Óculos de Valentina Vieira foi furtado de dentro da embarcação da família, no porto de Santana, no Amapá (Foto: Facebook/Reprodução)
Os óculos de uma bebê, de 1 ano, foram furtados da embarcação da família, que está atracada no Porto de Santana, a 17 quilômetros de Macapá. O caso ocorreu na madrugada de quarta-feira (21). Para a pequena Valentina Vieira o objeto é mais do que um acessório. Ela nasceu com uma doença rara, catarata congênita, e só consegue enxergar com as lentes, que têm 16 graus de um lado e 18 do outro.
Os pais de Valentina são agricultores ribeirinhos. Eles moram no interior do município de Mazagão, no Rio Tambaqui, que fica a 12 horas de barco da cidade, e sobrevivem da venda de açaí. O pai da menina, Adonisvaldo Barbosa, de 34 anos, conta que os óculos estavam dentro da bolsa da filha.
“Nós chegamos no Porto de Santana à noite, agasalhamos a embarcação e fomos dormir dentro do catraio mesmo. Quando acordamos a bolsinha dela tinha sumido”, relata o pai.
Segundo Barbosa, o valor dos óculos chega a R$ 2 mil, mas as lentes ficaram por R$ 800 para Valentina, porque o gerente da ótica onde elas foram adquiridas se sensibilizou com o caso. O dinheiro para a compra veio de recurso próprio da família, além de arrecadação com realização de rifas e bingos.
Valentina nasceu cega e a doença só foi percebida pela família aos três meses. Ela foi submetida a cirurgias nos dois olhos, numa primeira etapa do tratamento, o que lhe devolveu parte da visão, mas somente com o apoio dos óculos, que ela usava o tempo todo, segundo o pai.
As cirurgias foram em setembro de 2017. Como o procedimento não é realizado no Amapá, a família teve que conseguir recurso para ir até Brasília. Diante da necessidade, duas tias da criança tiveram a ideia de criar uma página no Facebook para pedir ajuda.
Bebê de 1 ano que nasceu cega por causa de catarata tem óculos furtados no AP (Foto: Facebook/Reprodução)
As operações custaram R$ 18 mil e o hospital parcelou o pagamento em 20 vezes de R$ 900 cada, sendo que duas delas tiveram que ser pagas em duas semanas, como entrada das cirurgias de cada lado do olho, e três foram pagas adiantadas, com o dinheiro arrecadado dos eventos.
O perfil "Ajude a Valentina a ver o mundo" é administrado pelas tias, que moram em Santana. Nele, elas compartilham as etapas do tratamento da menina e disponibilizam uma conta para quem puder ajudar com qualquer valor. Paralelamente à campanha na rede social, são realizadas "caixinha", livro de ouro, rifa e bingo.
“Os pais da Valentina não sabem se virar, então decidimos nos mobilizar. Fui para Brasília com ela e a mãe dela, que tem 17 anos. Minha irmã faz um tratamento de pele no mesmo hospital, e sou eu que acompanho, por isso consegui conversar com o médico para que pudéssemos quitar em parcelas”, contou Maiara de Souza Paula, de 26 anos, tia da menina.
Maiara conta que foi ela quem percebeu que Valentina não enxergava.
“Eu a levei num pediatra, que disse que ela não enxergava nada e que ela deveria fazer as cirurgias com dois meses, mas não tínhamos percebido antes e só conseguimos juntar dinheiro quando ela fez sete meses. Eu estou desempregada e ainda ajudo minha irmã, que também tem uma doença rara na pele”, disse.
Sobre os óculos da pequena Valentina, o pai registrou ocorrência e diz ter esperança que devolvam. O caso também foi divulgado pela internet, na busca de encontrar pistas de onde está o acessório.
“Não tinha nada de valor na bolsinha dela, além dos óculos. Só tinham produtos de higiene e roupinhas. Precisamos muito dele porque ela só enxerga com ele. Não temos de onde tirar dinheiro para fazer outro”, lamenta o pai.
Furto foi divulgado na página de Valentina no Facebook e em outras redes sociais (Foto: Facebook/Reprodução)
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