Comando da 4ª Região da PM apresentou balanço dos crimes violentos na Zona da Mata (Foto: Roberta Oliveira/G1)
O comando da 4ª Região da Polícia Militar (RPM) apresentou na manhã desta quarta-feira (19) o balanço dos registros de crimes violentos no primeiro semestre de 2017 da área em que atua - 86 municípios da Zona da Mata, englobando uma população de quase 2 milhões de pessoas entre Orizânia, a 260 Km de Juiz de Fora até Chiador e Santana do Deserto, uma divisa de 342 Km com o estado do Rio de Janeiro.
De acordo com o comandante, coronel Alexandre Nocelli, na maioria dos casos houve queda dos registros. As exceções são os casos de roubo a ônibus, furtos de carros e estupro de vulnerável, especialmente em Juiz de Fora. Sobre a região, ele destacou que o aumento da criminalidade em Muriaé e em Viçosa é uma preocupação detectada e que terá resposta da PM.
“Preocupam a gente os furtos. Em ordem geral estamos conseguindo aproximar em relação ao ano passado, embora o roubo tenha caído muito. Algumas ações já estão direcionadas, inclusive de inteligência. Presença de carros clonados na cidade, alguma quadrilha já monitorada. A questão do estupro nos preocupa em relação à gravidade do crime. Estas modalidades que estão em aumento são objeto de análise para tentar diminuir”, disse.
Também participaram da coletiva o comandante da 4ª Companhia da Polícia Militar e Meio Ambiente, tenente coronel Paulo Henrique da Silva; comandante da 4ª Companhia de Polícia Militar da Independente de Policiamento Especializado, tenente coronel Neir Adriano de Souza; comandante do 2º Batalhão; tenente coronel Marco Antônio Rodrigues de Oliveira; major Jovânio Campos Miranda, respondendo pelo comando do 27º Batalhão e o chefe do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), major Júlio César Assunção.
Estratégias de combate
Segundo o coronel Alexandre Nocelli, pelos números registrados até 30 de junho deste ano e as projeções até o final do ano, a tendência é de fechar 2017 com os indicadores positivos dos últimos cinco anos.
“Roubo na ordem de 10%, tentativas de homicídio em torno de 30%. Nós não vamos permitir que a cidade fique refém da marginalidade. Vamos continuar na rua, atuando com repressão qualificada e inteligente, um trabalho mais próximo da comunidade, e queremos prestar contas no fim do ano com redução e aumento da sensação de segurança”, explicou.
O comandante afirma que a PM ainda não encontrou uma explicação do agravamento da criminalidade desde 2012 em Juiz de Fora e na região e comentou que as ações para reduzir os registros passou por identificar e elencar pessoas envolvidas em crime e que atuam de forma recorrente.
“A gente tem feito um trabalho de monitoramento desses infratores contumazes. Cada unidade tem seus alvos preferenciais. A gente tem encontrado apoio do Judiciário e do MP nestas ações de repressão qualificadas. E este trabalho de repressão tem tido resultado”, garantiu.
Dados comparativos de crimes violentos em Juiz de Fora no 1º semestre de 2106 e 2017 (Foto: Polícia Militar/Divulgação)
Na região, foram 157 homicídios consumados em 2017 contra 150 em 2016, um aumento de 4,67%. Os tentados caíram de 209 em 2016 para 183 neste ano. Em Juiz de Fora, foram 56 consumados e 85 tentados no primeiro semestre de 2017 contra 61 e 120 no ano passado. Coronel Nocelli analisou as estatísticas e a estratégia para buscar a redução destes registros.
“Temos um pequeno aumento na região, mas em Juiz de Fora tanto o homicídio consumado, quanto tentado estão em queda ainda pequena. A gente pode trabalhar com uma série de variáveis. Um crime passional pode ter começado com uma lesão corporal, a gente pode quebrar o ciclo. Outros estão relacionados à disputa de ponto de trafico, há um trabalho de inteligência identificando este grupo de infratores para prendê-los antes que aconteça o homicídio. Na ordem de 80% do crime de homicídio, quando a gente não prende o infrator, a gente indica no REDS ao encaminhar para a Polícia Civil continuar este trabalho”, comentou.
