terça-feira, 18 de abril de 2017

Mãe de jovem procura Polícia Civil com medo de filho estar envolvido com jogo Baleia Azul

Segundo ela, o já filho se automutilou. Rapaz prestará depoimento para que a polícia possa identificar possíveis crimes e envolvidos; delegado falou ao G1 sobre o assunto.

Delegacia de Polícia Civil de Leopoldina está atenta a possíveis crimes que possam envolver jogo Baleia Azul (Foto: Reprodução/TV Integração)Delegacia de Polícia Civil de Leopoldina está atenta a possíveis crimes que possam envolver jogo Baleia Azul (Foto: Reprodução/TV Integração)

Delegacia de Polícia Civil de Leopoldina está atenta a possíveis crimes que possam envolver jogo Baleia Azul (Foto: Reprodução/TV Integração)

A mãe de um jovem de 18 anos procurou a Polícia Civil em Leopoldina para registrar uma ocorrência e pedir ajuda. Segundo ela, o filho se automutilou ao participar do jogo Baleia Azul. Ao G1, o delegado André Lima disse que o rapaz será ouvido e que, caso seja configurado algum tipo de crime, a polícia dará andamento às investigações.

Segundo Lima, a rapaz será intimado a prestar depoimento para explicar os tipos de situações que ocorreram e que o levaram a tomar tais atitudes. “Nós vamos apurar que ações ocorreram e se ele foi induzido ou ameaçado a fazer parte do jogo para que possamos averiguar em que tipo de crime os possíveis suspeitos poderão ser enquadrados”, explicou.

Lima também comentou com a reportagem que já existem pessoas suspeitas de recrutarem outras para participarem do Baleia Azul. “Já temos alguns indícios de gente convocando jovens para participarem deste jogo, mas a partir de novas revelações poderemos avançar nas investigações”, acrescentou.

Ainda segundo o delegado, uma das maiores dificuldades nestes casos é a colaboração das vítimas. “As pessoas que participam de um jogo como este na maioria das vezes sofrem ameaças e, por isso, acabam não revelando dados importantes para as investigações por medo de que algo aconteça com eles ou seus familiares”, completou.

No estado, a polícia investiga o suicídio de um jovem de 19 anos em Pará de Minas, no dia 12 de abril. A principal suspeita é de que tenha relação com o jogo Baleia Azul. Segundo a mãe dele, o filho chegou a ser ameaçado quando tentou sair do grupo. O caso segue em apuração.

Jogo, preocupação e alcance

No jogo, que é disputado pelas redes sociais, um grupo de organizadores, chamados "curadores", propõe 50 desafios macabros aos adolescentes, e um deles é que o participante se corte. Outros estão relacionados a fotos assistindo a filmes de terror e ficar doente. A última missão é cometer suicídio.

O jogo ganhou visibilidade e vem se alastrando pelo mundo. Em alguns países, como Inglaterra, França e Romênia, as escolas têm feito alertas às famílias, depois que adolescentes apareceram com cortes nos braços, queimaduras e outros sinais de mutilação. As informações são do blog de Andrea Ramal no G1.

O fenômeno começou na Rússia, mas está se espalhando – inclusive no Brasil, como sugerem o caso da jovem de 16 anos morta no Mato Grosso e uma investigação policial em andamento na Paraíba. Na Rússia, em 2015, uma jovem de 15 anos se jogou do alto de um edifício; dias depois, uma adolescente de 14 anos se atirou na frente de um trem. Depois de investigar a causa destes e outros suicídios cometidos por jovens, a polícia ligou os fatos a um grupo que participava de um desafio com 50 missões, sendo a última delas acabar com a própria vida.

A preocupação aumentou ano passado, quando fontes diversas chegaram a divulgar, sem confirmação, 130 suicídios supostamente vinculados a comunidades online identificadas como “grupos da morte”.

Jogos com apelos de riscos letais têm virado moda entre os adolescentes. Um exemplo é o jogo da asfixia, que gerou vítimas no Brasil. Outro é o “desafio do sal e gelo”, no qual, para serem aceitos no grupo, os adolescentes devem queimar a pele e compartilhar as imagens nas redes sociais. Embora exista há anos, o desafio voltou com força recentemente. Sem falar no “Jogo da Fada”, que incita crianças o gás do fogão de madrugada, enquanto os pais dormem.

As recomendações para as famílias são: monitorar o uso da internet, frequentar as redes sociais dos filhos, observar comportamentos estranhos e, sobretudo, conversar e conscientizar os adolescentes a respeito das consequências de práticas que nada têm de brincadeira. Atenção redobrada com os jovens que apresentem tendência a depressão, pois eles costumam ser especialmente atraídos por jogos como o da Baleia Azul. Também as escolas devem colocar o assunto em pauta e incorporar no currículo, cada vez mais, a educação para a valorização da vida, o respeito pela vida dos outros e o uso consciente das mídias e tecnologias.

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