Agentes da Força Nacional chegaram a Roraima em janeiro de 2017, após a morte de 33 presos na penitenciária (Foto: Inaê Brandão/G1 RR/Arquivo)
A Força Nacional de Segurança era responsável pela vigilância da área externa da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo por onde pelo menos 80 presos fugiram através de um túnel na madrugada desta sexta-feira (19). A informação é da Secretaria de Justiça e Cidadania de Roraima.
Os detentos fugiram por um túnel que ligava a ala 14, no 'Cadeião', à área externa da unidade. Cinco homens já foram recapturados, segundo o governo.
Durante a fuga, criminosos causaram uma pane elétrica e o presídio ficou meia hora sem energia. Três suspeitos de auxiliar na fuga foram presos.
"Da saída do túnel para onde a viatura da Força Nacional deveria estar é menos de 50 metros", disse o secretário da Sejuc, coronel Ronan Marinho, reafirmando que o ponto da saída do túnel é policiado pelos agentes federais.
O G1 contatou o Ministério da Justiça para saber posicionamento sobre as afirmações da Sejuc e aguarda retorno.
Túnel deu acesso ao lado de fora do presídio (Foto: Arquivo pessoal )
O comandante da Polícia Militar, coronel Edson Prola, reclamou das limitações de atuação da FN no estado.
Segundo Prola, os agentes já vieram para o estado com as funções prédeterminadas e restritas. Eles não poderiam atuar durante rebeliões no presídio, não podem prestar apoio nas guaritas nem auxiliar no rádio patrulhamento pela cidade.
De acordo com o informado pelo Governo Federal na época em que os agentes chegaram ao estado, a FN atua somente na segurança externa do presídio.
Os agentes estão em Roraima desde janeiro de 2017. Eles vieram ao estado para reforçar a segunça em presídio após a morte de 33 detentos dentro da maior unidade prisional do estado.
Em razão das limitações, o secretário afirmou que pediu a mudança de agentes da Força Nacional por agentes do Grupo de Intervenção Penitenciário, que segundo ele, poderá atuar dentro de Monte Cristo.
"Sem querer desmerecer a Força Nacional, ou mostrar ingratidão ao Ministério da Justiça, mas com essas restrições a Força Nacional não nos serve", declarou Marinho.
O pedido para atroca de agentes foi feito em dezembro de 2017. Segundo Ronan, nesta manhã o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) deu "sinal verde" para o pedido.
"No dia 29 [de janeiro] uma equipe vem à penitenciária fazer uma análise da situação para nos informar o efetivo que vai mandar para Roraima".
Pessoas com informações sobre o paradeiro de foragidos podem entrar em contato com a polícia pelos números 0800-27-80-130, (95) 99139-9529 ou pelo 190. As denúncias podem ser anônimas.
Secretário da Sejuc, Ronan Marinho (no centro), afirmou que Força Nacional era responsável pela seguraça na área da fuga (Foto: Inaê Brandão/G1 RR)
Fuga em massa
A escavação por onde os pelo menos 80 presos fugiram tinha cerca de 100 metros e foi feita da ala 14, onde fica o 'Cadeião', para a área externa atrás do maior presídio do estado. O 'Cadeião' abriga mais de 700 reeducandos.
Durante a fuga, criminosos que auxiliavam a ação pelo lado de fora causaram uma pane elétrica e o presídio ficou meia hora sem energia.
Segundo Marinho, a fuga em massa foi organizada e executada por uma facção criminosa que atua dentro e fora do presídio. Entre os foragidos estão líderes da facção.
Três pessoas que deram apoio à ação foram presas pela Polícia Civil. Eles estão sendo ouvidos pela delegada Francilene Hoffmann, responsável pelo Grupo de Repressão às Ações Criminosas (Graco).
O túnel por onde os detentos escaparam não é novo, segundo a Sejuc. Uma operação é feita na unidade para fechar definitivamente a escavação.
Números para denúncias sobre paradeiros de foragidos de presídios em Roraima (Foto: Governo de Roraima/Divulgação)
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