A Polícia Militar (PM) destacou que os dois batalhões em Juiz de Fora apreenderam 261 armas de fogo em 2016 contra 260 no primeiro semestre deste ano. Na região foram 604 apreensões em 2017 contra 669 no mesmo período do ano passado. De acordo com o comandante, esta ação fez com que os infratores mudassem de estratégia.
“A gente começa a perceber que os crimes violentos passam a ser feitos através de armas brancas, algo que tinha desaparecido e volta com força. A faca é mais fácil de dissimular. Agora faz parte da nossa agenda este combate e a apreensão de arma branca para evitar estes crimes”, afirmou.
Outro ponto que chamou a atenção na análise das ocorrências é o uso de violência pelos infratores. Recentemente tivemos adolescente agredido no Centro por suspeitos que levaram um boné; ou a moradora do Bairro Furtado de Menezes que teve a casa invadida por indivíduos que exigiam um cordão de ouro. Na semana passada, um comerciante de 61 anos foi esfaqueado e agredido durante um roubo no São Pedro. Ele teve alta nesta terça-feira (18) no Hospital de Pronto Socorro (HPS).
“A questão da violência no crime tem preocupado muito, fruto de uma série de fatores no país todo. Eles têm sido mais violentos ao cometer o crime. Muitas vezes os infratores estão muito muitos nervosos, às vezes é um dependente químico que está sob efeito de drogas e vai praticar um roubo. A gente sabe que é difícil manter a calma em um momento destes, mas deve demonstrar que não quer reagir, entregue dinheiro porque a vida é mais importante. Mas observe detalhes, algum traço característico para que a gente possa chegar à prisão do autor”, orientou.
Muriaé, Viçosa e cidades menores
Sem citar números, a 4ª RPM elencou como prioridades ações em Muriaé e Viçosa. "A questão nestas cidades nos preocupa, a gente tem feito um trabalho direcionado, inclusive com tropa especializada na cidade, com vista a contribuir para a diminuição dos números na região", afirmou.
O coronel Nocelli confirmou que muitos dos crimes violentos nas duas cidades é consequência do tráfico de drogas, uma das prioridades no combate na área da 4ª RPM.
“O tráfico fomenta alguns crimes, não só o crime de homicídio. Muitas vezes pessoas que são dependentes que, na busca de ter a droga, vão praticar crimes. A gente tem combatido de maneira sistemática e agressiva porque o tráfico de drogas é o ponto de convergência no aumento dos casos de homicídio e roubo”, ressaltou.
Dados comparativos de crimes violentos na 4ª Região da PM no 1º semestre de 2016 e 2017 (Foto: Polícia Militar/Divulgação)
A morte do policial militar e do vigilante durante tentativa de roubo a agências bancárias em Santa Margarida, na semana passada, colocou em foco a criminalidade nas cidades interiores. Nesta semana, uma comissão da Assembleia Legislativa de Minas Gerais esteve na região e enviou requerimentos ao Governo do Estado para melhoria de estrutura e ampliação de efetivo.
Coronel Nocelli destacou que esta mesma situação se repete em cidades menores da área do 4ª RPM e disse como lidar com esta realidade e com a escalada da criminalidade nestas áreas.
“Polícia no mundo inteiro o problema é efetivo e logística. Uma questão fundamental na atividade da polícia é ter inteligência nas ações e planejar o empenho. A interiorização do crime é uma realidade e nos preocupa. Nós temos uma ideia de consórcio entre frações. Nas cidades menores uma fração apoia a outra, formando grupos táticos para garantir supremacia em relação aos delitos que consideramos mais violentos. Estamos fazendo o trabalho de identificação destes autores para tentar prendê-los antes que eles ajam”, concluiu.
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