segunda-feira, 17 de abril de 2017

Polícia investiga se morte de jovem em Pará de Minas tem ligação com jogo Baleia Azul

Polícia pericia celular do rapaz e diz que todos do núcleo de amizade são investigados. Mãe disse em depoimento que o filho tentou sair da disputa antes de tirar a própria vida.

A Delegacia de Crimes Contra a Vida investiga o suicídio de um jovem de 19 anos no dia 12 de abril em Pará de Minas, que pode ter sido incentivado pelo jogo "Baleia Azul", cuja disputa ocorre pela internet. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Carlos Henrique Gomes Bueno, o celular do rapaz foi recolhido e está sendo periciado.

Contudo, Bueno já confirmou que ele participava de um grupo de whatsapp com mais de 100 pessoas, sendo a maioria números de Minas Gerais e São Paulo. Todo o núcleo de amizades do mineiro é alvo da apuração. A polícia quer saber quem repassava os desafios, já que pela lei brasileira induzir uma pessoa ao suicídio é crime.

O jovem foi encontrado morto pela companheira, uma adolescente de 16 anos, com quem teve uma filha há pouco mais de um mês. Antes de tirar a própria vida, ele deixou uma mensagem para a família, os amigos e em seguida tomou uma grande quantidade de medicamentos. Para Maria de Fátima Santos, mãe do rapaz, não há dúvidas de que o filho de que foi por causa do jogo. Ela disse que sabia que da participação nos desafios e que ele tentou sair do jogo.

O delegado também disse que as investigações começaram com depoimentos da mãe. "Ela disse o filho comentou que estava participando do jogo e que assim que teve conhecimento pediu para que ele saísse. Disse ainda que o comportamento do filho era normal e que começou a mudar há uns 30 dias, passando a ficar arredio, estranho, mais calado e sem contato social”, acrescentou.

Em depoimento a mãe do jovem não mencionou se o filho já havia tentado suicídio anteriormente, mas declarou que ele havia tentado se cortar no período em que participou do jogo.

Jogo, preocupação e alcance

No jogo, que é disputado pelas redes sociais, um grupo de organizadores, chamados "curadores", propõe 50 desafios macabros aos adolescentes, e um deles é que o participante se corte. Outros estão relacionados a fotos assistindo a filmes de terror e ficar doente. A última missão é cometer suicídio.

O jogo ganhou visibilidade e vem se alastrando pelo mundo. Em alguns países, como Inglaterra, França e Romênia, as escolas têm feito alertas às famílias, depois que adolescentes apareceram com cortes nos braços, queimaduras e outros sinais de mutilação. As informações são do blog de Andrea Ramal no G1.

O fenômeno começou na Rússia, mas está se espalhando – inclusive no Brasil, como sugerem o caso da jovem de 16 anos morta no Mato Grosso e uma investigação policial em andamento na Paraíba. Na Rússia, em 2015, uma jovem de 15 anos se jogou do alto de um edifício; dias depois, uma adolescente de 14 anos se atirou na frente de um trem. Depois de investigar a causa destes e outros suicídios cometidos por jovens, a polícia ligou os fatos a um grupo que participava de um desafio com 50 missões, sendo a última delas acabar com a própria vida.

A preocupação aumentou ano passado, quando fontes diversas chegaram a divulgar, sem confirmação, 130 suicídios supostamente vinculados a comunidades online identificadas como “grupos da morte”.

Jogos com apelos de riscos letais têm virado moda entre os adolescentes. Um exemplo é o jogo da asfixia, que gerou vítimas no Brasil. Outro é o “desafio do sal e gelo”, no qual, para serem aceitos no grupo, os adolescentes devem queimar a pele e compartilhar as imagens nas redes sociais. Embora exista há anos, o desafio voltou com força recentemente. Sem falar no “Jogo da Fada”, que incita crianças o gás do fogão de madrugada, enquanto os pais dormem.

As recomendações para as famílias são: monitorar o uso da internet, frequentar as redes sociais dos filhos, observar comportamentos estranhos e, sobretudo, conversar e conscientizar os adolescentes a respeito das consequências de práticas que nada têm de brincadeira. Atenção redobrada com os jovens que apresentem tendência a depressão, pois eles costumam ser especialmente atraídos por jogos como o da Baleia Azul. Também as escolas devem colocar o assunto em pauta e incorporar no currículo, cada vez mais, a educação para a valorização da vida, o respeito pela vida dos outros e o uso consciente das mídias e tecnologias.

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