Izadora Nazário, de 11 anos, morreu em 31 de março em Paris por complicações do lúpus. Sem dinheiro, família fez campanha para custear translado.
Izadora Nazário será sepultada às 17h desta segunda-feira (24) (Foto: Reprodução/Rede Amazônica no Amapá)
Chegou na madrugada desta segunda-feira (24) no aeroporto de Macapá o corpo de Izadora Nazário, de 11 anos, que morreu no dia 31 de março, em Paris, após complicações do lúpus. Para chegar até o Amapá, a família da menina se mobilizou pedindo doações, dinheiro em semáforos e realizando um bingo, a fim de evitar que ela fosse enterrada como indigente na Europa.
O custo do traslado até a capital custou cerca de R$ 16 mil, informou a família. O corpo foi levado ainda na madrugada para o distrito de Itaubal, no município de Tartarugalzinho, a 239 quilômetros de Macapá. O sepultamento está marcado para às 17h desta segunda-feira, confirmou o tio dela, Robson Nazário.
Izadora foi levada ilegalmente para a França em busca de tratamento médico para o lúpus, doença autoimune que atinge a pele, órgãos e o sistema nervoso. Após falta de diagnóstico na rede de saúde do Amapá, outro tio da menina viajou com ela para a Guiana Francesa e mentiu sobre ser pai dela. Em função da gravidade, o sistema de saúde do país a encaminhou para Paris.
Família realizou campanha em semáforos para realizar traslado (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)
Após a morte da menina, que sofreu paradas cardíacas e um Acidente Vascular Cerebral (AVC), ela seria enterrada como indigente se não houvesse o custeio do traslado. Sem dinheiro, a família conseguiu prolongamento do prazo com o consulado brasileiro em Paris.
Segundo a família, Izadora apresentava sintomas da doença desde os 4 anos. Sem conseguir o diagnóstico em Tartarugalzinho e nem na capital, a família optou em levá-la para fora do estado, através do Programa de Tratamento Fora do Domicílio (TFD). Como houve problemas com passagens de ida, a família decidiu ir em busca de diagnóstico e tratamento fora do país.
Robson Nazário contou que, em janeiro, a menina foi com o pai de ônibus até Oiapoque, distante 590 quilômetros de Macapá. De lá, Izadora atravessou para o território francês para ficar com o outro tio que mora na Guiana Francesa, território que faz fronteira com o Brasil.
A menina não conseguiu atendimento por não ser cidadã francesa. O tio, então, teria mentido e ao dizer que era o pai de Izadora. Ele teria apresentado a certidão de nascimento da filha legítima que tem mais ou menos a mesma idade da criança.
A amapaense foi levada em fevereiro para Paris e, após complicações no tratamento, morreu. Para justificar o retorno do corpo para o Brasil, o tio revelou ao governo francês que havia mentido sobre a paternidade da menina. Ele chegou a ser preso por falsidade ideológica, mas foi liberado dias depois.
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