Autoridades policiais apresentaram alguns detalhes das investigações (Foto: Mariana Dias/G1)
Durante coletiva de imprensa em Uberaba na manhã desta quarta-feira (8), o comandante da 5ª Região de Polícia Militar (RPM), Lupércio Peres, e o delegado-chefe do 5º Departamento de Polícia Civil, Heli Andrade, deram alguns detalhes sobre as investigações do assalto à empresa de valores na madrugada de segunda-feira (6). Eles também comentaram sobre a prisão de três suspeitos em Caldas Novas (GO), nesta terça-feira (7).
Conforme a polícia, as investigações começaram depois que um recibo de compra e um cartão foram achados na zona rural de Uberaba, onde os carros utilizados pela quadrilha foram abandonados. Durante as apurações, foi constatado que um homem havia comprado, em Araguari, cerca de 20 metros de corrente e dois de cadeados, que foram pagos com cartão de crédito. A corrente foi utilizada pela quadrilha para fechar uma via próxima à Rodoban.
Com as informações, a polícia conseguiu o endereço de um dos suspeitos em Caldas Novas (GO). Nesta terça, a polícia de Goiás teve sucesso na prisão dele, da esposa, e do comparsa, além da apreensão de cerca de R$ 300 mil em dinheiro, armas e veículos. O delegado Heli Andrade e o coronel Lupércio Peres estiveram em Goiás para acompanhar o desenrolar da investigação.
A princípio, no momento da prisão, os suspeitos teriam confessado participação no roubo. No entanto, durante os depoimentos, eles negaram qualquer envolvimento. “Eles disseram que nunca tinham ido a Uberaba e que nem conhecem a região. Mas a confissão deles agora é o menos importante. Temos que buscar provas técnicas, que não vão ser tão difíceis quanto parecem”, explicou Heli Andrade.
O delegado também informou que foi protocolado o pedido de transferência dos suspeitos para Uberaba. “Com esse pedido, já queremos nos antecipar e já nos organizamos para nesta quinta-feira (9) voltarmos a Caldas Novas para buscá-los, porque ainda temos muita coisa para trabalhar com eles”, disse.
As investigações, trabalhadas pelas polícias Civil e Militar, vão continuar. “Vamos continuar juntos até o dia da ‘caçada final’, que é o dia que vamos prender os demais envolvidos. Vamos ter dificuldades? Vamos. Mas a responsabilidade é nossa e vamos prosseguir”, ressaltou Heli Andrade.
Dinheiro apreendido em casa de suspeito em Caldas Novas (GO) pode ter sido roubado de Rodoban em Uberaba (Foto: Polícia Militar de Goiás)
Sobre a quadrilha
As autoridades não têm muitos dados sobre a quadrilha. O que se sabe, até o momento, é que o gurpo é especializado neste tipo de crime.
"Sabemos que é uma quadrilha totalmente organizada e não sabemos se os autores são os mesmos que participaram de crimes parecidos na região. O que existe, de concreto, é de que é uma quadrilha que age nessa especialidade: roubo às empresas de valores. Eles passaram a entender que o acesso aos caixas eletrônicos foi dificultado, já que os ladrões estão estourando caixas e não têm dinheiro porque a agência não está mais deixando dinheiro nesses locais. Então, entendo que esse ataque foi uma alternativa", revelou o delegado Heli Andrade.
Segundo o coronel, existe uma semelhança entre o ataque à Rodoban em Uberaba e alguns fatos que também ocorreram na região. "É a partir desse modus operandi que vamos fazer levantamentos, buscar vínculos. Já verificamos que esta não é a primeira vez que o grupo atua em roubos à bancos, explosões de caixas", disse.
A polícia também apura se um drone visto nas imediações da empresa no momento do ataque era dos criminosos ou não. Ainda segundo as autoridades policiais, a Rodoban ainda não informou a quantia roubada.
Respostas às cobranças de segurança na cidade
O coronel e o delegado também falaram sobre a cobrança da população em relação à segurança e atuação da polícia no momento do ataque da quadrilha.
“Nosso objetivo foi agir com inteligência, o que fizemos. Agimos dentro do razoável de não transformar uma área residencial em um palco de guerras. O objetivo era fazer a contenção, retirá-los do local o mais rápido possível, porque ali não era lugar para um confronto desse nível. Caso houvesse enfrentamento, os policiais estariam abrigados, armados e em condições; mas os moradores estariam expostos. Imagina se alguém tivesse perdido a vida naquele dia. As pessoas questionam porque não conhecem a técnica e os riscos. As pessoas querem uma ação imediata, mas a prioridade é a vida; depois, o patrimônio. Quando eles foram para a área rural, que é onde a gente poderia ter feito um combate mais sistemático, fizemos um embate na perseguição desses autores ”, explicou o comandante da 5ªRPM.
Para o delegado Heli Andrade, a decisão da polícia naquele dia salvou vidas. "Decidimos que não dava para fazer enfrentamento porque até o momento que só havia disparos de arma para o alto, não havia tanto problema. Mas se fossemos enfrentá-los, iria ter disparos de arma de fogo na altura do ser humano. Poderíamos pegar criminosos? Sim. Mas iriamos perder policiais e vidas inocentes. Essa foi a única razão de nós não termos permitido enfrentamento", acrescentou.
O ataque em Uberaba
A empresa localizada no Bairro Boa Vista foi invadida por volta das 3h desta segunda-feira (6) por cerca de 30 homens. Eles atiraram diversas vezes e colocaram fogo em carros para intimidar a polícia, fechando quarteirões. Os assaltantes chegaram a utilizar corrente amarrada em postes para fechar uma das vias próximas à empresa.
Um jovem de 26 anos, que estava em uma rua próxima, foi atingido de raspão pelos disparos. Moradores ouviram pelo menos duas explosões. A polícia calcula que a ação durou em torno de 1h30. O valor em dinheiro levado pelos criminosos ainda não foi informado pela empresa.
Os veículos utilizados pela quadrilha foram encontrados abandonados em uma estrada na zona rural de Uberaba. Os criminosos também abandonaram um caminhão-baú contendo explosivos.
Na tarde de segunda-feira, as forças de segurança de Uberaba descobriram que os integrantes da quadrilha usaram uma chácara alugada às margens da LMG-798 como ponto de encontro antes do crime.
Parte da sede da Rodoban em Uberaba ficou destruída após ação dos criminosos (Foto: Bruno Sousa/G1)
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