quinta-feira, 20 de julho de 2017

Pesquisa aponta alternativas para melhorar qualidade do lago do Museu Mariano Procópio em Juiz de Fora

Excesso de nutrientes favorece proliferação de algas que deixam água do lago do Museu Mariano Procópio esverdeada em Juiz de Fora (Foto: Reprodução/TV Integração)Excesso de nutrientes favorece proliferação de algas que deixam água do lago do Museu Mariano Procópio esverdeada em Juiz de Fora (Foto: Reprodução/TV Integração)

Excesso de nutrientes favorece proliferação de algas que deixam água do lago do Museu Mariano Procópio esverdeada em Juiz de Fora (Foto: Reprodução/TV Integração)

A pesquisa da bióloga Marcelo Miranda apontou sugestões para melhorar a qualidade da água do lago do Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora. Na tese de doutorado em Ecologia, ela concluiu que a cor esverdeada do local é resultado da grande presença de cianobactérias, algas que encontraram condições favoráveis para se proliferar. O trabalho sugere medidas de manejo que a direção estuda como serão implantadas.

Estudos sobre a proliferação da água de museu são concluídos em Juiz de Fora

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O lago artifical foi criado na década de 1850 com as águas turvas e escuras do Rio Paraibuna. A tese “Medidas de Mitigação Para o Controle e Manejo das Florações de Cianobactérias em um Sistema Tropical Raso” foi o desdobramento de um pedido da direção, de consultoria técnica à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), ao detectar a alteração na coloração da água em 2012.

A pesquisa foi realizada em fases desde a época. A primeira, até 2014, foi através de monitoramento em que foram avaliadas a qualidade da água e as entradas de fósforo do lago. Na segunda, ao longo de 2015, foram realizados experimentos no laboratório testando na água do lago alguns produtos para flocular e sedimentar as algas e remover o fósforo. Na terceira, em 2016, foram feitos experimentos em campo, utilizando mesocosmos - sistema que isola uma coluna de água do lago quando foram testados produtos e dosagem resultantes das avaliações em laboratório.

"A gente viu que a maior fonte externa de nutrientes para o lago são as garças que dormem às margens no final do dia. Elas trazem muito fósforo e muito nitrogênio através dos dejetos e isso favorece o crescimento destas algas. Além disso, esse nutriente que entra no sistema deposita no sedimento e com o passar do tempo ele volta para a coluna d’água formando um ciclo, pois esse lago tem muito nutriente e as algas crescem cada vez mais. Para resolver o problema, a gente precisa cessar tanto a entrada externa, quanto interna dos nutrientes", explicou a bióloga.

O trabalho foi coordenado por Marcelo Manzi Marinho, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), em parceria com as universidades de São Paulo (USP) e de Wageningen (WUR), na Holanda, e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), financiada pelo Ciência sem Fronteiras, programa do Governo Federal.

A análise de nutrientes da primeira fase do trabalho foi feita com o Laboratório de Ecologia Aquática da UFJF. A segunda, tanto a realização dos experimentos como a análise com o Laboratório de Ecologia e Fisiologia de Algas da UERJ e o Laboratório de Qualidade Ambiental da Faculdade de Engenharia da UFJF. Na terceira, ocorreram o planejamento WUR e UERJ; as análises de nutrientes com o Laboratório de Ecologia e Fisiologia de Algas da UERJ, de toxinas com o Laboratório de Toxinas e Produtos Naturais de Algas (USP) e as de gases de efeito estufa com o Inpe.

A pesquisadora Marcela Miranda apresentou no final de junho a conclusão da tese de doutorado à direção e demais colaboradores da instituição. O próximo passo é o trabalho em conjunto com o Museu para desenvolver e aplicar práticas no controle e possível eliminação das algas.

"No primeiro momento a gente pode aplicar algumas das sugestões, uma tentativa de remanejar a sistemática de alimentação dos cisnes. E temos que fazer uma poda, que sempre foi feita, das árvores ribeirinhas e das ilhas para diminuir a entrada de nutrientes para as algas", comentou o gerente de Planejamento e Manejo do Parque, Dirceu Falci.

A pesquisadora destacou que a cor esverdeada não oferece risco para os frequentadores, mas limita o uso do lago como atrativo do Museu. Por isso, Marcela Miranda considera fundamental a sequência do projeto.

“A água não traz problema nenhum para a população que usa o parque. A gente quer melhorar a estética, a composição cênica e fazer a limpeza e que a gente consiga ver os peixes que habitam. Além de otimizar a utilização. Hoje a água do lago não oferece uma qualidade para se retornar os pedalinhos, como a população tanto cobra da administração do museu", concluiu a pesquisadora.

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