
Jovens levam música para pacientes da Unacon, no Amapá
Jovens voluntários que tocam e cantam por diversão estão levando entretenimento através da música para pacientes da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), em Macapá, há cerca de um mês. O trabalho não é remunerado e para eles o pagamento é através de sorrisos, expressões de alegrias e outras emoções.
No repertório não faltam ritmos como forró, sertanejo, MPB, pop rock e músicas religiosas, que, segundo o grupo, agradam aqueles que estão aguardando uma consulta, internados ou que estão fazendo tratamento, seja de quimioterapia ou de hormonioterapia, pelo menos duas vezes na semana.
Allison Silva (centro) é um dos voluntários da iniciativa (Foto: Allison Silva/Arquivo Pessoal)
O técnico em informática Allison Silva, de 29 anos, viu na internet que uma estagiária da Unacon procurava voluntários. Ele, que toca instrumentos por hobby, aceitou a missão e convidou outros amigos para participar do projeto. O grupo tem voluntários que se revezam nas apresentações que acontecem há mais de um mês.
“Nós fazemos isso por amor. Eu sempre tive vontade de fazer isso. Nós levamos música e eles nos dão um amor que é inexplicável. Recebemos muito mais do que oferecemos. Ganhamos o dia ali. Essa semana tocamos para uma pessoa em estágio vegetativo e ele correspondeu com alguns sinais. Isso mostrou que esse trabalho faz a diferença”, lembrou Silva.
Amiga do estudante, a advogada Djessica Gomes, de 26 anos, que antes só cantava entre amigos, passou a compartilhar o talento com os pacientes da Unacon, na tentativa de proporcionar um momento de felicidade e conforto no lugar.
“Esse trabalho veio pra mim como um presente. Amo cantar e já tinha interesse por musicoterapia, sempre pesquisei sobre a melhora dos pacientes através da música, para controle de ansiedade entre outras coisas. Sempre digo que recebo muito mais do que ofereço com esse trabalho. O carinho que recebemos das pessoas naquele lugar é algo difícil de mensurar”, contou Djessica.
Djessica Gomes (à dir.) solta a voz para alegrar pacientes da Unacon (Foto: Allison Silva/Arquivo Pessoal)
A iniciativa foi de funcionários da unidade que acompanham diariamente a rotina dos pacientes com câncer, em diversos estágios da doença. A possibilidade de mudar o ambiente com música atraiu a psicóloga Regina Frota, que começou a organizar as apresentações.
“A gente sempre tenta amenizar a dor do paciente hospitalizado. Ele vai para um ambiente estranho, com desconhecidos, fazendo um tratamento invasivo, e o hospital vira um lugar ansiogênico – onde as pessoas têm ansiedade. Então essa ideia surgiu a partir disso. Recebemos de retorno sorrisos que vêm da alma, a gente vê que estão agradecidos por isso”, disse Regina.
“A possibilidade de mudar um ambiente carregado de ansiedade, preocupação, agonia, por um pouco de paz, alegria e conforto que a música traz é maravilhoso e é o que me faz continuar”, finalizou Djessica.
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