Para os usuários o novo valor na tarifa não é correspondente à qualidade dos serviços oferecidos pelas empresas (Foto: Jéssica Alves/G1)
A nova tarifa no valor de R$ 3,60 para o transporte público entre Macapá e Santana entrou em vigor neste sábado (24). O preço, que era de R$ 3 sofreu reajuste de 20%, em decisão publicada pela 3ª Vara Cível e de Fazenda Pública de Macapá, que atendeu o pedido das empresas.
O reajuste é motivo de reclamação de muitos usuários, que precisam se deslocar entre os municípios. Para eles, o novo valor não é correspondente à qualidade dos serviços oferecidos pelas empresas. Entre os principais defeitos apontados estão o grande tempo de espera nas paradas, veículos danificados, com pouca ventilação e falta de segurança.
“O serviço é totalmente precário, pois o ônibus demora a passar, vem lotado, passamos calor, cadeiras quebradas, entre outros problemas. Não adianta pagar R$ 3,60 se não tem melhora nisso. É complicado”, destacou a estudante, Bruna Alves, que mora no distrito da Fazendinha e precisa pegar o transporte diariamente.
A auxiliar administrativo Regiane dos Santos, de 23 anos, está preocupada com a diferença que a nova passagem fará para o orçamento no final do mês, já que ela precisa pegar o transporte todos os dias para sair de casa, em Santana, e chegar até ao trabalho e a faculdade onde estuda, ambos em Macapá.
“Vai ser muito prejudicial, porque o salário que ganho não vai dar para bancar esse transporte. Meu gasto será muito algo e infelizmente o cidadão é o maior prejudicado nessa mudança”, lamentou.
Regiane dos Santos mora em Santana e precisa pegar ônibus para chegar até Macapá (Foto: Jéssica Alves/G1)
O último aumento concedido na passagem entre Macapá e Santana aconteceu no fim de 2015. O pedido de elevação partiu do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Amapá (Setap), que alegou prejuízos financeiros com o valor atual pago pelo serviço. E que a tarifa não acompanhou os aumentos da gasolina e os reajustes salariais concedidos aos rodoviários.
A regulação do valor da viagem intermunicipal é feita pela Secretaria de Estado dos Transportes (Setrap). O juiz Ernesto Collares, que assinou a decisão, destacou que o valor é provisório até que as duas partes apresentem valores definitivos atendendo critérios financeiros.
O preço definido pela Justiça é menor que os pleiteados pelo Setap, que através de planilha de custos apontou as tarifas de R$ 3,75 em maio de 2017, e R$ 3,92 em agosto de 2017. Cerca de 20 mil passageiros são transportados diariamente entre as cidades.
Em nota, a Setrap esclareceu que o valor foi definido pela Justiça, e que é contra o valor proposto pelo Sindicato das Empresas. Apontou ainda que vai propor um valor acessível na audiência de conciliação marcada entre as duas partes para o dia 5 de março.
Segundo o Setap, a tarifa será provisória até que o Setap e o sindicato cheguem um consenso. Caso não ocorra, a decisão será feita na Justiça.
“Tivemos quatro anos sem definição de reajuste tarifário. Os consecutivos aumentos no óleo diesel, além do grande número de veículos irregulares, contribuiu para o aumento da tarifa. Faremos investimentos para aumentar a frota de 36 para 50 veículos. É um caso de utilidade pública, será feita uma audiência pública em março para tentar conciliar os valores”, destacou o assessor de comunicação do Setap, Renivaldo Costa.
Segundo o Setap, a tarifa será provisória até que o Setap e o sindicato cheguem um consenso (Foto: John Pacheco/G1)
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