segunda-feira, 24 de abril de 2017

Hemodiálise pode parar por falta de repasse e pacientes vão ao MP em RO

Segundo a clínica, não há pagamento para cerca de 50 pacientes desde dezembro, em Ji-Paraná (RO). Semusa afirma que problema deve ser solucionado ainda esta semana.

Ministério Público de Rondônia em Ji-Paraná (Foto: Pâmela Fernandes/G1)Ministério Público de Rondônia em Ji-Paraná (Foto: Pâmela Fernandes/G1)

Ministério Público de Rondônia em Ji-Paraná (Foto: Pâmela Fernandes/G1)

Pacientes que precisam fazer hemodiálise em Ji-Paraná (RO), a cerca de 370 quilômetros de Porto Velho, descobriram que podem ficar sem atendimento a partir da próxima quarta-feira (26). Com isso, junto com familiares, foram ao Ministério Público de Rondônia (MP-RO) na manhã desta segunda-feira (24).

Segundo familiares, a clínica responsável informou que o atendimento seria cancelado por não haver repasse o suficiente do Estado. Segundo o secretário municipal de saúde, Renato Fuverk, o problema deve ser solucionado em poucos dias.

Vanderleia Portugal, que acompanha a sogra há quase um ano nas sessões, conta que a notícia a assustou, assim como toda a família. “Minha sogra faz hemodiálise três vezes na semana. Além do problema nos rins, ela também tem problema no coração. É uma questão de vida!”, diz.

Ainda conforme Vanderleia, foi entregue à família um termo de transferência em que a própria família se responsabiliza pela vida dos pacientes. “Eu me recusei a assinar e todos os filhos dela também. Não há vagas para hemodiálise em todo estado, como vamos transferi-la? Como que eu e minha família vamos assumir esta responsabilidade se isso não cabe a nós? Não temos como dar o tratamento que ela precisa”, lamenta.

Com parte dos rins atrofiados, Glawcy Betzel dos Santos tem 52 anos e faz hemodiálise duas vezes por semana há quatro meses. Ela conta que ficou assustada com a notícia. Segundo a paciente, sair para buscar esse atendimento em outra cidade sairá muito caro e ela não tem tais condições. “É algo que necessitamos, é um direito. Sair daqui para outra cidade para receber este atendimento é completamente inviável”, explica.

O técnico da clínica responsável pelo atendimento em Ji-Paraná, Fernando Cereta, afirma que desde dezembro não há pagamento para o atendimento de 50 pacientes atendidos e que não há condições de continuarem a atender, pois para cada paciente é um custo de cerca de R$ 2 mil mensal.

Por telefone, a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) informou ao G1 que a hemodiálise é de responsabilidade do município. Também por telefone, o secretário municipal de saúde de Ji-Paraná, Renato Fuverk, afirmou que este atendimento é de responsabilidade do município, estado e união o atendimento.

Segundo Fuverk, o município conseguiu um teto que é suficiente para atender os pacientes de Ji-Paraná, mas há pessoas de outros municípios que são atendimentos no local. “Nós temos teto suficiente para atender os 94 pacientes de Ji-Paraná e mais 40 pacientes de outras cidades. Entretanto, atendemos 86 de outros municípios”, explica.

De acordo com o secretário, há esforços em todas as esferas para que o problema seja solucionado e não prejudique nenhum dos pacientes que precisam. “Este é um problema que não há como demorar em solucionar, estamos falando de saúde. Acredito que em dois ou três dias já teremos a solução. O governador já sabe da situação, deputados também já trabalham para que este teto seja aumentado e consiga atender a todos”, afirma o secretário. Os representantes do MP estavam em reunião e não puderam atender nossa equipe.

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