Klyvia Martel, de 6 anos, retornou para Macapá e reencontrou a família no aeroporto na tarde desta sexta-feira (14). Pai da criança foi achado morto depois de fugir com ela em dezembro de 2016.
Klyvia Martel foi recebida pela mãe, tios e primos no aeroporto de Macapá nesta sexta-feira (14) (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)
A menina de 6 anos que teria sido levada sem autorização pelo pai de 44 anos para Roraima retornou ao Amapá na tarde desta sexta-feira (14). O reencontro de Klyvia Samay Martel com a família aconteceu no aeroporto de Macapá, sob muita emoção da mãe, tios e primos.
“Eu estou muito feliz. Sou grata primeiramente a Deus, a todas as pessoas de Roraima que me ajudaram, à Defensoria Pública, ao Conselho Tutelar e agora estou muito feliz, com a minha filha, compartilhando essa alegria que eu nem consigo expressar”, disse a mãe da menina, a dona de casa Auleliane da Silva, de 26 anos.
Em Macapá, de acordo com o Conselho Tutelar da Zona Sul, Klyvia terá acompanhamento psicológico. A família havia entrado com um processo com ajuda da Defensoria Pública para reaver a menina. Os próprios familiares fizeram uma coleta para custear a passagem de avião que traria a criança para Macapá, segundo o Conselho Tutelar.
Simeão Martel, pai de Klyvia, foi encontrado morto em março; ele teria levado a filha para RR sem autorização da ex-esposa (Foto: Família Martel/Arquivo Pessoal)
O pai da criança, Simeão Alves Martel, de 44 anos, foi encontrado morto no dia 22 de março, por suspeita de infarto, às margens da BR-401 no município de Cantá, em Roraima. Ele teria sumido com Klyvia Samay Martel em dezembro de 2016 após pegá-la com a desculpa de que a levaria para comprar roupas.
Desde então, a mãe da menina não viu mais a filha. Ao saber da morte, ela se desesperou por não saber mais a real localização da filha. Durante as buscas, ela teria descoberto que a filha vivia com a companheira do ex-marido na capital, Boa Vista.
Os pais da menina haviam firmado um acordo judicial de guarda compartilhada, de a cada 15 dias ela ficar sob responsabilidade do pai ou da mãe. Segundo Auleliane, Simeão era um bom pai para Klyvia, apesar de tê-la levado para outro estado sem consentimento dela.
“Toda vez que ele levava ela, ele a trazia de volta. Mas dessa vez, não. Não sei se ele temia alguma coisa. Ele era muito apegado a ela. Essa chegada não está sendo mais feliz porque uma pessoa especial se foi, que era o pai dela. Apesar dos defeitos, ele era um bom pai, presente, que fazia de tudo pela filha. Ele amava muito ela. Fiquei triste, sim, no momento que ele levou ela sem a minha autorização”, comentou Auleliane.
Menina foi recebida sob forte emoção da família em Macapá (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)
Localização da menina
Ao conseguir falar com a madrasta por telefone em março, Auleliane teria sido informada de que a criança estava desaparecida, mas ela foi encontrada com a própria madrasta no dia 24 de março, informou o defensor público Gilson Soares, que atende o caso.
Após ser encontrada pela polícia, a madrasta da criança, Jessica Rechel, negou a versão da mãe de que teria pedido para ela ir buscar a menina porque sofria violência do pai, e disse em entrevista à Rede Amazônica em Roraima que a mulher não tinha condições de cuidar da criança.
“Ela nunca quis saber da menina, largou a menina. Eu que cuido dela. Pode ver, ela me chama de ‘mamãe’. Quando conheci ele, morava só ele e ela e eu comecei a cuidar”, afirmou Jessica ao G1 de Roraima.
A menina e a madrasta foram levadas para o Núcleo de Proteção à Criança e Adolescente (NPCA) em Boa Vista onde foram ouvidas. Desde o dia 24 de março, Klyvia estava em um abrigo na capital roraimense.
Klyvia foi recebida por conselheiros tutelares de Macapá no avião, que vão acompanhá-la (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)
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