Moradores denunciam o crime a delegadia (Foto: Divulgação/Dema)
Denúncias de moradores do bairro Laguinho, Zona Central de Macapá, levaram a Delegacia de Meio Ambiente (Dema) a interromper uma festa na União dos Negros do Amapá (UNA). O motivo foi o furto de energia elétrica utilizada no centro cultural através de uma ligação clandestina.
De acordo com o presidente da UNA, Iury Soledade, o espaço foi alugado e que no contrato informava que não oferecia energia elétrica, exigindo o uso de gerador. A entidade disse também que acumula débitos de R$ 636.878,98 na Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), valor que foi assumido pela Secretaria de Estado de Políticas para Afrodescendentes (Seafro).
“Essa dívida foi assumida pelo estado, através da Seafro. Na verdade, a UNA tem sido alugado há um ano para festas e todas são feitas com o uso de geradores. Esse fim de semana foi alugado com o aviso sobre a falta de energia”, falou Soledade.
O G1 tenta contato com a Seafro para falar sobre o assunto.
Segundo o delegado titular da Dema, Sávio Pinto, o evento seria realizado de sábado (7) para domingo (9). Ele destaca que a festa era de aparelhagens de som e não envolvia programação da cultura negra.
“A UNA deveria ser um centro de tradição, educação e propagação da cultura negra. Mas não é isso o que está acontecendo. São realizadas festas de aparelhagem de som com o uso de energia furtada e isso para todos verem. Nós constatamos a denúncia dos moradores”, disse.
Sávio explica que alguém instalou uma fiação clandestina em um poste de energia. O ato se enquadra no crime de furto de energia que pode resultar em um a quatro anos de reclusão, além da cobrança de valores retroativos referentes ao período fraudado acrescidos de multa.
Delegado Sávio Pinto, titular na Dema (Foto: Jorge Abreu/G1)
O delegado acrescentou também que a direção da UNA e o organizador da festa devem ser responsabilizados pelo crime. Esta não seria a primeira ação da Dema em um evento promovido no centro cultural.
“Flagramos mais uma vez um evento na UNA furtando energia elétrica e perturbando todo mundo que mora naquela região […] É uma utilização indevida do espaço como se fosse uma boate”, destacou.
Em novembro de 2016, a Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) chegou a interromper uma programação do Mês da Consciência Negra. Segundo a companhia, além da inadimplência, a entidade cultural não cumpre com as normas de segurança das instalações elétricas.
A CEA informou que a instalação irregular acarreta prejuízos para a comunidade do bairro Laguinho, por causa da sobrecarga na rede elétrica, e compromete a qualidade do fornecimento, além de ocasionar interrupções, queima de eletrodomésticos e riscos à vida das pessoas.
“Como a dívida não está paga, então a energia é proveniente de furto. É o famoso gato. Eles fazem uma ligação clandestina. Todo o material utilizado foi apreendido”, finalizou o delegado.
Programação do Mês da Consciência Negra chegou a ser interrompida devida a dívida (Foto: Jorge Abreu/G1)
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