segunda-feira, 10 de abril de 2017

Presídio no AM onde sete foram mortos tem 1,1 mil internos provisórios

Ao todo, 87,5% dos presos esperam julgamentos da Justiça na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP); detentos foram mortos no local durante fim de semana.

UPP tem o dobro de presos da capacidade e registrou mortes violentas no fim de semana (Foto: Patrick Marques/ G1 AM)UPP tem o dobro de presos da capacidade e registrou mortes violentas no fim de semana (Foto: Patrick Marques/ G1 AM)

UPP tem o dobro de presos da capacidade e registrou mortes violentas no fim de semana (Foto: Patrick Marques/ G1 AM)

Mais de 87% da população carcerária da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) é composta por presos provisórios. Ao todo, há 1.131 internos da unidade que ainda aguardam julgamentos. A penitenciária tem o dobro de detentos que a capacidade, de acordo com dados levantados pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP), até a sexta-feira (7).

No local, sete detentos foram assassinados dentro das celas, no último fim de semana. Outros 20, ameaçados de morte, foram transferidos para o isolamento após confusão que durou mais de 12h.

Segundo os dados da Seap sobre a população carcerária do Amazonas, a UPP recebeu 1.292 internos até a sexta. Do total, 161 pertencem ao regime fechado - com condenação - e 1.131 presos provisórios - preso que não passou por julgamento. A UPP é uma das cinco unidades administradas pela empresa Umanizzare.

Apesar de atualmente abrigar 1.292 presos, o local tem capacidade para 614 vagas. Ou seja, o excedente é de 678 pessoas.

Questionada sobre a superlotação na unidade, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária informou que, desde 2015, o quantitativo de presos do sistema aumentou devido às "diversas prisões realizadas pelo Sistema de Segurança Pública (SSP-AM, PC e PM) nos últimos anos".

"As unidade prisionais da capital, assim como das demais cidades do Brasil, operam com números excedentes em relação ao número de vagas. Desde a desativação da Vidal Pessoa, os presos que dão entrada no sistema são encaminhados para as três unidades provisórias da capital: Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM), Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat) e Unidade Prisional do Puraquequara (UPP)", diz um trecho da nota.

A Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa foi desativada, por recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2016 por falta de estrutura. Após a crise carcerário no estado, o local, no entanto, foi reaberto para receber presidiários ameaçados de morte depois do massacre de 65 presidiários ocorrido nos primeiros dias do ano.

Déficit de vagas

A população carcerária total do Amazonas é de 9.195 presos, para somente 3.382 vagas. Com isso, o excedente é de 4.505, ou seja, 133%.

A população carcerária de Manaus é composta por 6.541 detentos, divididos em 14 unidades. Do total, são 6.168 homens e 373 mulheres. Segundo dados da Seap, contabilizando todas as unidades prisionais da capital, há o excedente de 2.620 pessoas, o que representa 91%. O número de vagas atual é de 2.875.

Confusão na UPP

A confusão na Unidade Prisional do Puraquequara - no km 2 do Ramal da Bela Vista, em Manaus -, terminou no fim da noite desta sexta-feira (7), após cerca de 12 hoas. Ao todo, seis detentos foram assassinados dentro das celas, pelos próprios companheiros na sexta.

Durante todo o dia, familiares acompanharam a movimentação do lado de fora do presídio. Eles chegaram a fazer uma roda de orações pelos detentos. Na noite de sábado (8), foi confirmada a morte de mais um detento dentro da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), em Manaus.

Briga entre divisões de facção

O secretário Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), tenente-coronel Cleitman Rabelo, explicou que os mortos foram encontrados no interior das celas, que estavam trancadas. Durante a revista, foram achados dois mortos em uma cela e o restante em quatro cômodos diferentes. “Encerramos a operação de revista na cela e retirada nos corpos. Contabilizamos seis corpos. É uma briga de uma sub-divisão de uma facção do Estado, um acerto de contas interno”, disse o coronel.

O secretário disse ainda que o assassinato dos presos foi motivado por um 'racha' dentro do comando de uma facção criminosa que atua no Amazonas. Cleitman Rabelo explicou que os presos foram mortos pelos próprios companheiros de cela. Dois foram estrangulados, um foi atingido com um objeto pontiagudo – uma capa de DVD - no peito, outro foi degolado e último foi atingido na cabeça com uma peça de um dos ventiladores distribuídos nas celas. “Todos serão ouvidos, indiciados e punidos a rigor da lei”, afirmou. Visitas de familiares e banhos de sol estão suspensos até segunda ordem.

O Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da OAB-AM, Epitácio Almeida, disse que a Seap havia sido informada sobre a possibilidade de novas mortes no presídio. “No início da semana, as famílias me passaram mensagem [sobre a ameaça de morte] e a gente comunicou à secretaria, tanto que eles mantiveram na tranca, fizeram tudo para evitar, acredito nisso”, afirma.

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