que segue afetado é o turismo, que registrou baixa tanto de visitantes estrangeiros quanto de amapaense. O único acesso a Oiapoque com o restante do estado é feito pela BR-156, que, antes de chegar a cidade tem um trecho de 100 quilômetros ainda sem asfalto.

A lama provocada pelas fortes chuvas formam atoleiros que retardam as viagens em até dois dias para um trecho de 590 quilômetros entre Oiapoque e a capital Macapá.

Proposta de investimentos

A curto prazo, Isaac Silva defende o fim da greve geral na Guiana Francesa, que poderá voltar a aquecer a procura em Oiapoque. A manifestação civil é organizada por um grupo intitulado "500 irmãos", que revindica melhorias urgentes nas áreas de saúde, segurança pública e educação por parte do governo central da França, na Europa.

Os atos que acontecem por toda a Guiana, principalmente na capital Caiena e em Kourou, cobram maior investimento do governo francês na Guiana, que é denominada território ultramarino francês, o único na América do Sul sob domínio europeu.

Com o fim das manifestações, o presidente da associação vai propor um acordo de comércio em Caiena, para voltar a movimentar as vendas entre os dois países. Silva também pede agilidade na definição de acordos binacionais para o transporte de carga e mercadorias a partir da ponte.

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