segunda-feira, 5 de junho de 2017

Defesa Civil de RR diz que índios e não-índios venezuelanos só podem viver em abrigo por 15 dias

Decisão é para manter rotatividade e evitar conflitos entre abrigados, diz chefe da Defesa Civil.

Abrigo fica na zona Oeste de Boa Vista e recebe imigrantes venezuelanos (Foto: Emily Costa/G1 RR)Abrigo fica na zona Oeste de Boa Vista e recebe imigrantes venezuelanos (Foto: Emily Costa/G1 RR)

Abrigo fica na zona Oeste de Boa Vista e recebe imigrantes venezuelanos (Foto: Emily Costa/G1 RR)

O chefe da Defesa Civil de Roraima, coronel Doriedson Ribeiro, disse nesta segunda-feira (5) que o prazo para permanência de venezuelanos no Centro de Referência ao Imigrante, em Boa Vista, passa a ser de 15 dias. A medida, segundo ele, vale tanto para índios quanto para não-índios e tem o objetivo de garantir a rotatividade no local.

Na sexta-feira (2), só venezuelanos não-indígenas que estão a mais de 15 dias no local receberam a informação de que teriam de deixar o abrigo. No sábado (3), foi ordenado que homens sem mulheres e filhos no Brasil saíssem de lá.

Atualmente, há 289 venezuelanos morando no abrigo, que fica na zona Oeste de Boa Vista, calcula a Defesa Civil. Desse total, 205 são índigenas da etnia Warao e 84 não-índios.

O abrigo funciona desde o dia 27 de dezembro e em abril deste ano o governo anunciou que ia manter o local 'por tempo indeterminado'. O centro é mantido pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (CEDEC), com apoio da Federação Humanitária Internacional.

Conforme Ribeiro, o prazo de 15 dias para permanência dos imigrantes já existia, mas não era cumprido por todos, o que acabava gerando conflitos entre os abrigados. Por isso, a "regra foi endurecida" e agora passa a valer na prática no intuito de manter a rotatividade no local.

"Tem outras pessoas querendo entrar lá [no abrigo] para serem atendidas e há algumas que estão lá há bastante tempo e por isso precisa haver essa rotatividade", afirmou Ribeiro.

De acordo com ele, a Federação Humanitária Internacional mantém uma lista atualizada dos imigrantes que entram e saem do abrigo. Por isso, é possível controlar os dias de permanência de cada venezuelano no local.

O coronel afirmou que será possível flexibilizar o prazo em casos mais delicados. "Vamos avaliar cada caso. O que não podemos aceitar é que as pessoas continuem ficando muitos meses no abrigo, até porque o espaço físico do abrigo é pequeno".

No sábado, dois dias após a rodada de reuniões entre representantes dos governos federal e estadual, membros da ONU e da fraternidade, a Defesa Civil ordenou que homens venezuelanos sem mulheres ou filhos deixassem o local.

"Começou a haver um confronto, inclusive com ameaças veladas a nossos colaboradores que vivem lá dentro. Alguns imigrantes chegaram a levar bebida alcóolica para dentro do abrigo. Então, começamos a registrar essas ocorrências, mas tudo continuou ocorrendo e lá vivem muitas crianças. Assim, demos o prazo para que essas pessoas saíssem de lá".

"Sem ter para onde ir", dizem venezuelanos

O pedreiro venezuelano Júnior Farias, de 35 anos, mora há quatro dias no local. Ele, que veio da cidade de Monaguas, no Nordeste da Venezuela, disse que foi pego de surpresa com a notícia de que terá de ficar só por 15 dias no abrigo.

Júnior Farias, que mora há quatro dias no abrigo, diz não ter para onde ir (Foto: Emily Costa/G1 RR)Júnior Farias, que mora há quatro dias no abrigo, diz não ter para onde ir (Foto: Emily Costa/G1 RR)

Júnior Farias, que mora há quatro dias no abrigo, diz não ter para onde ir (Foto: Emily Costa/G1 RR)

"Eu ainda não tenho emprego fixo, não tenho para onde ir e agora vou ter que sair daqui", afirmou o venezuelano que não é indígena.

Outro venezuelano que também diz não ter para onde ir é o ajudante de pedreiro José Castro, de 32 anos. Ele chegou ao abrigo há mais de um mês, mas diz que neste período ainda não conseguiu dinheiro suficente para se manter fora de lá.

"Eu acredito que isso [prazo de 15 dias para permanência no abrigo] é uma violação flagrante dos direitos humanos. Aqui o problema é de emprego. Eu não quero ficar o resto da vida no abrigo, eu quero trabalhar. Não quero viver de doações, quero viver do trabalho, ter uma vida estável aqui em Boa Vista”, declarou.

Imigração em massa

A escalada da crise venezuelana tem provocado fuga em massa para o Brasil. Só em Boa Vista, capital do estado, chegaram desde o ano passado mais de 30 mil venezuelanos, estima o governo do estado.

Prova desse aumento é o número de venezuelanos que solicitaram refúgio em Roraima. O índice cresceu 22.122% nos últimos três anos, revelam dados divulgados pela Polícia Federal no estado. Só no ano de 2016, mais de 2 mil venezuelanos foram à sede da PF em Boa Vista para pedir a condição de refúgio.

A Polícia Federal diz que em 2014 foram só nove solicitações, enquanto que em 2015 o índice foi para 230 e chegou a 2.230 em 2016. O aumento no número de pedidos coincide com o agravamento da crise econômica no país governado por Nicolás Maduro.

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