Excesso de nutrientes favorece proliferação de algas que deixam água do lago do Museu Mariano Procópio esverdeada em Juiz de Fora (Foto: Reprodução/TV Integração)
A pesquisa da bióloga Marcelo Miranda apontou sugestões para melhorar a qualidade da água do lago do Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora. Na tese de doutorado em Ecologia, ela concluiu que a cor esverdeada do local é resultado da grande presença de cianobactérias, algas que encontraram condições favoráveis para se proliferar. O trabalho sugere medidas de manejo que a direção estuda como serão implantadas.

Estudos sobre a proliferação da água de museu são concluídos em Juiz de Fora
O lago artifical foi criado na década de 1850 com as águas turvas e escuras do Rio Paraibuna. A tese “Medidas de Mitigação Para o Controle e Manejo das Florações de Cianobactérias em um Sistema Tropical Raso” foi o desdobramento de um pedido da direção, de consultoria técnica à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), ao detectar a alteração na coloração da água em 2012.
A pesquisa foi realizada em fases desde a época. A primeira, até 2014, foi através de monitoramento em que foram avaliadas a qualidade da água e as entradas de fósforo do lago. Na segunda, ao longo de 2015, foram realizados experimentos no laboratório testando na água do lago alguns produtos para flocular e sedimentar as algas e remover o fósforo. Na terceira, em 2016, foram feitos experimentos em campo, utilizando mesocosmos - sistema que isola uma coluna de água do lago quando foram testados produtos e dosagem resultantes das avaliações em laboratório.
"A gente viu que a maior fonte externa de nutrientes para o lago são as garças que dormem às margens no final do dia. Elas trazem muito fósforo e muito nitrogênio através dos dejetos e isso favorece o crescimento destas algas. Além disso, esse nutriente que entra no sistema deposita no sedimento e com o passar do tempo ele volta para a coluna d’água formando um ciclo, pois esse lago tem muito nutriente e as algas crescem cada vez mais. Para resolver o problema, a gente precisa cessar tanto a entrada externa, quanto interna dos nutrientes", explicou a bióloga.
O trabalho foi coordenado por Marcelo Manzi Marinho, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), em parceria com as universidades de São Paulo (USP) e de Wageningen (WUR), na Holanda, e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), financiada pelo Ciência sem Fronteiras, programa do Governo Federal.
A análise de nutrientes da primeira fase do trabalho foi feita com o Laboratório de Ecologia Aquática da UFJF. A segunda, tanto a realização dos experimentos como a análise com o Laboratório de Ecologia e Fisiologia de Algas da UERJ e o Laboratório de Qualidade Ambiental da Faculdade de Engenharia da UFJF. Na terceira, ocorreram o planejamento WUR e UERJ; as análises de nutrientes com o Laboratório de Ecologia e Fisiologia de Algas da UERJ, de toxinas com o Laboratório de Toxinas e Produtos Naturais de Algas (USP) e as de gases de efeito estufa com o Inpe.
A pesquisadora Marcela Miranda apresentou no final de junho a conclusão da tese de doutorado à direção e demais colaboradores da instituição. O próximo passo é o trabalho em conjunto com o Museu para desenvolver e aplicar práticas no controle e possível eliminação das algas.
"No primeiro momento a gente pode aplicar algumas das sugestões, uma tentativa de remanejar a sistemática de alimentação dos cisnes. E temos que fazer uma poda, que sempre foi feita, das árvores ribeirinhas e das ilhas para diminuir a entrada de nutrientes para as algas", comentou o gerente de Planejamento e Manejo do Parque, Dirceu Falci.
A pesquisadora destacou que a cor esverdeada não oferece risco para os frequentadores, mas limita o uso do lago como atrativo do Museu. Por isso, Marcela Miranda considera fundamental a sequência do projeto.
“A água não traz problema nenhum para a população que usa o parque. A gente quer melhorar a estética, a composição cênica e fazer a limpeza e que a gente consiga ver os peixes que habitam. Além de otimizar a utilização. Hoje a água do lago não oferece uma qualidade para se retornar os pedalinhos, como a população tanto cobra da administração do museu", concluiu a pesquisadora.
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