
Centro de Referência ao Imigrante passa por reformas e melhora acomodação a venezuelanos
O Centro de Referência ao Imigrante, que funciona como abrigo para venezuelanos, em Boa Vista, está passando por reformas.
De acordo com a Defesa Civil, as mudanças começaram a ser feitas nessa terça-feira (3). No local, estão sendo instaladas barracas e um redário para os índios que moram no abrigo. Cerca de 570 pessoas vivem no Centro, a maior parte indígenas da etnia warao.
O local, que é um ginásio, recebe os estrangeiros há cerca de 10 meses e está sendo reformado em ação conjunta da Defesa Civil, Prefeitura de Boa Vista e voluntários da Fraternidade. Os trabalhos devem terminar na sexta-feira (6).
Segundo Doriedson Ribeiro, chefe da Defesa Civil, índios e não-índios ficarão separados no terreno do abrigo. Uma parte das barracas já foi instalada.
Máquinas da prefeitura fazem serviço de terraplanagem no terreno ao entorno do abrigo (Foto: Reprodução/Rede Amazônica Roriama)
"Iremos fazer a retirada das barracas improvisadas que foram colocadas pelos indígenas e vamos substituir por barracas da Defesa Civi. Já o redário será instalado dentro do ginásio por conta da cultura indígena", explicou.
Além das mudanças na estrutura, a segurança será intensificada no local no sentido de evitar a entrada de pessoas que não vivem no abrigo, casos de violência, além do consumo de bebidas acoólicas e uso de entorpecentes.
"O portão está fechado com autorização para que as pessoas que estão alojadas aqui entrem até as 22h", destacou Doriedson Ribeiro.
Indígena Ramon Gomez já se mudou para nova barraca instalada pela Defesa Civil (Foto: Reprodução/Rede Amazônica Roraima)
O líder indígena Ramon Gomez foi um dos primeiros a se mudar para as novas barracas. Ele disse que vai dividir o espaço com filhos e sobrinhos. "Eu vou morar aqui com minha família", resumiu.
Segundo a irmã Clara, coordenadora da Missão da Fraternidade no estado, todos os moradores do abrigo foram previamente avisados acerca das mudanças.
"Tudo foi partilhado com eles, nós os ouvimos. Isso é muito importante porque se a gente impõe algo para qualquer ser humano pode ter resistência. Todos concordaram", declarou.
Venezuelanos índios da etnia Warao estavam vivendo em redes ao relento do lado de fora do ginásio (Foto: Emily Costa/G1 RR/Arquivo)
Venezuelanos em Roraima
O governo do estado estima que 30 mil venezuelanos entraram em Roraima desde 2016. A imigração cresce conforme a crise na Venezuela se alastra nos setores de emprego, alimentos e remédios.
Segundo dados da PF, mais de 6,4 mil pedidos de refúgio de venezuelanos foram registrados de janeiro a junho de 2017 em Roraima. O número representa um aumento de 188% em relação aos 2,2 mil pedidos realizados em todo o ano de 2016. Em 2015 foram feitas 230 solicitações.
A maioria dos venezuelanos que migram para Roraima são de Caracas, capital do país. Mais de 58% são homens e jovens entre 22 e 25 anos. A maior parte deles são estudantes (17,93%), seguidos por engenheiros (6,21%), médicos (4,83%) e economistas (7,83%).
Nas filas para entrada no Brasil, em Pacaraima, cidade fronteiriça a Venezuela, os imigrantes relatam a fuga da fome e do desemprego. Muitos decidem deixar trabalho para buscar uma vida melhor no Brasil.
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