sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Prisão temporária de investigados na Operação 'Poseidon' é prorrogada em Uberlândia

A prisão temporária dos três investigados na Operação “Poseidon”, em Uberlândia, foi prorrogada pela Justiça nesta sexta-feira (23). A operação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), no último dia 19 de fevereiro, e investiga contratos celebrados entre o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) e a Araguaia Engenharia.

Os mandados são contra o ex-servidor do Dmae e que ocupa cargo na Secretaria de Obras, Manoel Calhau Neto, o presidente da Araguaia Engenharia na época dos fatos, Daniel Vasconcelos Teodoro, e o engenheiro João Paulo Voss. Eles estão presos no Presídio Professor Jacy de Assis.

O G1 não conseguiu contato com o advogado que representa a empresa na tarde desta sexta-feira (23). A reportagem aguarda retorno da assessoria de comunicação da Administração Municipal em relação ao servidor.

Os pedidos de prorrogação feitos pelo Gaeco foram deferidos pelo juiz da 1ª Vara Criminal da comarca de Uberlândia, José Luiz de Moura Faleiros. A legislação determina que um mandado de prisão temporária é válido por cinco dias, podendo ser prorrogado por mais cinco. Depois desse prazo, os presos são soltos ou será necessário um mandado de prisão preventiva.

O Gaeco justificou que a decisão foi necessária para poder concluir as investigações.

Operação

Ex-funcionário do Dmae e representantes de construtora são presos em Uberlândia

Ex-funcionário do Dmae e representantes de construtora são presos em Uberlândia

Os promotores investigam os crimes de associação criminosa, falsidade ideológica, peculato, corrupção passiva e ativa, além de lavagem de dinheiro. Durante as diligências, foram apreendidas armas de fogo e munições na casa de um dos envolvidos.

A investigação do Ministério Público Estadual (MPE), por meio do Gaeco, partiu de uma denúncia feita pelo vereador Thiago Fernandes do (PRB), de um vazamento em uma estação de água no Centro da cidade.

Segundo as informações divulgadas pela Promotoria de Justiça, os contratos foram firmados entre 2009 e 2010, sendo apurada a diferença aproximada de R$ 12 milhões entre os valores pagos pelo Dmae e os serviços efetivamente prestados pela Araguaia Engenharia.

Outro lado

Embora os contratos tenham sido celebrados na gestão anterior do prefeito atual prefeito, Odelmo Leão, a Prefeitura alega que em 2013 recebeu documento oficial da diretoria do Dmae na gestão do prefeito Gilmar Machado atestando o bom andamento da obra e regularidade dos serviços prestados. O relatório afirmava que 82,7% da obra estava concluída naquele ano. Veja posicionamento completo do Executivo.

Já Gilmar Machado disse em nota que no início da gestão, no ano de 2013, foram identificadas irregularidades no contrato firmado entre o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) e a Araguaia Engenharia, e que logo que tomou conhecimento as irregularidades, estas foram repassadas ao Ministério Público Estadual.

Um vazamento de água no reservatório do Departamento de Água e Esgoto (Dmae), no Centro de Uberlândia, foi constatado em outubro do ano passado durante uma fiscalização do Gaeco junto à Polícia Militar (PM) e o Procon Estadual. Inicialmente, ficou apurado que estavam sendo desperdiçados cerca de 160 mil litros de água diariamente.

Desde então as investigações apontam eventuais fraudes na obtenção de contratos em obras, falhas na execução e desvio de recursos públicos. Uma das consequências da má execução das obras, apontada na representação da Promotoria, era exatamente a necessidade de jogar água fora em razão da estrutura dessas construções não aguentarem armazenar todo o volume.

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