Ele foi internado em Uberaba depois de ser atingido às vésperas da eleição suplementar. Renatinho venceu com 56,39% dos votos válidos; em entrevista ao G1 falou sobre os próximos passos.
O candidato eleito prefeito de Campo Florido, que foi baleado na última sexta-feira (30) ainda durante o período de campanha, recebeu alta no início da noite desta quarta-feira (5) do Hospital São Domingos, em Uberlândia. Renato Soares de Freitas (PSD), o Renatinho, estava internado na unidade de saúde desde o dia do crime, no Bairro Vila Junqueira.
Em entrevista ao G1, ele contou sobre os momentos de medo e preocupação que viveu nos últimos dias junto com a notícia que havia vencido a eleição suplementar. "Foi uma vitória árdua. Acho que que tive uma segunda chance de vida", desabafou.
Campo Florido fica a cerca de 500 Km de Belo Horizonte e é uma das sete cidades brasileiras que tiveram eleição suplementar no dia 2 de julho. Renatinho, de 41 anos, venceu com 56,39% dos votos válidos, obtendo o apoio de 2.671 eleitores, mas soube do resultado durante a internação no hospital.
Renato de Freitas, o 'Renatinho', que levou três tiros dias antes de ser eleito prefeito de Campo Florido (MG) (Foto: Guilherme de Freitas/Arquivo Pessoal)
Segundo o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, o candidato eleito fazia campanha quando foi surpreendido por um atirador. Ele foi atingido por três disparos, mas apenas uma das balas ficou alojada no ombro esquerdo, onde foi feita uma cirurgia para retirada do projétil e reconstrução de um tendão rompido na região.
A polícia suspeita que o caso tenha relação com a disputa eleitoral. Para Renatinho, que afirma ter sofrido ameaças anteriormente, não há dúvidas. "Não há outra linha de investigação", afirmou. Confira abaixo a entrevista concedida nesta noite ao G1.
G1: Pode nos contar o que aconteceu no dia do crime? O senhor chegou a ver o rosto do atirador?
Renato Soares Freitas: Eu não consegui ver quem atirou em mim. Eu só vi o cano da arma. O militante que estava comigo também não viu. Apenas um morador da casa, que estava do lado de fora, que chegou a ver, mas ninguém conhecia. Não era de lá. A gente tinha acabado de fazer uma caminhada pelo Vila Junqueira, já eram por volta de 21h, 21h30. Eu tinha acabado de entrar no meu carro, junto com dois militantes, e um eleitor me parou, pediu para que eu entrasse na casa dele. Eu entrei na sala com esse eleitor e fui recebido pela esposa dele, uma sobrinha, neta, filha e um genro, que ficou do lado de fora. O homem [que me atacou] já entrou na casa atirando da varanda, e saiu correndo, mas acho que tive uma segunda chance de vida. Agora é recuperar.
G1: Quando saiu o resultado da eleição, o senhor já estava internado. Seu irmão [Guilherme de Freitas] disse, em entrevista ao G1, que o número de votos o surpreendeu. Como soube que havia sido eleito?
Renatinho: As pesquisas que encomendamos apontavam que tínhamos chances de vitória, mas achávamos que seria mais apertado. Então o resultado surpreendeu. Eu fiquei sabendo do resultado por correligionários e, logicamente, fiquei muito grato, não só por parte da população, mas porque recebi uma bênção divina. Foi uma vitória árdua.
G1: A polícia apura se o crime teve alguma relação com a campanha política. O senhor acredita ter sido vítima de uma retaliação à sua candidatura?
Renatinho: Com certeza. Não há dúvida. Eu tenho 41 anos e sempre trabalhei dentro de um mesmo grupo empresarial, morei em quatro cidades. Nunca tive desavença ou bate-boca com ninguém. Não tenho inimizade nem problemas na minha vida particular. Pra mim não existe outra linha que não seja a de ligação política.
Candidato de Campo Florido Renato Soares de Freitas, do Partido Social Democrático (PSD) conhecido como "Renatinho" (Foto: Reprodução/ TV Integração)
G1: Já havia recebido ameaças anteriormente?
Renatinho: Sim. Na campanha de outubro [de 2016], um carro da minha campanha foi incendiado. Mensagens com ameaças foram enviadas em grupos dos quais meu irmão e correligionários participavam. Esse não foi um caso isolado.
G1: O senhor não teme por sua vida, agora que está prestes a assumir a Prefeitura de Campo Florido?
Renatinho: O temor também nos motiva e eu tenho fé. O que me resta é acreditar nas autoridades, que sei que têm competência para isso. Todos estão empenhados em esclarecer esse caso.
G1: De acordo com a sua equipe política, a sua diplomação pela Justiça Eleitoral está prevista para o dia 21 de julho e há uma negociação com a Câmara Municipal para que a cerimônia de posse aconteça em 1º de agosto. Isso já está definido?
Renatinho: Sim. Estou fazendo fisioterapia por causa do ferimento no ombro, mas estou em plenas condições de ser empossado. A diplomação pode acontecer em qualquer dia até 21 de julho, mas isso depende da prestação de contas, que precisa ser analisada pela justiça antes. A posse no dia 1º de agosto segue uma orientação da minha equipe. Vamos esperar fechar as contas do mês de julho para começar o mandato com um novo mês fiscal.
G1: Qual deve ser o seu primeiro ato como prefeito?
Renatinho: O primeiro ato é resgatar a autoestima do campo-floridense, porque o que aconteceu comigo mostra que estamos em pleno século 21 vivendo uma política arcaica. E fazer uma reforma administrativa é o meu compromisso. Quero dizer à população que nosso objetivo maior é criar oportunidades - oportunidade de emprego, lazer, saúde, cultura, educação e segurança.
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