Até quem tem ensino superior coloca a profissão em segundo plano para faturar na data. Marketing nas redes sociais se mostra como principal meio de venda.
Para dar conta da demanda, nas duas últimas semanas Ana Paula acorda cedo e só sai da cozinha a noite (Foto: Aline Lopes/G1)
Além de todo significado religioso, a Páscoa representa também uma oportunidade de negócios. O lucro dos setores de indústria e comércio voltados para chocolate crescem nesse período e em época de crise, até donas de casa com ensino superior estão empreendendo para faturar uma boa graninha e incrementar a renda familiar.
Esse é o caso da vilhenense Ana Paula Nascimento, de 27 anos. Ela é formada em pedagogia, mas há três anos seu principal provento vem da cozinha de casa. Tudo começou quando colocou o avental para fazer doces e angariar dinheiro para a formatura da faculdade.
“Fizemos uma cesta de páscoa para sortear e no outro ano, pessoas vieram me procurar para encomendarem mais. Aprendi sozinha a fazer assistindo vídeos e aceitei as encomendas. No ano que comecei era por causa de uma necessidade, hoje a gente faz porque ama”, declara a pedagoga.
Devido ao feriado deste mês, Ana Paula conta que as vendas mais do que dobraram. Pela estimativa da doceira, nesse período ela fatura em média R$ 100 por dia. Para atender a todos os pedidos, nas duas últimas semanas ela acorda cedo e trabalha até altas horas da noite. “Ontem mesmo fiz 40 ovos para uma creche. Tento trabalhar mais na parte da manhã e a noite, porque é quando as crianças e o marido estão fora de casa ou dormindo”, explica.
No ano que comecei era por causa de uma necessidade, hoje a gente faz porque ama", diz Ana Paula (Foto: Aline Lopes/G1)
Com o negócio progredindo, Ana Paula pretende comprar uma máquina para agilizar o processo de produção e se mudar com a família para uma casa maior, para ter um espaço próprio para a fabricação dos quitutes. “Os pedidos vão aumentando, então a gente tem que pensar no futuro, em melhorar mais, né?!”, disse.
Redes sociais
Para ir mais longe sem sair de casa, muitas mulheres que atuam nesse ramo fazem o uso das redes sociais para divulgar e aumentar as vendas. Ana Paula faz isso e a Juliana Rocha, de 26 anos, também.
Juliana mora em Vilhena e começou a vender doces há aproximadamente seis meses. A ideia de faturar com as confecções caseiras veio após postar a foto de um chocotone e receber vários comentários de pessoas perguntando se ela fazia por encomenda.
Segundo a doceira, seu faturamento cresceu na Páscoa mais de 60% (Foto: Aline Lopes/G1)
“Por causa da gravidez, eu havia abandonado meu cargo em uma empresa e trancado a faculdade. Quando vi a foto repercutindo tanto pensei que vender meus doces seria uma boa maneira de conseguir dinheiro e ficar em casa com o bebê”, disse.
Para começar o negócio, Juliana investiu R$ 400. Em pouco tempo, recuperou o dinheiro e hoje fatura em média R$ 150 por dia. Na Páscoa, a demanda cresceu mais de 60%. Desde março, ela já fez mais de 100 ovos de chocolate. “Precisei parar de aceitar os pedidos, porque não daria conta de atender a todos”, comentou.
A doceira reconhece a importância das redes sociais nas vendas e acredita que a internet é melhor forma de divulgar seus produtos, pois seu público alvo está ali. Além da página pessoal, ela criou uma exclusiva para o trabalho. A página tem mais de 400 curtidas e está avaliada em 5 estrelas pelos usuários.
“As pessoas fazem o pedido pelo inbox, por whatsapp ou nos comentários da própria postagem. Se o cliente desejar, a embalagem pode vir personalizada. Daí, a entrega fica por nossa conta também. Entregamos a domicílio. Posso dizer que as redes sociais marcaram meu início nesse negócio e continua sendo meio principal meio de vendas”, declara.
Desde março, Juliana já produziu mais de 100 ovos de chocolate como esse trufado com brigadeiro (Foto: Aline Lopes/G1)
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