Óleo de cozinha usado por ambulantes foi recolhido em Macapá (Foto: Abinoan Santiago/G1)
O óleo utilizado na fritura de batatinhas, bananas e outros alimentos que costumam ser comercializados por ambulantes, lanchonetes e restaurantes de Macapá é transformado em sabão em barra. A reciclagem vem ocorrendo desde 2016 e está ganhando a participação de empreendedores individuais cadastrados pela prefeitura da capital.
A iniciativa surgiu com a proposta de conscientização sobre o descarte incorreto do material, que causa danos ao meio ambiente, segundo o engenheiro e idealizador da ação Décio Ferreira, de 32 anos.
“Estava na orla da cidade e observei que alguns empreendedores que comercializam alimentos na região estavam fazendo o descarte do óleo da fritura de maneira incorreta, pois jogavam na foz do rio Amazonas e alegavam que não tinham outro local para destinar o produto. Então percebi que aquele material podia ser reutilizado”, contou.
Sabão é fabricado com o uso de óleo de cozinha que seria descartado (Foto: Jéssica Alves/G1)
O engenheiro começou a procurar empresas e instituições para fazer a coleta do óleo. A prefeitura entrou como parceira, desenvolvendo postos de coleta de óleo, o primeiros barris foram instalados na Praça Floriano Peixoto, no aniversário de 256 anos de Macapá. A proposta é estender o recolhimento do óleo para demais espaços públicos e torná-lo diário afim de que o descarte seja correto e vire matéria-prima para produção de sabão.
“Porque além da responsabilidade ambiental, o projeto tem a medida social. Vão ser instalados pontos de coleta para que empresas e moradores de bairros possam descartar o oléo para ser reciclado. E a fabricação de sabão será estendida para outros municípios, como Santana, Laranjal do Jari e Oiapoque”, explica Ferreira.
Barril foi deixado para despejo do óleo por ambulantes (Foto: Abinoan Santiago/Arquivo G1)
Além dos danos ao meio ambiente, o descarte irregular do óleo obstrui as redes coletoras de esgoto e estações de tratamento, prejudicando a rede de distribuição de água na capital. A cada cada oito litros de óleo vegetal coletados, são fabricados em média 40 barras de sabão, informou Ferreira.
O engenheiro reforça que o produto ainda está em fase de testes e por isso não é comercializado, mas as barras do sabão são doadas para as empresas e vendedores que forneceram a matéria-prima.
Engenheiro industrial Décio Ferreira quer levar reciclagem para outros municípios (Foto: Jéssica Alves/G1)
Segundo ele, o processo de produção é muito simples e pode ser feito em casa por qualquer pessoa, usando apenas o óleo, soda cáustica e água. Ele explica que o óleo contém glicerol, um componente que é matéria-prima da glicerina usada na fabricação convencional de sabão.
“Quando usado com a soda cáustica, o óleo saponifica e ao formar-se em glicenol, tem a reação química que o faz virar sabão. Com isso chegamos a produzir mais de 40 barras usando alguns litros de óleo que seriam descartados”, avaliou.
Sabão fabricado pode ser usado para lavar louças, roupas e até a pele (Foto: Jéssica Alves/G1)
O engenheiro diz que o sabão pode ser usado para lavar louças, roupas e até a pele, mas após a fabricação, só pode ser utilizado depois de 30 dias, para evitar que a soda cáustica cause algum dano. O produto pode ser feito artesanalmente, no entanto, Décio ressalta que para comercializar, é preciso autorização da Vigilância Sanitária Municipal, Conselho Regional de Química e prefeitura de Macapá.
Confira abaixo como preparar o sabão:
Ingredientes:
- 8 litros de óleo
- 1 quilo de soda cáustica
- 2 liros de água
Modo de fazer
- Coloque o óleo em um balde com um filtro em cima para que as impurezas fiquem retidas.
- Adicione os 2 litros de água.
- Após dissolver a soda cáustica, reserve.
- Misture com o óleo até ganhar uma consistência cremosa. O segredo do ponto é misturar bem, por cerca de 15 a 20 minutos.
- Após pronto, deixe a mistura descansar por 30 dias.
- O engenheiro reforça que é necessário o uso de luvas e máscaras ao manipular a soda cáustica.
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